Derrota para o Chelsea expôs limitações do Atlético de Madrid e virtudes de Conte

Foi duro para os torcedores, mas o primeiro jogo de competições europeias do Atlético de Madrid no Wanda Metropolitano acabou em derrota. O Chelsea venceu, de virada, por 2 a 1, em uma partida que foi amplamente melhor que os Colchoneros. O time espanhol, como sempre, foi determinado em campo, mas a partida contra um time de nível alto como o Chelsea expôs deficiências que o Atlético possui e não pôde corrigir pela punição na janela de transferências.

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Os dois times tiveram problemas no mercado de transferências. O Atlético por não poder contratar, punido pela Uefa. O Chelsea porque não contratou como se esperava para reforçar o elenco pensando em disputar mais competições – na temporada passada o time não esteve em torneios europeus e se dedicou apenas às competições domésticas. O mercado acabou sendo decepcionante, mesmo com as novas caras que chegaram.

O início com uma paulada em casa sofrida diante do Burnley deixou o Chelsea atordoado. Mas Antonio Conte logo recuperou o time, vencendo partidas em sequência. No primeiro grande desafio na Champions, contra o Atlético fora de casa, sai com essa vitória importante e grande. E com bastante do trabalho do treinador.

Falta um Diego Costa ao Atlético de Madrid e, por isso, Diego Simeone resolveu armar o seu time sem um autêntico camisa 9 e contando com Antoine Griezmann como o principal atacante. Aproveitou para rechear o meio-campo. Thomas Parley Koke, Saúl Ñíguez pelo meio, Ángel Correa e Carrasco pelas pontas. Foi pouco. O time sofreu para atacar.

O Chelsea veio com Timoué Bakayoko como volante mais preso, ao lado de N’Golo Kanté, que saiu mais para o jogo no lado direito. Cesc Fàbregas completava o meio-campo, com Hazard mais à frente, se aproximando de Morata. O esquema com três zagueiros foi mantido com a formação consagrada de Cesar Azpilicueta, David Luiz e Gary Cahill.

Em boa fase, o Chelsea armado por Antonio Conte teve bons momentos no primeiro tempo. Eden Hazard voltou ao time titular e foi dele uma arrancada que acabou em finalização de Álvaro Morata, perigosa, que saiu com perigo. Foram mais algumas chegadas com bolas aéreas, causando perigo à defesa do Atlético, que se manteve firme e bem posicionada.

Os dois times ficaram próximos em posse de bola e o jogo era bastante equilibrado. O Atlético de Madrid chegava vez por outra e, em uma delas, David Luiz facilitou para o time da casa. Puxou o zagueiro Lucas Hernández dentro da área, em uma cobrança de escanteio. O árbitro apontou a marca da cal: pênalti, aos 39 minutos. Antoine Griezmann assumiu a responsabilidade, cobrou bem e marcou 1 a 0.

No segundo tempo, o Chelsea voltou apertando os mandantes. E conseguiu o gol logo aos 14 minutos. Depois de uma boa jogada, Hazard, aberto pelo lado esquerdo, tirou um belo cruzamento que Morata aproveitou para cabecear sem chances de defesa para o goleiro Oblak: 1 a 1.

Aos 16 minutos, aproveitando o embalo, o Chelsea quase chegou ao segundo gol na partida. Depois de uma bagunça dentro da área provocada por Hazard, a bola sobrou pelo meio para Fàbregas, que finalizou para fora e perdeu grande chance.

Com 23 minutos no relógio, Fernando Torres foi chamado por Simeone. O argentino tirou Ferreira-Carrasco para colocar o centroavante e tentar ganhar mais força ofensiva. Só que o Chelsea era muito mais perigoso. Aos 28 minutos, depois de recuperar a bola, Hazard lançou em profundidade para Morata, que avançou em velocidade e tocou, mas mandou para fora.

Ángel Correa também estava mal no jogo e Simeone o substituiu por Nicolas Gaitán. Também entrou em campo José Giménez, zagueiro, no lugar justamente de Thomas Partey, que atuava como volante. Passou a atuar com três zagueiros e liberou os laterais como alas. O time conseguiu melhorar um pouco no ataque, causando alguma ameaça ao Chelsea ao menos com cruzamentos.

Conte, por sua vez, parecia satisfeito. Aos 36 minutos, tirou Morata e Hazard, os dois melhores em campo, para colocar Michy Batshuayi e Willian. Era o Atlético que tentava ganhar o jogo, mas sofria para entrar na defesa dos azuis. E ficou ainda mais difícil quando Conte fechou mais o time: colocou Andreas Christensen, zagueiro, no lugar de Fàbregas. Adiantou David Luiz para o meio-campo defensivo.

No último lance do jogo, gol do Chelsea. David Luiz sofreu falta, que foi cobrada curta para Willian. O Chelsea trabalhou a bola, com paciência, mesmo com os 48 minutos no relógio. Até que Marcos Alongo recuou para trás, bola em Bakayoko, que abriu para a direita com Alonso. O lateral, colocado no lado direito, cruzou com o seu pé direito. Batshuayi completou para o gol. Vibração enorme, vitória gigantesca. Conte, claro, vibrou muito com os jogadores e isso é bastante importante. O entrevero com Diego Costa deixou marcas, mas o grupo parece acreditar em Conte e isso foi fundamental na temporada passada.

O Atlético de Madrid sabe que o Chelsea é o adversário mais forte e que precisa, primeira, sobreviver à fase de grupos. Em janeiro, com os reforços, tende a melhorar. Vitolo e Diego Costa chegam para deixar o time mais forte em busca de objetivos maiores. Até lá, o que importa para o time de Simeone é sobreviver nas competições. Manter-se na disputa até que, com novas armas, possa entrar de fato na disputa.

O Chelsea, por sua vez, parece se armar de novo como um time coletivamente muito bom. Morata vai cumprindo o que Conte esperava dele: é um atacante solidário, rápido, que se movimenta e cria espaços e oportunidades de gols, além dele. E marca seus gols, o que é fundamental também. Os próximos desafios serão contra a Roma, um adversário que Conte conhece bem dos tempos de Itália. Pode ser o momento crucial para chegar à classificação.