Dois abraços, um tapa: Os segundos monumentais entre dois monumentos, Buffon e Iniesta

Gianluigi Buffon e Andrés Iniesta compartilharam um longo abraço no último mês de junho. Os craques se cruzavam pelas oitavas de final da Eurocopa. E, mais uma vez, protagonizaram as suas seleções, após já terem sido adversários no torneio em 2008 e 2012. Melhor jogador espanhol na competição, o meio-campista se esforçou em vão. Viu o goleiro se agigantar na sua frente, bem como na de seus companheiros, e garantir a vitória italiana por 2 a 0. No entanto, Gigi teve uma humildade atípica para a lenda que é, mas totalmente natural ao seu enorme caráter: dirigiu-se até o oponente e pediu sua camisa. Queria guardar a 6, em seu primeiro triunfo contra o maestro.

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Nesta terça, Buffon e Iniesta se reencontraram. Capitães, deram outro longo abraço no círculo central. O último duelo pela Liga dos Campeões havia sido mais feliz ao meio-campista, eleito o melhor jogador na final de 2015, que selou a conquista do Barcelona. Desta vez, entretanto, o goleiro deu a volta por cima. E, mais emblemático que o cumprimento, foi confronto dentro da área do Juventus Stadium, aos 20 minutos do primeiro tempo. Um embate particular entre monstros.

Lionel Messi deu uma enfiada de bola espetacular. Iniesta se projetou às costas da zaga e saiu na cara do gol. De frente para Gigi. O tempo pareceu congelar. Inteligentemente, bateu de primeira, tentando pegar o contrapé do arqueiro. Parou em uma muralha. Aproveitando-se da própria envergadura e da agilidade, o camisa 1 se desdobrou para defender. Operou o milagre. E a sequência das imagens aumenta ainda mais o impacto do momento.

O espanhol escancarou sua lamentação. Parecia já pronto para correr em celebração, quando viu a luva interromper o seu caminho. Colocou as mãos na cabeça, ‘puta que pariu’, rangeu os dentes. O italiano, por sua vez, se encarregou de tomar para si a comemoração que seria de Iniesta. Vibrou como se tivesse feito um gol, punhos cerrados, como de costume. Ganhou o abraço de Leonardo Bonucci. Voltou-se à linha de fundo e mandou um recado à câmera, como se ainda precisasse sublinhar a sua qualidade inegável.

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O lance, mesmo durando tão pouco, acabou sendo determinante para o andamento do jogo. O Barcelona perdeu a chance de empatar. E, exatamente 77 segundo depois, Paulo Dybala marcou o seu segundo gol na noite, ampliando a vantagem da Velha Senhora. Buffon realizaria outras intervenções na noite, incluindo uma dificílima no mano a mano com Luis Suárez. Porém, quando o placar já apontava os 3 a 0, sem o simbolismo e a importância da anterior. No fim das contas, as defesaças servem para ampliar um pouco mais a sua idolatria na Juventus e o seu status entre os melhores goleiros da história. A vitória categórica é o melhor complemento.

Se o sucesso do Barcelona ao longo da última década tem dependido do poder de decisão de Iniesta, especialmente nos grandes jogos, as alegrias da Juventus também acabam intrinsecamente ligadas à forma espetacular de Buffon. Desta vez, quando os dois planetas colidiram, o bianconero preponderou. Na saída de campo, negou o apelido de ‘São Gigi’. Nem precisava. Sua santificação aconteceu há tempos, entre milhares e milhares de fiéis que testemunham semanalmente os seus milagres.