Grande entre os nanicos da Europa, Apoel foi o fiel da balança no grupo da morte

Quando aconteceu o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, havia uma grande certeza no Grupo H: o Apoel Nicósia passaria longe de brigar pela classificação. Em uma chave com Real Madrid, Tottenham e Borussia Dortmund, as chances dos cipriotas eram mínimas. Mas enganou-se quem disse que os azarões seriam também o saco de pancadas. Afinal, o Apoel acaba como o fiel da balança. Muito provavelmente, o responsável por eliminar o Dortmund da competição continental. Depois do empate no Chipre, os nanicos voltaram a aprontar. Nesta quarta, arrancaram o 1 a 1 na visita ao Signal Iduna Park.

O Apoel chegou à fase de grupos da Liga dos Campeões pela primeira vez em 2009/10. Terminou na última colocação de uma chave duríssima, na qual também figuravam Chelsea, Porto e Atlético de Madrid. O retorno à competição continental aconteceu em 2011/12, na histórica campanha que eliminou o Lyon nas oitavas de final, antes de parar diante do Real Madrid nas quartas. Já nos últimos anos, os cipriotas se estabilizaram como participantes costumeiros das copas europeias. São quatro temporadas consecutivas figurando na fase de grupos, duas na Champions e outras duas na Liga Europa.

As aparições alimentam o ciclo vitorioso do Apoel. Nunca vai se transformar em potência. Mas o dinheiro arrecadado com as premiações permite que os cipriotas mantenham um elenco forte dentro de sua realidade, capaz de dominar a liga nacional e também de se impor na Rota dos Campeões durante as preliminares da Champions. Nesta temporada, por exemplo, conseguiram passar por Viitorul Constanta e Slavia Praga, representantes de países infinitamente mais tradicionais, mas que não possuem um trabalho tão enraizado. Estar na fase de grupos já representa uma conquista enorme aos nanicos. E com seu time repleto de veteranos, tiram leite de pedra.

Nesta quarta, por exemplo, o Apoel fez uma partida consciente de suas limitações. Preocupou-se principalmente em defender. Afinal, o Dortmund teve 71% de posse de bola e 29 finalizações. Preponderou o empenho da zaga para fechar os espaços, assim como as intervenções do veterano goleiro Nauzet Pérez – pegando muitas bolas no susto, mas ajudando. E se os aurinegros não foram precisos o suficiente nas conclusões, os cipriotas não desperdiçaram suas raras chances. Foram quatro míseros arremates, apenas dois deles no alvo. No primeiro, após boa jogada do ex-corintiano Carlão, Mickaël Poté fuzilou a meta de Roman Bürki, buscando o empate depois que Raphaël Guerreiro tinha aberto o placar. A insistência do Borussia no final do segundo tempo pouco adiantou.

Apoel e Dortmund fecham a quarta rodada com a mesma pontuação no Grupo H. Enquanto só um milagre pode salvar os alemães na Champions, cinco pontos atrás do Real Madrid, os cipriotas vislumbram até mesmo a vaga na Liga Europa. Considerando as dificuldades que o Real vem enfrentando contra adversários retrancados e o fato de que o Tottenham pode escalar um mistão na última rodada, por que não sonhar? Seria o prêmio merecido por não se apequenar contra tantos gigantes. E também a punição à incompetência do Dortmund em jogos que tinha a obrigação de ganhar se quisesse mesmo se classificar às oitavas.