Não é novidade alguma que o título do Campeonato Português ficará com Benfica, Sporting ou Porto. Assim como é fato que, nessa ordem ou não, os três maiores clubes do futebol lusitano ocuparão as três primeiras colocações ao final da competição, consequentemente garantindo suas vagas na Liga dos Campeões da próxima temporada – os dois primeiros colocados na fase de grupos e o terceiro no play-off. Uma boa briga, que deve ter ainda vários capítulos emocionantes, pois, atualmente, são 39 pontos para o Benfica, 37 para o Sporting e 36 para o Porto.

O Portuguesão 2013/14 reserva também uma disputa bem interessante no segundo escalão. Afinal, a diferença entre o quarto colocado, Estoril, e o sétimo, Braga, é de apenas três pontos (26 e 23, respectivamente). Entre eles, estão Vitória de Guimarães (também com 26) e Nacional (25). É uma corrida que vale duas vagas na Liga Europa (no play-off para quem chegar em quarto e na terceira fase pré-eliminatória para quem terminar em quinto).

Ser a quarta força do futebol português não é pouca coisa para clubes desse porte. Sem poderio financeiro para concorrer com os grandes (note que a diferença entre Estoril e Porto é de dez pontos), o que lhes resta é brigar para ser “campeão” do campeonato à parte e abocanhar a chance de disputar uma competição europeia. São como os corredores de maratona que largam do pelotão intermediário: não estão entre os atletas da elite, mas também não precisam se misturar ao povão e podem fazer sua prova com relativa tranquilidade. A temporada passada, quando o Sporting teve o pior desempenho de sua história e ficou fora da parte de cima da tabela, foi uma exceção.

Uma amostra de como a briga pelo quarto posto é intensa e equilibrada esteve no jogo que fechou a rodada de abertura do segundo turno: o empate por 2 a 2 entre Nacional e Estoril, na Madeira. Mesmo jogando fora de casa, o Estoril conseguiu abrir 2 a 0 com apenas 18 minutos (gols de Sebá e Evandro). O time da casa reagiu, diminuiu ainda no primeiro tempo com Claudemir cobrando pênalti e empatou aos 5’ da segunda etapa, com Reginaldo. A partida ainda foi “temperada” por uma expulsão de cada lado e, para variar, má atuação da arbitragem – no caso, de Bruno Esteves.

Jogar fora de casa vem se tornando uma especialidade do Estoril nesta temporada. Dos 24 pontos que disputou longe de seus domínios, o time conquistou 17. Sofreu apenas uma derrota, mesmo desempenho de Benfica e Sporting, por exemplo. A campanha feita até agora coloca os canários como favoritos ao quarto lugar. A equipe ocupa esta posição por cinco rodadas consecutivas e, entre idas e vindas, esteve nela outras seis vezes ao longo do campeonato.

Ainda assim, o técnico Marco Silva mostra ser precavido e, pelo menos no discurso público, ainda salienta que o objetivo principal é manter-se na primeira divisão. “Queremos o mais rapidamente a manutenção e este campeonato vai ser muito duro até o fim. Quando chegarmos aos 30 pontos, vamos reavaliar os objetivos.”

Dar um passo maior que a perna parece ser mesmo uma preocupação iminente dos times que jogam em busca das vagas para a Liga Europa. Com a disputa tão equilibrada, um eventual deslumbre à essa altura do campeonato pode colocar tudo a perder. Por isso, Rui Vitória, treinador do Vitória de Guimarães, segue por uma linha de raciocínio parecida com a do rival: “Queremos trabalhar para ganhar todos os jogos. No final é que se fazem as contas. O campeonato é uma prova de regularidade, não de 100 metros.”

Por sua vez, Manuel Machado, treinador do Nacional, avalia que o fator emocional será crucial nessa disputa. Sem lamentar o empate em casa (“sabíamos que não poderíamos perder”), ele diz que será necessário “ter capacidade e nervos de aço para aguentar uma luta dessas”. E tem razão, pois com o passar das rodadas, a pressão por um lugar na Liga Europa tende a aumentar.

Correndo por fora – mas nem por isso com menos chance que os rivais –, o Braga não pode cometer pecados como o da rodada passada, quando empatou em casa com o lanterna Paços de Ferreira, se quiser se manter na briga. “Perdemos dois pontos que temos de recuperar rapidamente. Faltam 14 jogos e serão todos muito difíceis”, opina o treinador Jesualdo Ferreira.

Serão 14 rodadas de emoção causada pelo equilíbrio na disputa pelo título. E igualmente de emoção na zona intermediária da tabela. O segundo turno do Campeonato Português promete bastante.