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Cabañas ainda vive o dilema entre encerrar a carreira ou tentar o sonho pela última vez

Já se passaram quatro anos desde a fatalidade. A confusão na boate mexicana não custou a vida de Salvador Cabañas por muito pouco, mas interrompeu a carreira daquele que era idolatrado na seleção paraguaia e no América. Mesmo com o tiro ainda alojado em seu cérebro, o atacante alcançou o milagre de recuperar-se. Porém, a sonhada volta aos gramados nunca foi concretizada como Cabañas desejava. E, aos 33 anos, o veterano parece decidido em definir seu futuro, seja pendurando as chuteiras ou tentando a sorte pela última vez.

Cabañas até voltou a jogar profissionalmente depois do tiro. Em 2012, foi recebido de portas abertas pelo 12 de Octubre, clube que o revelou. O atacante participou de 14 partidas da campanha do acesso rumo à segunda divisão paraguaia, mas o rendimento ficou muito abaixo do que todos estavam acostumados a ver. Mesmo dispensado, El Mariscal arranjou um novo contrato com o General Caballero no ano seguinte, pelo qual disputou a segundona. Agora, Cabañas foi sondado pelos Murciélagos de Sinaloa, que tenta chegar à elite do Campeonato Mexicano. Enquanto aguarda a proposta oficial do clube, o jogador divaga sobre seu futuro.

“Estava treinando, mas disse à diretoria que estou a ponto de me retirar, não quero jogar mais. Já são 20 anos de carreira, é muitíssimo tempo”, disse o paraguaio, em entrevista à Fox Sports latina durante a última semana. “Eu me machuco muito rápido e isso me custa bastante”. E o objetivo de Cabañas para a nova etapa de sua vida é de uma tremenda simplicidade: “Estou pensando em parar e ajudar as crianças. Quero montar minha escola de futebol. A verdade é que me sinto feliz porque, a cada vez que vou treinar com eles, se sentem contentes e dizem que querem ser como eu”.

Sem a resposta definitiva dos Murciélagos, Cabañas divide sua rotina. Toma conta da escolinha de futebol que montou, faz as entregas da padaria de seu pai. E também viaja nos pensamentos. Em um passado que não aconteceu e em um futuro que dificilmente se concretizará. “Antes de levar o tiro, o Manchester me queria. E, se eu estivesse na Copa de 2010, o mínimo que conseguiríamos era a final. Ganhávamos da Espanha nas quartas sem dúvida alguma”, imagina, em entrevista ao ABC Color publicada também na última semana. “Tinha uma boa relação com Tata Martino. Creio que ele me levaria ao Barcelona sim ou sim. E o que mais queria era chegar à seleção outra vez, chegar à final de uma Copa”.

Independentemente de voltar a jogar ou não, de disputar uma final de Copa ou não, Cabañas precisa agradecer por sua sorte todos os dias. “Enquanto estava inconsciente na UTI, me encontrei com Deus. Ele me tocou na fronte, justo onde me acertaram o tiro. Disse que faltava muito para eu ir ao além. Que voltaria à Terra para desfrutar a vida e ajudar os mais necessitados”, conta. Sobretudo, para sonhar novamente e também para alimentar o sonho de dezenas de crianças que querem seguir seus passos.