Guarani, Portuguesa, Bragantino, São Caetano, Juventus, XV de Piracicaba, Mogi Mirim, Oeste. Estão são alguns dos times que disputam a Série A2 do Campeonato Paulista, que é a segunda divisão do estado. Quase todos estão em divisões nacionais – as exceções são Juventus e São Caetano. A disputa é pelas duas vagas que dão acesso à Série A1, a primeira divisão. A quatro rodadas do fim da primeira fase, há muita disputa tanto por uma das quatro vagas às semifinais quanto tentando fugir das seis vagas de rebaixamento.

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Quem lidera depois de 15 rodadas é o São Caetano. O time do ABC paulista não tem divisão nacional para jogar e tem 30 pontos, um a mais que o Água Santa, segundo colocado e que foi rebaixado da primeira divisão na temporada passada. Completam os quatro primeiros o Rio Claro – outro rebaixado na temporada passada -, com 27 pontos, e o tradicional Guarani, que tem 26.

O Guarani, aliás, vem de uma campanha heroica na Série C, garantindo acesso à Série B para 2017. As perspectivas são boas, mas jogar a segunda divisão nacional e a segunda divisão estadual no mesmo ano gera um imenso problema. É preciso montar dois times – um para a disputa local, outro, reforçado, para a disputa nacional. Isso porque muitos clubes que disputam a Série A1 do Paulista, por exemplo, não terão qualquer disputa nacional no segundo semestre. O Bugre poderá se reforçar com jogadores de estaduais para a sua disputa na segundona.

Não é uma situação incomum. O Bragantino, nono colocado na atual A2 com 22 pontos – a quatro pontos do Guarani, quarto colocado – disputa mais uma vez a segunda divisão do Paulista e está também na segunda divisão nacional. Rebaixado da Série A1 em 2015, disputou 2016 já na A2 e não conseguiu subir. Só que desta vez disputará a Série C em âmbito nacional, depois do rebaixamento em 2016. Será um dos quatro paulistas na terceira divisão nacional, ao lado de Botafogo-SP, Mogi Mirim e São Bento.

Mogi Mirim, aliás, vive uma situação difícil. Em 17º na A2, está seriamente ameaçado pelo rebaixamento à terceira divisão paulista. Tem 14 pontos, dois pontos a menos que o Oeste, em 16º, e Barretos, em 15º. O Velo Clube, primeiro time fora da enorme zona do rebaixamento nesta temporada, tem 17. Seis times serão rebaixados para a A3 e só dois sobem, porque a segunda divisão passará a ter apenas 16 clubes em 2018, como já acontece neste ano na Série A1.

Outro que passa por situação bem complicada é o Oeste, de Itápolis (ou seria de Barueri? Ou de Osasco?). O time escapou do rebaixamento na Série B do Campeonato Brasileiro na bacia das almas na temporada passada, com uma vitória fora de casa contra o Náutico. O time tinha jogadores do Audax e o técnico Fernando Diniz no comando. O problema é que Diniz voltou ao comando do Audax para o Paulista – no qual, aliás, foi rebaixado com o time de Osasco – e o Oeste está na zona do rebaixamento, brigando para não cair também na segunda divisão estadual. E será, ao lado do Guarani, representante do futebol paulista na Série B a partir de maio. Sobreviver na segunda divisão nacional desta vez deve ser uma missão ainda mais difícil.

O XV de Piracicaba é só o 13º colocado, com 18 pontos, e embora ainda tenha chances matemáticas de chegar entre os quatro primeiros e ainda buscar o acesso, na prática a situação é bem mais difícil. São só três vitórias em 15 jogos, além de nove empates. E o time de Piracicaba terá a Série D no segundo semestre para tentar o acesso.

Aliás, a Portuguesa será outro clube a tentar o acesso pela Série D. O time foi rebaixado da Série C em 2016 e vive uma crise. Ainda tem expectativa de classificação, já que quatro pontos o separam do Guarani, quarto colocado, mas é uma situação difícil. O time precisará do acesso na Série D, caso contrário ficará sem divisão nacional, como aconteceu com o São Caetano. Os melhores times da Série A1 que não tiverem divisão nacional ganham uma vaga na Série D.

A tabela da Série A2 mostra o equilíbrio. Do líder São Caetano até o 10º colocado, Juventus, são nove pontos. Se pegarmos a diferença do Guarani, quarto, para o Juventus, a tabela parece mesmo muito próxima: são apenas cinco pontos. Uma disputa muito forte por uma posição na Série A. Significa muito em vários quesitos. Um deles é a TV.

