Tudo caminhava para Gianluigi Buffon encerrar a sua carreira quando deixasse a Juventus. Quando questionado, a lenda deixava o futuro em aberto, mas era difícil visualizar o goleiro vestindo outra camisa. Aos 40 anos, depois de tanto tempo de fidelidade à Velha Senhora? Depois de ter conquistado todos os títulos possíveis? Pois é: a questão é que Buffon ainda não conquistou todos os títulos possíveis. Um deles, um dos maiores, ainda lhe escapa. E é por isso que o veterano aceitou prorrogar a sua carreira para defender o Paris Saint-Germain na próxima temporada.

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Os rumores sobre um novo contrato eram fortes. Houve outras especulações, como o Liverpool, mas, no fim, Buffon buscou o clube que lhe dá as melhores chances para ser campeão europeu rapidamente. Embora, o Paris Saint-Germain nunca tenha conquistado a competição, o projeto é fazê-lo assim que possível. Por isso, os € 400 milhões investidos em Neymar e Mbappé ano passado, sem falar nas contratações que podem vir pela frente. Buffon não tem tempo para esperar os frutos de um projeto de médio prazo.

Essa ambição ficou clara nas declarações do goleiro, anunciado nesta sexta-feira. “Pela primeira vez na minha carreira, eu saio do meu país e apenas um projeto tão ambicioso poderia me encorajar a tomar esta decisão. Acompanhando a incrível evolução do clube nos últimos anos, eu sei quais são os sonhos que estão no coração do Paris Saint-Germain e de seus torcedores. Trarei toda minha energia, minha experiência e minha sede de vencer para ajudar o clube a alcançar todos os seus grandes objetivos”, afirmou.

A ideia do Paris Saint-Germain, que assinou com Buffon por uma temporada com opção de mais uma, é que o veterano sirva como um mentor para o francês Alphonse Areola, de 25 anos, titular na última temporada. É, também, uma solução urgente para um problema do clube, que, durante a ascensão de tempos recentes, nunca teve um goleiro incontestável debaixo de suas metas. Para chegar a Areola, o PSG passou por Salvatore Sirigu e Kevin Trapp, bons goleiros, mas muito distantes da estatura de um Buffon.

A extensão da carreira de Buffon também significa que talvez sua história na seleção italiana ainda não tenha terminado. O último jogo era para ter sido a derrota para a Suécia, na repescagem das Eliminatórias Europeias. Um fim pouco digno para um campeão do mundo. Buffon foi chamado por Luigi di Biagio para os amistosos de março e disputou 90 minutos contra a Argentina. Ficou fora da primeira lista de Roberto Mancini, mas, segundo o treinador, isso não é um indicativo de que ele não esteja nos planos.

“Eu respeitei seus desejos, ele me disse alguns dias depois que eu me tornei técnico da Itália”, disse Mancini, explicando por que não convocou Buffon para os amistosos contra Arábia Saudita, França e Holanda. “Ele quer continuar jogando e qualquer um que esteja jogando e é um dos melhores do mundo pode ser chamado para o time nacional”. O próximo jogo da Itália é contra a Polônia, pela Liga das Nações.

Caso Buffon acione a opção e fique dois anos no Paris Saint-Germain, pode até mesmo chegar à Eurocopa de 2020. Isso se ainda tiver a fome de defender a seleção italiana. Quando retornou, em março, disse que o chamado apelou para o seu senso de responsabilidade de ajudar na transição para goleiros mais jovens, como Gianluigi Donnarumma e Mattia Perin. “Um jogador experiente pode ser útil no começo, ainda que seja somente para dar conselhos aos jovens”, disse. “Pensava em curtir alguns dias de férias com a minha família, mas, quando a seleção precisa de você, você tem que estar disponível e não pode decepcionar o país”.

Fato é que a história de Buffon ainda não terminou. Mesmo com idade avançada, ainda é um dos melhores goleiros do mundo e atua com frequência: poupado, e com leves problemas físicos, fez 34 partidas pela Juventus na última temporada. Buffon não é homem de desistir. A taça da Champions League lhe escapou em três ocasiões, mas ele tentará buscá-la pelo menos mais uma vez.