O Sevilla lutou bravamente para aproveitar os erros de sempre do Liverpool e arrancar um empate

Vantagem de três gols para o Liverpool equivale a uma vantagem de um gol para equipes normais, como anos de cachorro em relação a anos de seres humanos. É o que explica que, no começo do segundo tempo, com os visitantes vencendo por 3 a 0, houvesse um cheiro de empate iminente no Ramón-Sánchez. E até que demorou: apenas nos acréscimos, Guido Pizarro empatou para o Sevilla em 3 a 3.

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O que levou o Liverpool a chegar ao intervalo classificado às oitavas de final foi a sua principal qualidade, a avalanche ofensiva, e o que o deixou ainda precisando de um resultado contra o Spartak Moscou na última rodada foi seu principal defeito. Uma equipe avassaladora com a bola e terrível sem ela, incapaz de diminuir o ritmo para controlar um jogo que deveria estar resolvido. Desequilibrada.

Claro que o Sevilla, clube acostumado a boas remontadas, tem os seus méritos, principalmente porque o próprio primeiro tempo poderia ter terminado com um resultado menos elástico, mas nem sempre eles são suficientes para reduzir uma diferença de três gols em 45 minutos. O Liverpool “parou de jogar futebol” na etapa final, como admitiu seu técnico Jürgen Klopp, e o empate acabou sendo apenas uma questão de tempo.

Houve trocas de socos nos primeiros 45 minutos, e o grande mérito do Liverpool foi ter sido mais eficiente. Fez 2 a 0 em duas jogadas de escanteio quase idênticas: na primeira, Wijnaldum desviou para Firmino, na segunda trave, abrir o placar; na segunda, foi o brasileiro quem deu a raspadinha para Mané ampliar. No intervalo entre os dois gols, o Sevilla poderia muito bem ter virado a partida.

Nolito recebeu um belo passe de Banega na entrada da área, limpou Gomez como se ele não existisse, e bateu no canto. Karius espalmou para a trave. Pouco depois, Sarabia recebeu livre, pela direita, e bateu cruzado, com muito perigo. Mas Mané disparou pela esquerda, entrou na área e bateu colocado. Rico fez a defesa, e Firmino marcou no rebote. Salah quase fez o quarto, recebendo passe de Coutinho por trás da linha de zaga e chutando em cima do goleiro.

O Liverpool estava na posição de apenas cozinhar a partida até o fim, mas para isso precisava voltar do intervalo. O Sevilla começou a pressionar desde o primeiro minuto. Descontou com Ben Yedder, desviando cobrança de falta na primeira trave. O atacante francês fez o segundo em pênalti tolamente cometido por Alberto Moreno. O empate quase saiu na sequência, mas o chute de Escudero, bem defendido por Karius, explodiu no travessão.

Salah, da entrada da área, e Mané, recebendo passe de Can, poderiam ter matado a partida. Mas não mataram. Aos 46 minutos do segundo tempo, quem com ferro fere com ferro será ferido: escanteio para o Sevilla, a própria zaga do Liverpool desviou na primeira trave para o meio da área, e Pizarro bateu para decretar o placar final.

O Liverpool soma nove pontos, um a mais que o Sevilla e três de vantagem em relação ao Spartak Moscou, visitante de Anfield na próxima rodada. O empate basta aos ingleses. A derrota, graças ao empate por 1 a 1 na Rússia, combinada com uma vitória espanhola sobre o Maribor, pode eliminar os Reds, que estiveram muito próximos de se classificar nesta terça-feira, mas sucumbiram aos mesmos problemas de sempre.