Na vitória do Barcelona, Doumbia teve a simulação duplamente punida

Barcelona e Sporting fizeram um jogo esquisito em Lisboa. O time catalão teve a costumeira dominação massiva na posse de bola, mas não foi tão ofensivo; e os Leões até se arriscavam vez por outra para agradar à torcida que lotava o José Alvalade, mas nunca ameaçaram de verdade a meta barcelonista. Numa partida equilibrada, não impressiona que o 1 a 0 que colocou os Culés na liderança do grupo D da Liga dos Campeões tenha vindo numa jogada confusa na área sportinguista. E nem impressiona que um dos lances mais bizarros da segunda rodada tenha ocorrido lá: a lesão isolada de Seydou Doumbia.

Até os 40 minutos do primeiro tempo, Doumbia nem aparecia tanto assim. A defesa do Barcelona tinha mais trabalho com os meio-campistas que ajudavam o ataque, como Bruno Fernandes e Cristiano Piccini, que já tinham arriscado alguns chutes fortes contra a meta de Marc-André ter Stegen. Ainda assim, quando o atacante marfinense apareceu, no instante supracitado, foi para se atrapalhar definitivamente.

Acossado ao tentar entrar na área, Doumbia pulou ao menor sinal de carrinho. Uma daquelas simulações até canhestras: caiu na área mergulhando de lado, sem ter sido atingido. Claro, ninguém caiu. E a punição foi dupla. Primeiro, porque o árbitro romeno Ovidiu Hategan não pestanejou para dar o cartão amarelo ao camisa 88 dos alviverdes portugueses. Depois, porque na própria jogada da simulação, Doumbia distendeu o músculo. Demorou a levantar da área do Barcelona, já sentindo dores musculares. E foi vencido por elas aos 44 minutos, forçando a primeira alteração de Jorge Jesus, com a entrada de Bas Dost.

A sorte do Sporting era que o Barcelona também não se impunha tão claramente. Até criara chances – como em finalizações de Lionel Messi, aos 19 e 27 minutos, ainda na etapa inicial -, mas nada que fosse difícil demais para Rui Patrício.

Só uma jogada confusa levou ao gol da vitória culé, já no segundo tempo, aos quatro minutos: numa cobrança de falta da direita, a bola foi para a área, e bateu em muita gente. Primeiro, em Bas Dost; depois, em Fábio Coentrão; ainda em Luis Suárez; e finalmente, em Sebastián Coates, já na pequena área, indo devagar para o gol de Rui Patrício – no fim, ficou mesmo o gol contra do zagueiro uruguaio.

O Sporting ainda foi à frente algumas vezes. Teve boa chance para o empate aos 26 minutos, num chute forte de Bruno Fernandes, o melhor sportinguista em campo. Mas o Barcelona também pôde ampliar, aos 41, quando Paulinho (vindo do banco) quase brilhou de novo, chutando em cima de Rui Patrício, cara a cara com o goleiro português. E ficou mesmo no placar a vitória dos visitantes da Catalunha, contra um Sporting que poderia ter mais força ofensiva com Doumbia, se este não tivesse experimentado o quão danosa pode ser uma simulação mal feita.