Se existe algo interessante no intenso equilíbrio característico da Liga MX é a possibilidade de qualquer um dos 18 clubes na disputa liderar após uma série de vitórias, obter uma vaga no mata-mata e até mesmo, vez ou outra, alcançar o título. O efeito contrário dessa imprevisibilidade é a possibilidade (quase sempre confirmada) de um grande ocupar a lanterna, brigar contra as últimas posições ou mesmo ser rebaixado, como o Necaxa, potência local (e continental no fim dos anos 90 e hoje na segunda divisão).

Não parece ser essa a toada do atual Clausura, entretanto. Decorridas sete rodadas, Cruz Azul, Toluca, América, Chivas de Guadalajara e Pumas UNAM, os cinco grandes clubes do futebol azteca, lideram o torneio, empolgam seus torcedores e parecem tornar ainda mais atrativa e popular a disputa pela taça.

O momento de cada um dos times diverge. Enquanto Cruz Azul, América e Toluca vêm marcando presença entre os líderes e quase sempre com vaga nos playoffs das últimas edições da Primera División, Chivas e Pumas passaram por momentos conturbados, com desempenho oscilante, intensa troca de técnicos, futebol pouco empolgante e pressão por melhores resultados.

A retomada do Rebaño Sagrado e dos felinos trouxe outra característica interessante: pela primeira vez no século XXI, os cinco maiores campeões nacionais ocupam as cinco primeiras posições da Liga MX ao fim de uma rodada. Com o crescimento do poder econômico e o predomínio dos clubes do norte nos últimos anos, a própria rivalidade entre os times aztecas mais tradicionais ficou ameaçada (vale lembrar que o Atlas, rival local do Chivas, vem se acostumando a campanhas medíocres e a briga constante contra o descenso).

Na parte de baixo da tabela, a situação não é muito diferente do previsto: pode-se dizer que Veracruz, Atlas, Puebla e Chiapas nas últimas posições não surpreendam, ainda que a presença dos arquirrivais de Nuevo León, Tigres e Monterrey, entre eles sim, mas parece ser mais fruto de uma má fase do que propriamente de uma tendência de queda de rendimento. Ambos aparecem em praticamente todas as últimas edições do campeonato mexicano como favoritos ao título e nos últimos cinco anos levaram três taças nacionais e três títulos continentais.

Não que esse cenário indique uma mudança definitiva ou mesmo uma tendência de renascimento dos clubes mais tradicionais, até por que ainda restam 11 rodadas e todo um mata-mata para que se provem. Mas já se torna um alento para grande parte do público azteca, já que quatro dos clubes estão entre os de maiores torcidas no país, enquanto o Toluca disputa percentualmente com os demais clubes o quinto posto.

Além do fator público, o fortalecimento dos times mais tradicionais também é um ponto positivo para a expansão do próprio futebol azteca ao redor do mundo, já que por mais que Monterrey, Santos, Tigres e recentemente León e Tijuana venham ganhando reconhecimento fora das fronteiras mexicanas, a tradição de qualquer um deles ainda está aquém dos clubes mais populares.

De todos, o América, com grande poder financeiro, elenco, bons resultados e presente às últimas duas finais (com um título) parece o candidato mais preparado a levantar a taça da Liga MX, mas é impossível desprezar qualquer um dos demais concorrentes, ainda mais levando em conta a rivalidade entre os cinco ou mesmo a provável presença de outros times que conquistaram a Liga MX em anos recentes (Santos, Tijuana ou León).

