A história além: Anthony Ralston, o ex-gandula que fazia seu quinto jogo como titular justo na Champions

No Brasil (e na imprensa brasileira que já transformou até Johan Cruyff em “ex-crítico de Neymar”), Anthony Ralston está fadado a ser lembrado como aquele que provocou o craque brasileiro em sua estreia pelo Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões. O lateral de 18 anos não foi santo durante a noite no Parkhead. Deu entradas fortes em seus adversários e por isso mesmo provocou a ira do camisa 10. Quando o jogo rolava, enquanto o escocês ria, o astro dos parisienses o mandava para aquele lugar. Já ao final, Neymar recusou-se a cumprimentar o marcador, o que causou mais um princípio de confusão no centro do gramado.

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A história de Ralston, porém, merece uma atenção além de Neymar. Formado nas categorias de base do Celtic desde os 11 anos de idade, o defensor fazia apenas a sua quinta partida como titular pelos Bhoys. Justamente a sua estreia na Champions. A escalação do adolescente foi uma surpresa, escolhido por Brendan Rodgers a despeito de outras opções mais experientes. E, em boas declarações, o jovem não escondeu a satisfação por estar em campo na competição da qual era gandula até uns anos atrás, apesar da dolorosa derrota por 5 a 0.

“Eu era o gandula inclusive naquela vitória por 2 a 1 sobre o Barcelona, há cinco anos. Então, foi surreal disputar esse jogo. Temos os melhores torcedores do mundo, a multidão te dá uma energia a mais para seguir em frente. Isso aconteceu no segundo tempo e a reação da torcida foi um dos momentos que eu nunca me esquecerei. Tenho muito o que aprender”, afirmou. “Foi um sonho estar em campo. Torço para o Celtic desde pequeno e experimentar isso foi o melhor sentimento do mundo. Também não me esquecerei a música da Champions e da torcida gritando. Estes são os motivos pelos quais você joga futebol. Espero me manter neste nível”.

Questionado sobre a força do ataque do PSG, Ralston tentou não exaltar demais os adversários: “O técnico me avisou que eu jogaria há uma semana. Isso permitiu que eu assimilasse a ideia e me preparasse bem. Não me senti perturbado por isso. É o nível no qual quero jogar. Não temo jogadores como Neymar. Eu só precisava fazer meu jogo. Eu estava preparado, para ele ou para qualquer confronto normal. É a mesma rotina, apenas outro cara em campo. Você não o coloca no pedestal, apenas lida com isso. Enfrentar atletas do calibre que o PSG tem apenas vai me fazer um jogador melhor. Mas é preciso mostrar a eles desde cedo que você está na partida. É apenas parte do jogo mental”.

E, sim, ele também falou sobre o entrevero com Neymar no final. Ao menos pelas palavras, demonstrou lidar bem com a situação, sem levar qualquer mágoa do episódio: “Não foi um grande problema. Trocamos apenas algumas palavras, nada além disso. Faz parte do futebol. Não vou ficar pensando nisso. Se esse for o caso, e ele quiser ser assim, tudo bem. Eu não vou ligar. Como eu disse, todo mundo é diferente. Eu não vou perder qualquer noite de sono por isso”.

Mais importante para Ralston são os elogios do técnico Brendan Rodgers, na saída de Parkhead. “No geral, para um garoto de 18 anos entrando nesta situação, eu acho que ele foi excelente. Com justiça, foi um começo difícil para ele, sem evitar o primeiro gol de Neymar, depois de perdermos a bola no ataque. Mas ele se manteve no jogo, fez grandes bloqueios. A experiência que Tony ganhou foi enorme. Ele jogou sua primeira partida de Champions contra um dos melhores jogadores do mundo e soube lidar bem com isso”, declarou o treinador. Agora, o lateral pode se preparar ao reencontro no Parc des Princes, dentro de algumas semanas.