O trabalho sem a bola, um dos pontos fortes da Juventus, fraquejou justamente na final

Por Bruno Bonsanti

A Juventus chegou à decisão tendo sofrido apenas três gols em 14 jogos da Champions League. Levou quatro do Real Madrid, na pesada derrota que decretou seu sétimo vice-campeonato europeu. Não foi por acaso. Os italianos passaram ilesos, ou quase, contra ataques até mais poderosos do que o dos merengues, como os de Barcelona e Monaco, mas, nessas partidas, executaram com rigor um dos pontos fortes da equipe na temporada: o trabalho sem a bola, muito fraco em Cardiff.

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Para Massimiliano Allegri conseguir encaixar Daniel Alves e Alex Sandro nas laterais e Khedira ou Marchisio ao lado de Pjanic no meio-campo, sem nenhum volante muito marcador e na maioria das vezes apenas dois zagueiros, é essencial que todos trabalhem muito sem a bola na fase defensiva. Foi assim que Mandzukic ganhou destaque, por exemplo. Maior prova da importância desse trabalho é que, mesmo com um zagueiro a mais em campo, a Juventus sofreu mais na defesa justamente porque, nos lances chaves, os italianos falharam na hora de acompanhar os adversários.

Isso ficou flagrante em três dos quatro gols, com exceção da bomba de Casemiro de fora da área. No primeiro, Carvajal projetou-se pela direita. Mandzukic corria pelo meio e não acompanhou o lateral, que devolveu para Cristiano Ronaldo abrir o placar. Chiellini estava na marcação ao português, mas ficou em dúvida entre marcá-lo ou fechar o cruzamento. Acabou não fazendo nenhum dos dois.

No terceiro, Modric deu o bote na intermediária e subiu até a ponta direita para cruzar na pequena trave. Cristiano Ronaldo estava livre, na entrada da área, e apareceu para interceptar a bola. Ninguém o acompanhou. Pjanic correu para não chegar, mas pelo menos apareceu na foto.

No quarto, a mesma coisa: cruzamento da esquerda, e Asensio apareceu na entrada da pequena área. Em vez de abafar, Khedira ficou parado. Tudo bem que já era o fim do jogo e a vitória do Real Madrid estava garantida.

Sem o alto índice de trabalho demonstrado em toda a temporada, a Juventus foi presa fácil para o poder de finalização de Cristiano Ronaldo. Soma-se a isso um pouco de sorte nos dois primeiros gols, com desvios que ajudaram a enganar Buffon, e temos um dos principais fatores para a goleada do Real Madrid.