Campanha irrepreensível do Atlético Nacional torna aposta no Del Valle arriscada, mas muito lucrativa

É difícil achar alguém que conteste o favoritismo do Atlético Nacional na final da Libertadores, nesta quarta-feira. Após empate por 1 a 1 no Equador, os colombianos recebem o Independiente del Valle, em um lotado Atanasio Girardot, com tudo indicando que a segunda conquista verdolaga na competição é bastante provável – tanto na comparação dos dois times em campo quanto no retrospecto de ambos na edição deste ano do torneio. O que cria condições curiosas para os apostadores.

De acordo com o site OddsShark.com/br, a tendência é tão grande para um triunfo dos mandantes que aquele que for mais prudente em seus investimentos teria um lucro bastante moderado, de apenas 35 cents por dólar investido na vitória do Atlético.

O favoritismo do clube colombiano é ainda mais perceptível se observarmos o quão azarão o Independiente del Valle é considerado. Se você é alguém mais arrojado e tem um dinheiro a mais disponível para tentar um investimento de maior risco, a sorte pode estar sorrindo bem à sua frente. Ainda segundo o site OddsShark.com/br, uma aplicação de um dólar no time equatoriano traria um retorno de 10,22 dólares. Ou seja, o risco pode ser grande, mas o retorno também é. Portanto, haja carteira para tanto dinheiro, meu caro!

Dono de uma trajetória irrepreensível, o Atlético Nacional conquistou nove vitórias, três empates e foi derrotado apenas uma vez ao longo dos 13 jogos que fez no torneio. Se vencer nesta quarta, os colombianos farão a melhor campanha da história do campeonato, somando 33 pontos no total – um a mais do que o Boca Juniors de 2003. Seu único revés foi nas quartas de final para o Rosário Central, atuando na Argentina. O placar foi um magro 1 a 0 para os argentinos, que eram tidos como um dos mais fortes candidatos ao título. No jogo da volta, vitória por 3 a 1.

Será difícil conter o ímpeto da equipe de Reinaldo Rueda. Os colombianos atuarão diante de mais de 40 mil torcedores que vão lotar o Estádio Atanasio Girardot. E a equipe da casa precisa de uma vitória simples, já que empatou por 1 a 1 no jogo de ida, em Quito, no Equador. Como na final da Libertadores não existe o critério de gol fora de casa, um triunfo para qualquer dos lados garante o título ao vencedor, enquanto o empate leva a decisão para os pênaltis.

Dos seis jogos que fez em sua casa, o Atlético venceu cinco e empatou apenas um, diante do Huracán, na última rodada da fase de grupos, quando já estava classificado. Em seu domínio, a equipe alviverde bateu times como Peñarol, São Paulo e Rosário Central. E é isso que torna o time do atacante Miguel Borja tão favorito ao título.

Del Valle, o destruidor de gigantes

O retorno de US$ 10,22 para cada dólar apostado no Independiente del Valle é um indício claro de como a equipe vai para o duelo derradeiro como azarão. Mas vale lembrar que, contra o Boca Juniors, na Bombonera, os argentinos eram plenos favoritos para vencer, acabaram derrotados por 3 a 2, e aqueles que se arriscaram nos investimentos e confiaram na vitória equatoriana tiveram um retorno de US$ 8,50 para cada dólar investido.

Para o sonho dos equatorianos se tornar realidade, a equipe precisa mais uma vez apostar no seu caráter de derrotar equipes de bem mais tradição e peso no cenário intercontinental. Comandados pelo uruguaio Pablo Repetto, o Del Valle já teve que passar por uma prova difícil antes mesmo de entrar na fase de grupos, quando encarou o Guaraní, do Paraguai, na fase prévia da Libertadores. A classificação veio de forma apertada, pelo critério de gol fora, já que venceu em casa por 1 a 0, mas perdeu em Assunção por 2 a 1.

No grupo 5 da Libertadores, os colombianos tinham os fortes Atlético Mineiro e Colo-Colo como concorrentes diretos. Diante dos brasileiros obtiveram um triunfo e um revés. Já contra os chilenos, dois empates – o último deles um 0 a 0 em Santiago que garantiu o segundo lugar na chave. E aí se deu início à uma campanha incrível diante de gigantes da América do Sul.

Logo de cara, os comandados por Pablo Repetto encararam o River Plate, atual campeão do torneio. Em casa, fizeram um ótimo 2 a 0, e na Argentina seguraram como puderam o 1 a 0 com excelente atuação do goleiro Azcona e muita sorte depois de duas bolas no travessão. Nas quartas foi a vez do Pumas, do México, sofrer com os equatorianos. Com um homem a menos no jogo de volta, o Del Valle fez o gol que levou a partida para os pênaltis. Na “loteria”, Ismael Sosa, que havia marcado os dois tentos dos mexicanos, foi o vilão ao perder a sua cobrança.

À medida que o Independiente del Valle avançava, seus desafios e feitos se agigantavam. E não poderia ter obstáculo maior do que encarar o Boca Juniors na semifinal da Libertadores. Com seis títulos na bagagem, a equipe de Tevez e companhia não foi páreo para os equatorianos, que venceram tanto em Quito quanto na Bombonera, com um placar de 5 a 3 no agregado.

Improbabilidade é a palavra de ordem desta edição da Libertadores. Quem apostaria no início do ano que nem brasileiros ou argentinos chegariam à decisão? Pela primeira vez desde 1991 temos uma final sem times dos países mais tradicionais do continente. E os guerreiros do Independiente del Valle estão dispostos a fazer a quebra de paradigmas se estender até o apito final.