“Lá vem eles de novo!”: Benfica toma cinco do Basel e sofre sua maior humilhação na Champions

Tetracampeão nacional, o Benfica não começou bem o Campeonato Português. Com uma derrota e um empate nas últimas quatro rodadas, os encarnados já veem o Porto abrir cinco pontos de distância. A estreia na Liga dos Campeões também não foi nada auspiciosa. O revés em casa para o CSKA Moscou deixou um gosto de fel, especialmente por ter acontecido em pleno Estádio da Luz. Mas não há nada ruim o suficiente que não possa ficar pior. Nesta quarta, os benfiquistas sofreram uma das maiores humilhações de sua história. Esperavam arrancar ao menos um ponto na visita ao St. Jakob Park, diante do Basel, outro multicampeão que não vem bem em sua liga nacional. Acabam voltando para casa com cinco gols na bagagem. Derrota por 5 a 0, em atuação totalmente perdida, que oferece o pior resultado do clube em sua história gloriosa na Champions – repetindo o placar dos 5 a 0 para o Borussia Dortmund nas oitavas de final de 1963/64.

O desastre do Benfica começou cedo. Logo aos dois minutos, Michael Lang abriu o placar em um lance no qual a defesa se bagunçou toda. A maneira como os encarnados se defenderam, aliás, lembrou bastante o Jorge Wilstermann de dias atrás. Ou, a Júlio César, talvez aquilo que aconteceu no Mineirão na fatídica semifinal da Copa do Mundo de 2014. Não que o goleiro tenha falhado, embora pudesse ter feito melhor em alguns dos cinco tentos. O problema é que ele ficou vendido praticamente todas as vezes. Perdidíssimo, em meio ao caos de sua equipe.

O Basel ampliaria aos 20 minutos, em contra-ataque que começou após uma cobrança de escanteio do outro lado do campo. Dimitri Oberlin atravessou o campo de área a área e concluiu às redes. O camisa 20, aliás, fez uma partida para mostrar o seu valor ao resto da Europa. Camaronês com nacionalidade suíça, o atacante de 20 anos pertence ao Red Bull Salzburg, emprestado na Basileia. E se os Rot-Blau também não vivem um bom momento no Campeonato Suíço, ocupando apenas a quarta colocação, o garoto demonstra que pode se ascender como um dos protagonistas. Com muita velocidade, demoliu os visitantes.

A partida só ganhou contornos de goleada no segundo tempo. Um pênalti bobo permitiu que Ricky van Wolfswinkel marcasse o terceiro. E o Benfica ainda precisaria jogar com um a menos, depois da expulsão idiota de André Almeida, aos 12. O lateral se irritou por uma falta que o árbitro não marcou e resolveu entrar de sola, com os dois pés, no adversário. O lance causou óbvia revolta nos jogadores e nos torcedores do Basel, que atiraram objetos em campo, antes que o árbitro mostrasse o vermelho direto. Sete minutos depois, um passe errado na defesa abriu o caminho para Oberlin marcar o quarto. E o quinto veio com Blás Riveros, depois de um festival de trapalhadas defensivas. Pouco antes, os suíços ainda haviam acertado duas bolas na trave. Se esta é a pior vitória dos benfiquistas na história da Champions, também é a melhor do Basel.

O Benfica, que entrou no Grupo A como segunda força, aparentemente o único capaz de incomodar o Manchester United, inicia a sua campanha na Champions com duas derrotas. Há tempo para se recuperar, ou ao menos descolar uma vaga na Liga Europa. O problema será mudar de atitude depois de uma atuação tão patética como a que se viu na Basileia. A pressão sobre os encarnados, se já era enorme, chega a um patamar que não se vivia há anos. E com toda a razão.