Erros de um lado, milagres do outro, e o Dortmund fica em uma situação delicada na Champions

O Borussia Dortmund merecia sorte melhor em seus primeiros jogos na Liga dos Campeões, contra Tottenham e Real Madrid. A atuação dos aurinegros não foi tão constante e as derrotas se fizeram compreensíveis, embora a arbitragem também tenha pesado contra. A oportunidade para se reerguer começava nesta terça, com a visita ao Apoel Nicósia. Pois os alemães conseguiram aquilo que parecia impossível: se complicaram ainda mais no Chipre. O empate por 1 a 1 cobra uma reação duríssima para a reta final da campanha. Precisam exibir um futebol que não se viu contra o adversário mais frágil da chave.

Apesar do domínio na posse de bola, o Dortmund criou relativamente pouco durante o primeiro tempo, especialmente diante de um adversário que se limitou a defender. A falta de pontaria pesou contra. E o senso de urgência só surgiu aos 17 do segundo tempo, quando o Apoel conseguiu acertar os seus primeiros tiros no alvo durante a partida. Com a colaboração decisiva de Roman Bürki, os cipriotas saíram em vantagem. O goleiro errou uma saída de bola e depois ainda bateu rouba, deixando o caminho aberto para Mickaël Poté (que havia substituído o lesionado Igor de Camargo no primeiro tempo) abrir o placar. O empate de Sokratis Papastathopoulos, cinco minutos depois, recolocou os aurinegros no jogo. Mas o estrago estava feito, e cobraria o seu preço.

Peter Bosz tentou botar o time no ataque a partir de então, mandando a campo Maximilian Philipp e, depois, Alexander Isak. A pressão foi mais clara, embora o Dortmund continuasse com dificuldades. E nas duas melhores chances, pesou o combo entre o goleiro Raúl Gudiño e as traves. O arqueiro mexicano, aliás, só tinha entrado por uma obra do acaso. O veterano Boy Waterman também se machucou na primeira etapa, dando a oportunidade ao jovem de 21 anos, trazido do Porto B. Ele não decepcionaria. Operou duas grandes defesas, em bomba de Shinji Kagawa e em cabeçada de Pierre-Emerick Aubameyang, contando com o auxílio da trave para brecar os aurinegros. Seria o herói do Apoel até os acréscimos.

O empate diminui as chances do Borussia Dortmund na tabela. Os alemães só podem chegar a dez pontos, enquanto Tottenham e Real Madrid já somam sete. A reviravolta precisará ser enorme na segunda metade da fase de grupos, e tem que começar com uma vitória sobre o Apoel no Signal Iduna Park. Além disso, os triunfos sobre Real Madrid e Tottenham também se tornam obrigatórios ao time de Peter Bosz. Pensando que os outros dois concorrentes não devem desperdiçar pontos diante do Apoel, a brecha para os aurinegros estará no confronto direto com o perdedor do reencontro entre ingleses e espanhóis em Wembley. E se o empate prevalecer em Londres na próxima rodada, só um milagre (ou seja, um tropeço de merengues ou Spurs contra os cipriotas) poderá salvar os alemães.

O resultado deixa o planejamento do Borussia Dortmund na balança. A Liga dos Campeões parece cada vez mais em segundo plano para os aurinegros. Apesar da derrota no final de semana, a Bundesliga segue como grande prioridade, até pela diferença no rendimento do time. E enquanto o elenco segue com problemas pelos recorrentes desfalques, concentrar-se em uma das frentes soa como o natural. Neste momento, a Liga Europa surge como uma realidade bem mais palpável no Signal Iduna Park.