Ele é apenas um menino, mas foi capa das páginas esportivas dos principais jornais do país. Tenta a vida no exterior igual a tantos outros. Faz parte daquela lista de jogadores que deixam o Brasil bem cedo. Mas o que tem de diferente esse jogador? Ele só tem 9 anos.

Caio Werneck, mineiro de Juiz de Fora, atua na Roma, da Itália. Foi selecionado entre 60 garotos, numa peneira-colônia de férias da equipe italiana no Brasil. O programa foi realizado em Nogueira, próximo a Petrópolis, em junho deste ano.

Seu pai, Israel Werneck, é um ex-jogador que não deu certo. Jogou nas categorias de base do Vasco antes de se transferir para o Chivoli, time desconhecido da Itália. Por lá conheceu Aldair, ex-jogador da seleção brasileira e da Roma, e foi aí que tudo começou.

O pai coruja, que freqüenta a capital italiana há 12 anos, tentou levar Caio antes, mas ele era muito novo (ainda é, mas…). Assim que foi selecionado, o garoto foi fazer um estágio junto com o grupo em Trigoria, região próxima a Roma, onde fica o centro de treinamentos.

Israel conta que tudo foi muito rápido: “Ele foi mais para conhecer. Nos primeiros treinos, o diretor ligou para o Aldair e já pediu para federar o jogador e arrumar os documentos necessários para que Caio ficasse”.

Ex-jogador das escolinhas do Sport, Caio começou como meia-atacante e hoje é zagueiro. Quer jogar como líbero. Começou dando os primeiros chutes aos 5 anos. Tem bom posicionamento, joga de cabeça erguida. Educado. Tem noções avançadas, para a idade dele, dos principais fundamentos do futebol e ainda por cima se adaptou muito rápido ao futebol italiano.

Mesmo tendo todas essas características e toda essa responsabilidade, ele não deixa de lado sua principal marca: ser criança. Toda criança quando é perguntada sobre que posição quer jogar responde que quer ser atacante, ou meia. É difícil alguém falar que sonha em se tornar zagueiro, e se tornar líbero é mais difícil ainda. Questionado sobre isso, ele responde todo acanhado: “Porque eu acho legal”.

O menino divide seu tempo entre as aulas, em tempo integral e os treinos de futebol. Como voltou para o Brasil antes da hora, pelo fato de sua mãe estar grávida, Caio recebeu de seu clube uma série de recomendações para ele seguir à risca.

Em janeiro, após as festas de fim de ano, ele volta para a capital italiana junto com o pai. A mãe fica no Brasil, junto com o caçula Guilherme e o bebê que está para nascer.
Israel sempre trabalha o lado psicológico do filho. Sente-se muito orgulhoso. Dá conselhos para ele e diz: “Calma, gente, meu filho não é um fenômeno, mas tem tudo para se tornar um bom jogador”.

Colônia

A colônia de férias da Roma é a primeira na América do Sul e está indo para a segunda edição. Ao contrário do Milan Junior Camp, a Roma traz profissionais da base para garimpar jogadores. O padrinho deste programa no país é Aldair. Quem ajuda no projeto é o brasileiro Ricardo Perlingeiro, treinador do sub-15 da Roma e que está há quatro temporadas no time giallorosso. O valor da inscrição é R$ 1.650. Como o pai de Caio é amigo de Aldair, ele não desembolsou um centavo para o filho participar do programa.