O Bayern amassou o Celtic, e os talentos individuais começam a despontar nesta nova fase

Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação mais incisiva. O Bayern de Munique jogou duas partidas desde o retorno de Jupp Heynckes. Venceu adversários que, sob as ordens de Carlo Ancelotti, provavelmente também não trariam grandes dificuldades. Depois da goleada sobre o Freiburg, os bávaros derrotaram nesta quarta o Celtic, na Allianz Arena. Vitória imponente da equipe da casa, que fez um primeiro tempo brilhante e, depois de anotar 3 a 0 no início do segundo tempo, diminui a voracidade. Ainda assim, apesar da precocidade de qualquer análise do tipo, é interessante observar que o rendimento de alguns destaques individuais do Bayern dá sinais de melhora.

Depois de alguns minutos em que o Celtic tentou pressionar a saída de bola, o Bayern logo dominou o primeiro tempo. Partidaça dos alemães, trabalhando com velocidade e criando os espaços para arrematar. Foram 11 finalizações nos 45 minutos iniciais, duas delas nas redes – e sem contar outro tento, de Thiago Alcântara, mal anulado pela arbitragem. No primeiro gol, logo aos 17 minutos, Joshua Kimmich cruzou com perfeição para Robert Lewandowski, que parou em grande defesa de Craig Gordon. Thomas Müller não perdoou no rebote. Já aos 29, seria a vez de Kingsley Coman fazer jogadaça pela esquerda, botando na cabeça de Kimmich, que cabeceou com consciência, no ângulo. Se os bávaros tivessem caprichado mais na precisão, o estrago seria maior. Independentemente disso, saíram para o intervalo aplaudidos de pé pela torcida.

Já no segundo tempo, o Bayern não demorou a fechar a conta. Após uma boa trama coletiva, que rendeu cobrança de escanteio, Arjen Robben colocou a bola na cabeça de Mats Hummels, que mandou para dentro. Pouco depois, Christian Gamboa evitou o quarto, de Robben, em cima da linha. Os bávaros seguiam superiores, mas sem precisar forçar tanto. Além disso, começaram a dar um pouco mais de brechas na defesa. Kieran Tierney triscou a trave e Sven Ulreich fez boas intervenções, enquanto o Celtic teve um gol bem anulado por impedimento. Do outro lado, os alemães ainda criavam suas chances. Lewandowski também foi flagrado corretamente pelo bandeira, enquanto o goleiro Craig Gordon se afirmava como o melhor dos Bhoys. O veterano colecionou grandes defesas, especialmente nos instantes finais, com milagres diante de Robben, Arturo Vidal e Thomas Müller.

Uma diferença que já se nota em relação a Heynckes é a simplicidade. Ao contrário de Carlo Ancelotti, o veterano não inventa moda em suas escalações. O 4-2-3-1, consagrado em sua passagem anterior pela Baviera, continua em voga. Desta vez, o comandante apostou em uma dupla leve de volantes, com Sebastian Rudy e Thiago Alcântara ditando o ritmo de jogo. Nas laterais, muito apoio de David Alaba e Joshua Kimmich, livres para atacar. Além disso, os pontas tiveram uma noite especialmente ativa, com Kingsley Coman e Arjen Robben infernizando a defesa do Celtic, partindo em diagonal. Que os adversários não sejam parâmetro, o Bayern agradou.

Individualmente, é possível trazer vários destaques. Além do gol, Hummels foi praticamente perfeito no miolo de zaga. Kimmich desponta para ser um lateral que marcará época, e sua fase confiante se mantém, contribuindo demais ao ataque, sobretudo na construção. Não à toa, saiu aplaudidíssimo quando foi substituído por Rafinha, no segundo tempo. Do outro lado, Alaba parece recuperar aos poucos o seu melhor futebol, após não corresponder tanto nos últimos tempos, especialmente quando voltou de lesão.

No meio, enquanto Rudy foi onipresente em se trabalho silencioso, Thiago Alcântara é outro que volta a entregar o que se espera, especialmente na distribuição e na criação. Mesmo passando em branco, Robben teve uma atuação excelente, chamando a responsabilidade, no ritmo eletrizante que se viu durante a Data Fifa. Coman, um tanto inconstante, viveu uma de suas noites em alta. Thomas Müller gradualmente deixa para trás a má fase da temporada passada, mais centralizado, no apoio aos pontas e a Lewandowski. E o artilheiro, que surpreendentemente também passou em branco, foi importante pela maneira como conseguiu criar espaços na linha defensiva do Celtic. Vindo do banco, menção honrosa a Arturo Vidal, que entrou querendo mostrar serviço ao novo chefe.

Ganhar do Celtic, assim como do Anderlecht, não é mais do que a obrigação do Bayern de Munique. O desafio será mesmo derrotar o Paris Saint-Germain na Allianz Arena. Depois do que aconteceu no Parc des Princes, fica difícil de imaginar que os bávaros devolvam o placar e consigam superar os franceses no confronto direto para assumir a liderança. De qualquer forma, o jogo na Baviera surge como questão de honra, assim como um teste para o “novo” treinador. Ao menos pelo que se viu nesta quarta, com um coletivo melhor trabalhado, dá para extrair o melhor dos talentos individuais. E qualidade não falta na Baviera, especialmente se os problemas de lesão ficarem para trás.