Tim Cahill não é aquele jogador que você pode chamar de craque. No entanto, não é preciso ser craque para se consagrar em uma Copa do Mundo. Ainda mais quando se disputa o torneio por um país longe de figurar entre os favoritos. O veterano cumpriu seu papel. Em uma seleção renovada, assumiu a responsabilidade de liderar a Austrália. Encheu seus compatriotas de orgulho pela forma como honrou a camisa. Fez uma equipe cotada a ser saco de pancadas se tornar uma grande surpresa, por mais que tenha sido derrotada nos dois jogos que fez.

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Cahill provavelmente encerrou o seu ciclo em Mundiais nesta quarta. Está suspenso para o jogo contra a Espanha e os Socceroos só se classificam com um milagre. Aos 34 anos, dificilmente vai à Rússia para entrar em campo em 2018. De qualquer forma, seu possível adeus das Copas foi grandioso. Marcou um golaço e foi um dos melhores em campo na atuação digníssima dos australianos, ao lado do excelente Matthew Leckie.

No futuro, Cahill poderá ser lembrado como o maior jogador da Austrália na história dos Mundiais. Em 2006, balançou as redes duas vezes e comandou a fulminante virada sobre o Japão, que ajudou bastante na classificação do time às oitavas. Quatro anos depois, também deixou sua marca na única vitória da equipe, sobre a Sérvia, ainda na fase de grupos. E, neste Mundial, manteve a altivez dos Socceroos nas derrotas para Chile e Holanda.

O atacante ainda tornou-se o quarto jogador de uma seleção de fora da Europa e da América do Sul a anotar gols em três Copas distintas. E também assumiu a artilharia de “fora do eixo”, ao igualar os cinco tentos de Roger Milla e Landon Donovan. Marcas históricas, que dimensionam bem o seu tamanho na história das Copas.

Nascido em Sidney, Cahill demorou a estrear pela Austrália. Filho de mãe samoana, ele defendeu os juniores da seleção samoana, o que fez com que estreasse pelos Socceroos apenas em 2004, quando as regras da Fifa passaram a permitir a troca. Naquela época, já havia estourado no Millwall e chamado a atenção do Everton, que defendeu por oito temporadas. E, a partir de então, foi uma das maiores referências dos australianos, seja jogando no meio-campo ou chamando a responsabilidade no ataque. Um dos grandes ídolos de um país onde o futebol cresce mais e mais.

A partir de agora, Cahill abre caminho para as novas gerações. E, pela forma como a Austrália se portou nesta Copa, a esperança de que as classificações nas Eliminatórias sejam frequentes se renovou. Fica o exemplo do camisa 4 que, independentemente dos prognósticos, foi lá e honrou a história dos Socceroos nas Copas.