O Tottenham beirou a perfeição e, cirúrgico, pulverizou o Real Madrid em Wembley

O empate por 1 a 1 no Estádio Santiago Bernabéu já tinha proporcionado uma sensação de orgulho ao Tottenham. O time de Mauricio Pochettino fez uma partida exemplar contra o Real Madrid, especialmente por sua solidez coletiva. Duas semanas depois, o reencontro com os merengues termina em celebração aos Spurs. Afinal, os londrinos conseguiram ir além. Atravessaram uma noite ainda mais contundente em Wembley para se impor contra os bicampeões continentais. E foram praticamente perfeitos em tudo o que se propuseram. Marcaram com vigor, pressionaram os passes dos visitantes, foram letais no ataque. Pulverizaram a equipe de Zinedine Zidane, e o placar por 3 a 1 dimensiona muito bem o que foi o confronto. Os ingleses não apenas garantem a classificação às oitavas de final, como também assumem a liderança do Grupo H, com enormes chances de encerrarem a fase de grupos no topo da chave. Símbolo do excelente momento vivido pelo clube.

Como havia acontecido em Madri, Pochettino apostou em um sistema defensivo com cinco jogadores, mantendo os laterais mais recuados sem a bola. Eric Dier fazia a proteção na cabeça de área, acompanhado pelos incansáveis Christian Eriksen e Harry Winks. Mais à frente, Dele Alli voltava a figurar na Champions, compondo dupla de ataque com Harry Kane. E o camisa 10 seria fundamental. Já do outro lado, Zidane não contava com alguns de seus titulares. Kiko Casilla, Achraf Hakimi e Nacho Fernández preenchiam as lacunas. No ataque, Isco vinha na retaguarda de Cristiano Ronaldo e Karim Benzema mais à frente.

A estratégia do Tottenham era bastante clara. Enquanto o Real Madrid tinha a posse, os Spurs se desdobravam na marcação. Pressionava os visitantes quando estes estavam no campo de defesa. E, quando os merengues partiam ao ataque, o time de Pochettino se fechava com enorme competência ao redor de sua área. Deixava que o meio-campo espanhol controlasse a bola, mas sem conseguir criar. O Real até arriscou nos primeiros minutos, nada tão perigoso. Parecia com o freio de mão puxado, travado pela coesão dos londrinos.

Quando recuperava a posse, o Tottenham era muito mais objetivo. Atacava com velocidade, aproveitando a mobilidade de seus atacantes, a velocidade de Trippier e a visão de jogo de seus meio-campista. Faltava arrematar um pouco melhor, com Kiko Casilla defendendo com segurança nos primeiros momentos em que foi desafiado. Já aos 27 minutos, nasceu o primeiro gol dos Spurs. Winks deu um excelente lançamento para Kevin Trippier, nas costas da zaga. Ligeiramente impedido, sem que o árbitro marcasse a irregularidade, o lateral avançou e cruzou para Dele Alli completar para as redes. O tento dava tranquilidade para os anfitriões seguirem com seus planos.

O Real Madrid tentou reagir na sequência, com mais ímpeto no ataque. Assim como no Bernabéu, encontrou um gigantesco Hugo Lloris na meta adversária. O goleiro fez três ótimas intervenções, combinando segurança e agilidade. Já do outro lado, o Tottenham ainda dava algumas escapulidas. A defesa merengue aparecia bastante exposta, com os jogadores precisando se virar no mano a mano. Substituindo o lesionado Toby Alderweireld, que deixou o campo instantes antes do gol, Moussa Sissoko dava mais potência física aos contra-ataques. Os londrinos também desperdiçaram duas boas chances para ampliar.

Na volta do intervalo, Zidane mudou o seu sistema de jogo, recuando Casemiro para a zaga e liberando os seus laterais. O Real Madrid melhorou, trabalhando principalmente pelos lados do campo, insistindo nos cruzamentos. Todavia, o tempo de bola do Tottenham era perfeito, para afastar a maioria dos lances perigosos e também travar os chutes. Já aos dez minutos, a vitória se encaminhou em ataque rápido dos Spurs. Eriksen deu o corta-luz para Dele Alli. O camisa 20 entortou Casemiro e, depois de deixar o volante no chão, arriscou o chute. A bola resvalou em Sergio Ramos antes de matar Kiko Casilla.

A falta de tranquilidade abateu de vez o Real Madrid. Os merengues foram para frente e insistiam nas bolas alçadas contra a área do Tottenham, que se safava como podia. Aos 19 minutos, por fim, o golpe que sacramentou o resultado. Novo contra-ataque dos Spurs, com Harry Kane pegando a zaga aberta e passando para Eriksen mandar para as redes. Apático, o Real Madrid não faria muito para descontar. Borja Mayoral e Marco Asensio entraram, sem que isso causasse um impacto maior no time. Já o gol de honra saiu aos 34, em cruzamento que sobrou para Cristiano Ronaldo bater prensado. Lloris voltou a fazer defesas firmes, mantendo a bola grudada em suas mãos. Ainda assim, os londrinos tiveram duas boas chances para anotar o quarto, especialmente com Fernando Llorente, parando no mano a mano diante de Casilla.

O Real Madrid vive um momento de questionamento na temporada. Apesar da qualidade à sua disposição, o time não cria soluções para decidir as partidas. As principais estrelas não conseguem ser decisivas como deveriam, o meio-campo aparece encurralado e a defesa não transmite segurança. Pior, às vezes falta brio para ser mais voraz. E se os resultados não acontecessem em La Liga, contra equipes bem mais modestas, a derrota para o Tottenham é bastante compreensível.

Do outro lado, o Tottenham redobra a sua confiança, independentemente da derrota recente para o Manchester United. O time de Mauricio Pochettino parece cada vez mais maduro, especialmente pela maneira como consegue adaptar o seu jogo e as suas táticas a diferentes adversários. Os Spurs podem não ser tão ofensivos quanto em alguns momentos anteriores, mas compensam isso com uma precisão imensa em suas ações. E se Harry Kane passou em branco desta vez, apesar de sua enorme entrega para o trabalho coletivo, desta vez Eriksen, Alli e Trippier se sobressaíram individualmente. Um resultado que mostra como os londrinos podem sonhar alto nesta Champions. Justo no “grupo da morte”, a liderança está em suas mãos.

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