O Tottenham vira o jogo, elimina o Dortmund e garante a liderança no “grupo da morte”

O Tottenham sublinhou o seu amadurecimento na Liga dos Campeões nesta terça. Não fez a sua melhor exibição, é verdade. Mas teve competência o suficiente para reverter um placar desfavorável e buscar a vitória por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund, dentro do Signal Iduna Park, que garantiu os Spurs já na liderança do “grupo da morte” da competição continental. Enquanto os alemães convivem com uma crise sem fim, os ingleses seguem em frente a sua campanha eficiente e segura de si. Avançam às oitavas de final, o que não haviam conseguido na temporada passada. E, mais do que isso, demonstram que podem peitar as principais potências da Europa em busca das fases mais agudas da competição. O time de Mauricio Pochettino conquistou o devido respeito.

O jogo em si foi bem mais morno do que o primeiro encontro, em Wembley. O Tottenham povoou o seu meio-campo, confiando em Christian Eriksen e Dele Alli em posições mais recuadas, enquanto Heung-Min Son era a arma para os contra-ataques, ao lado de Harry Kane. Já o Borussia Dortmund, precisando do resultado, vinha com uma escalação bastante ofensiva, especialmente pela escolha de Mario Götze e Shinji Kagawa no meio, tentando municiar Raphaël Guerreiro e Andriy Yarmolenko nas pontas, além de Pierre-Emerick Aubameyang – de volta à equipe após ser sancionado pela diretoria com um jogo de suspensão, por indisciplina.

Durante os primeiros minutos, o Tottenham teve mais iniciativa e deu um susto com Son, mas logo o Dortmund equilibraria as ações. Os aurinegros jogavam de maneira mais cadenciada do que o costume com Peter Bosz, sem ficar tão exposto aos contragolpes. Porém, tinha, dificuldades em conseguir abrir a defesa dos Spurs, sobretudo pelo bom trabalho da marcação em apertar a troca de passes. Aos poucos, porém, os alemães encontravam as brechas, nas combinações entre Yarmolenko e Aubameyang. Caindo mais pelo meio, o ucraniano serviu o gabonês a primeira vez aos 19 minutos e ele não aproveitou. Entretanto, o BVB crescia. E abriu o placar aos 31 minutos. Belíssima jogada coletiva, em que Yarmolenko deu um passe magistral de calcanhar. A zaga tentava fazer uma linha de impedimento e facilitou para Auba arrancar, chutando na saída de Lloris. Depois do que ocorreu nos últimos dias, o artilheiro preferiu não comemorar.

O gol, porém, foi a deixa para que o Tottenham acordasse para o jogo. E a reta final do primeiro tempo contou com uma enorme pressão dos visitantes, aproveitando principalmente as incursões pelas pontas. O empate só não saiu por causa de Roman Bürki, se redimindo um pouco pelas falhas recentes na meta aurinegra. Primeiro, ele evitou que Eriksen balançasse as redes, espalmando chute por baixo. Mas o maior milagre veio em desvio de cabeça de Eric Dier, no qual o suíço voou para espalmar em cima da linha. Defesaça que mantinha o seu time vivíssimo na partida.

O problema é que o Dortmund parece não saber o que é passar uma partida sem falhar. E o primeiro erro custoso aconteceu aos quatro minutos, para que o Tottenham deixasse tudo igual. A partir de uma roubada de bola de Danny Rose, Dele Alli preparou a jogada para Harry Kane. O centroavante dominou na entrada da área e encontrou espaço para bater rasteiro, sem que Bürki conseguisse pegar. Depois de um mês sem marcar, até pelos problemas físicos recentes, o artilheiro se reencontrou com as redes. Não foi, porém, a melhor de suas atuações.

O segundo tempo era bastante travado no meio-campo, com o Dortmund controlando um pouco mais a posse de bola, mas sem tanta agressividade. Peter Bosz colocou Gonzalo Castro no lugar de Shinji Kagawa, mas não tinha muitas alternativas para mudar o time, especialmente pela ausência de Christian Pulisic. Estava cada vez mais claro que um lance fortuito poderia decidir a noite – e os aurinegros começavam a cometer alguns deslizes com frequência. Dito e feito. Aos 31 minutos, Dele Alli avançou pela ponta esquerda. Mesmo cercado por Marc Bartra e Götze, conseguiu passar por entre os dois, invadindo a área e rolando para Son. E o sul-coreano não perdoou, em bonito chute na gaveta de Bürki.

Depois disso, o Dortmund partiu com tudo para cima, enquanto Pochettino fechou a casinha, colocando jogadores de mais potência física no meio-campo – Moussa Dembélé e Moussa Sissoko nos lugares de Eriksen e Alli. A defesa do Tottenham se saiu muitíssimo bem para conter a pressão, sobretudo Dier, bloqueando as principais tentativas dos aurinegros. E os Spurs ainda poderiam dar o golpe fatal, em lance no qual Fernando Llorente, substituindo Kane, perdeu no mano a mano com Bürki. O espanhol ainda chocou sua perna no rosto do goleiro, que precisou deixar o campo, com Roman Weidenfeller assumindo a meta. Final melancólico para a participação dos alemães na Champions, mirando agora a Liga Europa.

É difícil encontrar uma luz para o Borussia Dortmund neste momento. O elenco tem suas deficiências, é claro, mas apenas isso não justifica a péssima sequência recente. O time venceu apenas dois de seus últimos 11 jogos, e um deles pela Copa da Alemanha. Consumou a eliminação na Champions e saiu do G-4 da Bundesliga. Precisa de uma outra postura em campo, o que não se vê de todos os seus jogadores. E o ambiente interno ainda encontra entraves, como o protagonizado por Auba. A pausa de inverno será muito bem-vinda para repensar o planejamento.

Já o Tottenham dá um passo firme na temporada. Depois de uma atuação decepcionante no clássico contra o Arsenal, que deixou o time mais distante de qualquer grande ambição na Premier League, a recuperação vem com uma virada fora de casa. Se não foi a exibição dos sonhos, a consequência certamente é, liderando a chave independentemente do resultado na rodada final contra o Apoel. E a campanha da Champions pode ser a marca deste trabalho de Pochettino. Em uma competição que se decide em poucos jogos, os Spurs se permitem sonhar. Possuem qualidade individual e possibilidades de variação para encarar os principais adversários. Agora é ver se o ótimo desempenho na fase de grupos se mantém, depois de muita água rolar até fevereiro. Ao menos por enquanto, os londrinos saem mesmo como um dos melhores times desta primeira etapa da Liga dos Campeões, especialmente por aquilo que apresentaram nos “jogos grandes”.

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