A única certeza é que, mais do que a imprevisibilidade, a atual edição do campeonato mexicano tem tudo para contar com um ingrediente ainda melhor na Liguilla: o fator camisa. Algo nem sempre presente nas últimas edições, mas que sempre acrescenta o algo mais nas disputas pala taça.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo da 7ª rodada do Clausura: Carlos Rodríguez (Morelia), Rogelio Chávez (Cruz Azul), Mauricio Romero (Atlante), Paulo da Silva (Toluca) e José María Cárdenas (León); Juan Pablo Rodríguez (Santos), Christian Valdez (Morelia), Isaac Brizuela (Toluca) e Marco Fabián (Cruz Azul); Omar Bravo (Chivas Guadalajara) e Darwin Quintero (Santos); T: Gustavo Matosas (León);

Costa Rica

- De virada, o Herediano venceu o Municipal Pérez Zeledón e assumiu a ponta do Campeonato de Verano da Primera Divisón, com 17 pontos em 8 jogos. Isso por que o antigo líder Alajuelense viu o clássico contra o Cartaginés ser abandonado após 40 minutos de partida, motivado pelo enfrentamento entre as torcidas rivais. Os Rojinegros somam 15 pontos, mesma pontuação do Saprissa, que goleou o Santos de Guápiles por 4×0;

El Salvador

- Após um empate sem gols no Clássico Nacional entre FAS e Águila, os dois maiores campeões nacionais, os Tigres seguem invictos e na liderança do Clausura da Liga Mayor, com 13 pontos em 5 partidas, enquanto as águias estão na vice-lanterna, com 4 pontos. O Isidro Metapán perdeu em casa para o Atlético Marte e segue na segunda posição, com 10 pontos, mas ganhou a companhia do Luis Ángel FIrpo, que ficou no empate com o Alianza, no “Clásico Joven”.

Guatemala

- Em rodada repleta de empates, a Universidad SC arrancou a igualdade contra o Mictlán, terceiro colocado, fora de casa, e segue no topo do Clausura da Liga Nacional, com 15 pontos em 7 jogos. A vice-liderança é do atual tricampeão Comunicaciones, que empatou sem gols frente ao Heredia e tem 12. O Municipal também empatou, contra o Marquense, e é o sexto, com 9 pontos;

Honduras

- Aproveitando o tropeço da Real Sociedad, derrotada em casa pelo Marathón por incontestáveis 3×0, o Olimpia empatou com o Victoria e assumiu a ponta do Clausura, com 16 pontos em 8 partidas, ao lado da própria Real. O Motagua bateu o Vida e é o terceiro, com 13, enquanto o atual campeão da Liga Nacional Real España precisou de dois pênaltis duvidosos para arrancar o empate do Parrillas One e aparece em quarto, com 10 pontos;

Panamá

- Superado pelo Árabe Unido em casa, o Alianza perdeu o jogo e a liderança do Clausura da Liga Panamenha. Os árabes alcançaram 12 pontos em 6 jogos, dois a mais que os verdolagas, que agora dividem a segunda posição com o Plaza Amador. Já o San Francisco aparece em quinto lugar, após empate sem gols contra o Chorrillo, enquanto o atual campeão Tauro é o sexto;

Jamaica

- O líder e atual campeão Harbour View perdeu em casa para o Waterhouse e viu sua vantagem na ponta cair para apenas três pontos, justamente para o algoz, que soma 34 pontos em 20 partidas. O Tivoli Gardens venceu o Humble Lions por 3×0 e já aparece na quinta posição, com 27, enquanto o Portmore goleou o Rivoli e é o sétimo, com 25;

Trinidad & Tobago

- Líder com folga, o W Connection não passou de um empate em visita ao Central e tem 33 pontos em 14 jogos. Segundo colocado, o Point Fortin venceu o Caledonia e tem 26, mas com um jogo a mais. O atual campeão Defence Force é o 7º, com 13 pontos (mas em apenas 8 jogos), enquanto o San Juan Jabloteh é o vice-lanterna, com 10;

Nicarágua

- Os três detentores dos últimos 18 campeonatos nacionais seguem monopolizando a parte de cima do campeonato nicaraguense. Real Estelí e Walter Ferretti venceram seus duelos, contra Ocotal e Chinandega, respectivamente, e isolaram-se na ponta do Clausura da Liga Nacional, com 16 pontos em 9 partidas. Maior campeão nacional, o Diriangén bateu o Juventus e é o terceiro, com 15.