Estar na primeira divisão do Campeonato Paulista vale muito para os clubes. Tanto que é um dos poucos estaduais que ainda dá um dinheiro considerável de TV para quem o disputa. No atual contrato, que entrou em vigor em 2016 e vai até 2019, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos recebem R$ 17 milhões cada; a Ponte Preta recebe R$ 5 milhões; os demais recebem R$ 3,3 milhões.

É mais do que receberiam Atlético Paranaense e Coritiba (R$ 2,2 milhões) se tivessem aceitado a proposta da Globo (não só não aceitaram como brigaram para transmitir o jogo no Youtube e Facebook). E bem mais do que recebem, por exemplo, Náutico, Santa Cruz e Sport pelo Campeonato Pernambucano (R$ 950 mil) ou Bahia e Vitória pelo Baiano (R$ 850 mil).

Por isso, não é tão difícil entender porque alguns clubes paulistas conseguem ter uma sobrevida maior em divisões inferiores do Campeonato Brasileiro. Se embalam uma boa campanha no estadual e um acesso, podem mudar muito a situação do clube, para melhor, claro.

Só que isso mostra também como a CBF e as federações mantém um sistema que só é favorável a elas, e não aos clubes. A Série A2 tem 23 datas, com 19 da primeira fase e mais quatro das semifinais e finais. Não é só em São Paulo que acontece uma reunião de tantos clubes tradicionais, ao menos localmente. Uma prova que essa competição poderia ser mais do que é. Que os estaduais poderiam ser maiores, com calendário para os clubes que precisam e mais relevantes para quem realmente precisa deles.

Seria uma excelente divisão nacional, uma Série E, que poderia ser em pontos corridos e dar vaga na divisão acima – a Série D, no caso, que também precisa de reformas e mais jogos. Mas isso não é feito, porque as federações estaduais querem manter o seu feudo, seus campeonatos que são pouco importantes para os clubes grandes e insuficientes para os pequenos. Um problema para os clubes, grandes ou pequenos, mas ótimos para as federações, que recebem uma parte dos acordos de TV, além das benesses da CBF, que paga com dinheiro para as federações mudarem para continuar tudo como está.

Com os estaduais como são, as federações incham o calendário e criam um problema para todos. Muitos dos times da A2 ficarão sem calendário a partir de 23 de abril, data da última rodada da primeira fase. Terão que esperar a tabela da Copa Paulista, no segundo semestre, para voltarem a campo. E a Copa Paulista de 2017 sequer tem tabela até aqui. Em 2016, a competição começou no início de julho. Significa que os times ficam inativos por mais de dois meses. E para alguns deles, a competição acaba em meados de setembro, restando ainda três meses de ano.

Ao menos a Copa Paulista dá ao campeão a opção de escolher entre uma vaga na Série D ou na Copa do Brasil. Como a Série D ainda é mal feita – são poucas datas e muitos clubes jogam só três meses da disputa -, muitos ainda preferem a Copa do Brasil com a esperança de um confronto contra time grande que dê renda.

As federações estaduais poderiam ter grandes campeonatos, com muita disputa rivalidade e, sim, TV para mostrá-los. Uma quinta divisão estadual, organizada pelas federações e supervisionada pela CBF, seria interessante e daria um calendário aos clubes. Além da possibilidade de um título mais relevante. Turno e returno, com 20 clubes que poderiam disputar um calendário anual. Como se vê pela A2 – e mesmo na A3 e a B1, há muitos clubes relevantes localmente, rivalidade local e interesses de muitas cidades. O que falta aos clubes é o calendário. Às federações, falta bom senso, para dizer o mínimo, já que falta muito mais.

Já que as federações só querem saber de morder a sua mesada da CBF e sentam em cima dos seus clubes, em vez de fazer com que eles tenham vida (o caso Linense está aí para mostrar isso), vemos uma Série A2 com forte disputa e alguns jogos interessantes. Mesmo que os clubes só durem os primeiros meses do ano e nós continuemos a imaginar como seria bom que as disputas fossem durante todo o ano. O SporTV e a Rede Vida transmitem o campeonato (fique sempre atento na seção Programação de TV para saber mais). Seria demais imaginar que as copas estaduais fossem uma divisão nacional que valesse de verdade uma vaga na Série D e os estaduais fossem só um torneio de verão com 8 ou, vá lá, 10 datas? Parece que é pedir demais.