A distância entre o futebol apresentado pelo Benfica na temporada passada, quando da conquista do tetracampeonato português, para a atual, está além dos cinco pontos de vantagem que separam hoje os encarnados dos rivais Porto e Sporting, na liderança do campeonato nacional – e ainda com o intruso Marítimo aparecendo na terceira colocação, dois pontos à frente do Benfica.

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O mau início de temporada ganhou contornos de crise na rodada passada, quando a invencibilidade benfiquista caiu na derrota para o Boavista por 2 a 1, fora de casa. Os gritos de “joguem à bola” (algo como o nosso “time sem vergonha”) vindo da arquibancada visitante do Bessa e a recepção nada amistosa do ônibus da delegação no estádio da Luz mostram como a torcida já está começando a perder a paciência com o futebol apresentado.

A qualidade do jogo, inclusive, preocupa mais os benfiquistas do que a posição na tabela. Em 2015/16, por exemplo, o time chegou a estar oito pontos atrás do líder e, ainda assim, obteve o título. O problema, agora, está nas poucas perspectivas mostradas pela equipe.

A derrota que veio contra o Boavista poderia, inclusive, ter acontecido antes. Na rodada anterior, o Benfica havia sofrido para ganhar do Portimonense em casa. Precisou de um sensacional gol André Almeida – que acertou um chute tão lindo quanto improvável aos 33 minutos do segundo tempo – para sair de campo com um sofrido 2 a 1 a seu favor. Antes, havia encerrado a série de 100% de aproveitamento ao empatar por 1 a 1 com o Rio Ave, num jogo em que o adversário foi melhor. Isso tudo somado à derrota caseira para o CSKA Moscou (2 a 1), na estreia na Liga dos Campeões.

Uma análise nos números revela fragilidade do sistema defensivo, que forte demais em 2016/17. Em apenas seis rodadas da competição atual, o time já sofreu 27,7% dos gols que tomou em todo o campeonato passado, no qual teve a melhor defesa. Ou, em outras palavras: a média de gols sofridos, que era de 0,5 por partida, agora é de 0,8 por jogo. O frango do goleiro Varela, que originou o gol da vitória do Boavista, pode ser incluído nesta conta.

Obviamente que não é só a defesa a culpada pelo mau momento – os homens do ataque, por exemplo, desperdiçaram diversas chances de gol no Bessa. Mas é do xerife da zaga que partiu o recado dos jogadores para a torcida. Com o status de capitão e ídolo, Luisão foi protagonista de vídeo institucional do clube, no qual afirma que o grupo já deu muitas provas de superação e que ele próprio assume a responsabilidade em nome do elenco. “De maneira nenhuma vamos desistir”, afirmou.

De fato, o Benfica passa por um momento em que superar-se é fundamental. As vitórias precisam voltar a acontecer, ainda que com futebol de qualidade duvidosa, para espantar uma crise que pode se tornar maior ainda. Mas, a continuar jogando do jeito que está, apenas superação não bastará.