Serão seis Copas do Mundo consecutivas. Para um país que demorou para chegar ao seu primeiro Mundial, especialmente por aquilo que aconteceu na famosa ‘Agonia de Doha’ em 1993, o Japão se consolida cada vez mais como uma potência continental – em reflexo direto da J-League e da profissionalização do esporte no país. Nesta quinta, os Samurais Azuis confirmaram a presença na Rússia em 2018 com uma rodada de antecedência. Em confronto direto realizado na cidade de Saitama, diante de uma empolgada torcida, os nipônicos bateram a Austrália por 2 a 0. Chegaram aos 20 pontos e não podem mais ser alcançados na liderança do Grupo B. Dão à geração que se firmou na Europa mais uma chance de um bom papel na Copa.

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O Japão oscilou em suas últimas participações no Mundial. As expectativas foram grandes após a boa campanha em 2010. Os Samurais Azuis avançaram em um grupo equilibrado, vencendo Camarões e Dinamarca, antes de venderem caro a eliminação ante o Paraguai, caindo apenas nos pênaltis. Quando se esperava mais tarimba para lidar com os desafios em 2014, porém, o time de Alberto Zaccheroni ficou pelo caminho. Pegou outra chave equilibrada, mas sequer conseguiu vencer. Despediu-se do Brasil bem abaixo de suas possibilidades, considerando o elenco recheado de jogadores com passagens por clubes europeus tradicionais.

O atual ciclo da seleção japonesa teve os seus percalços. Javier Aguirre começou o trabalho, mas não durou mais do que dez jogos. Apesar da queda nas quartas de final da Copa da Ásia, pesou para sua demissão as investigações sobre um caso de combinação de resultados quando o treinador trabalhava na Espanha. Para que a denúncia não influenciasse a preparação dos nipônicos, a federação anunciou a saída do mexicano. Buscaram para o seu lugar Vahid Halilhodžić, responsável pelo ótimo desempenho da Argélia no Mundial de 2014. Sob as ordens do bósnio, os Samurais Azuis tiveram suas oscilações e tropeços, especialmente pela estreia com derrota em casa na fase decisiva das Eliminatórias, perdendo para os Emirados Árabes Unidos em casa. No entanto, o time logo se recuperaria. Daria o troco contra os emiratenses em Abu Dabi e construiria sua classificação nos jogos como mandante.

Em uma chave com três claros candidatos à Copa do Mundo, o Japão se garantiu com relativa tranquilidade, apesar de momentos de pressão e insatisfação. Sustenta a segunda melhor defesa das Eliminatórias e vê o ataque fazendo sua parte, com média de quase dois gols por partida, a mais alta desta etapa do qualificatório asiático. E considerando o compromisso difícil que terá na última rodada, visitando a Arábia Saudita em Jeddah, a vitória sobre a Austrália foi importantíssima. Qualquer tropeço poderia colocar em xeque o sucesso dos nipônicos, assim como colocaria em risco o emprego de Halilhodžić.

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Sem alguns de seus jogadores mais renomados, deixados no banco de reservas, o Japão foi bem mais ofensivo. Chegou a levar um susto em bola que explodiu na trave de Eiji Kawashima, mas abriu o placar com Takuma Asano pouco antes do intervalo. Já no segundo tempo, os Socceroos tentaram intensificar a sua pressão. Tinham mais posse de bola desde a primeira etapa, mas de maneira improdutiva, sem criar muitas ocasiões. Assim, os Samurais Azuis não sofreram apuros e fecharam o placar aos 37, em um chutaço de Yosuke Ideguchi, sem qualquer chance de defesa para o goleiro Matt Ryan. Foi um time bem mais pragmático do que em outros tempos, mas eficiente – e isso é o que realmente acabou importando para carimbar o passaporte.

Atuando em variações do 4-2-3-1 e do 4-3-3 com Halilhodžić, o Japão possui as suas bases bem definidas. A espinha dorsal do elenco continua formada por alguns jogadores de carreira estabelecida na Europa, como Kawashima, Yoshida, Nagatomo, Kagawa, Hasebe e Osako. Antigos protagonistas, Keisuke Honda e Shinji Okazaki permanecem como lideranças, mas sem mais o lugar intocável de outrora. Além disso, há jogadores mais jovens despontando, como Takuma Asano e Yuya Kubo ao ataque, ou mesmo Yosuke Ideguchi, que marcou justamente seu primeiro tento com a camisa dos Samurais Azuis nesta quinta-feira. Revelação do Gamba Osaka, o meio-campista de 21 anos é uma das grandes esperanças dos nipônicos para o futuro.

Por sua representatividade na confederação asiática, o Japão cumpre a sua obrigação. Ainda assim, em uma edição das Eliminatórias na qual os favoritos não estão conseguindo deslanchar como nos últimos anos, vide os casos da Coreia do Sul ou da própria Austrália, a classificação antecipada é representativa. E se as atuações não são tão fluídas quanto em outros tempos, os pés no chão podem revigorar a confiança dos nipônicos na Copa do Mundo. Halilhodžić sabe o caminho das pedras e a experiência internacional dos jogadores só tem a agregar. Dá para fazer bem mais em 2018 do que aconteceu em 2014.