Caldeirão do rebaixamento já ferve na Premier League com Hull City, Crystal Palace e Leicester

Por Onofre Síncope

Os ingleses, como todos sabem, são movidos pela aposta. Eles palpitam sobre tudo. De disputas esportivas a situações bizarras, como a cor da roupa de baixo de celebridades. E com relação à Premier League, são inúmeras as modalidades de lucro em cima de previsões. Assim como as bolsas relacionadas aos candidatos ao título atraem muitos investidores, as cotações sobre os três times rebaixados são muito procuradas também.

Por meio dos números do Oddsshark.com/br, já é possível ter uma ideia do panorama atual com relação à queda para a segunda divisão inglesa, que atende pelo nome de Football League Championship. Queridos amigos, nem preciso apresentar minhas credenciais, tamanha a assertividade no que diz respeito à arte de prognosticar. Analisando o comportamento das equipes, nos últimos anos, forjei minha lista de rebaixados – tenho certeza que não baterá em nada com a relação do estimado camarada Ricardo Jonas.

Direto e reto, cravo o naufrágio de Hull City, atual lanterninha, Crystal Palace e, perdoem-me os puritanos, o Leicester City, atual campeão da Premier League. Mas aí o amigo me interpela com a seguinte pergunta: como um time que defende o título pode cair de divisão no ano seguinte? É difícil, algo raríssimo, mas já aconteceu. O Manchester City, campeão em 1937, sofreu a degola na temporada subsequente.  No Brasil, se não fosse o STJD, a mesma e inédita situação se daria com o Fluminense, vencedor do Brasileirão 2012 e rebaixado na bola, em 2013.

Por que o Leicester cai?

A equipe que fecha o Z-3, hoje, é o Sunderland, sobre quem reservei um tópico especial mais à frente. E os Foxes estão na 15ª colocação com três pontos a mais (17-14), declaradamente ameaçados. E, a partir de fevereiro, os comandados de Claudio Ranieri vão se jogar no sonho de chegarem longe na Champions League, competição em que terminaram a fase de grupos na primeira colocação da Chave G – vão pegar o Sevilla nas oitavas de final.

Mas como um clube vai tão bem em um campeonato e mal em outro? Não existe uma explicação científica para isso, mas há uma hipótese: elenco limitado. Ao passo que o Leicester, nitidamente, priorizou a Liga dos Campeões, passou a perder pontos preciosos no Inglês. E à medida que o time despejar todas as suas fichas em um sonho distante, pode se complicar, e muito, na liga local. E como em uma fábula, a saga de glória e tragédia em apenas um ano. Esse é o desfecho que imagino para os Foxes, quando o palpite de rebaixamento paga (cota do dia de hoje) R$ 14,50 sobre cada real, segundo o Oddsshark.com/br.

Crystal Palace em ruínas

São apenas quatro vitórias em 17 confrontos. Crise instalada. Na última quinta-feira, a direção do Crystal Palace anunciou a demissão do técnico Alan Pardew – o substituto ainda não foi anunciado. E as perspectivas de melhora são mínimas. E, este ano, não será possível recorrer a Tony Pulis (muito bem no West Bromwich, oitavo colocado na tabela) que salvou brilhantemente os Eagles, ao impedir o iminente rebaixamento na temporada 2013-14. Por fim, o time terminou a disputa no 11º lugar, e Pulis foi eleito o Treinador do Ano da Inglaterra. Além disso, Sunderland e Swansea contam com melhores jogadores para ultrapassar o Palace, cuja queda renderia a margem de lucro de 450%.

Já era para o Hull City

Fundado há 112 anos, o Hull City alcançou a Premier League somente em 2007-2008. E, desde então, já voltou para a segunda divisão três vezes. É o famoso “time ioiô”. Na atual temporada, os Tigers amargam a lanterna, com somente três triunfos em 17 compromissos na Liga Inglesa. Rendimento muito ruim para quem, ao menos, sonha em se manter na elite. Carta fora do baralho na certa! O retorno para quem determinar o descenso do Hull será de 20%, de acordo com o Oddsshark.com/br.

O bombeiro Pulis e o efeito Sunderland

Por um flerte com o poder dos tabus, eu decreto a salvação de pelo menos duas equipes acostumadas a perambular pela zona da degola nos últimos anos. Uma é o West Brom, que está “imunizada” nas mãos do já citado Tony Pulis, que livrou os Baggies da queda nas duas temporadas à frente do clube. Pulis é uma espécie de bombeiro do futebol inglês, com feitos similares aos de Joel Santana e do saudoso Carlos Alberto Torres.

Outro caso interessante é o do Sunderland, que tomba, mas não cai. Nos últimos quatro anos, os Black Cats tiveram praticamente o mesmo rendimento, inclusive com relação aos pontos. Confira:

2015-2016: 39 pontos / uma posição acima do Z-3
2014-2015: 38 pontos / duas posições acima do Z-3
2013-2014: 38 pontos / quatro posições acima do Z-3
2012-2013: 39 pontos / uma posição acima do Z-3

Ao término da 17ª rodada, o Sunderland fecha a zona de rebaixamento com 14 pontos. Mas confio, piamente, que o time irá se salvar com mais 24 ou 25 pontos.

Querido Ricardinho, estou curioso com seus palpites, tá?