Hegemonia francesa em casa ou redenção de Ronaldo? Portugal e França fazem final da Euro 2016

Após 50 partidas disputadas ao longo do último mês, o sonho de conquistar a Eurocopa 2016 permanece vivo no imaginário de apenas dois países: Portugal e França.  O time da casa mostrou muita força na hora da decisão. Os franceses venceram a Alemanha por 2 a 0 em Marselha e chegam como favoritos na grande final deste domingo (10), às 16h, em Saint-Denis. O adversário será a valente seleção portuguesa. O time liderado pelo atacante Cristiano Ronaldo bateu Gales na semifinal e busca o primeiro título relevante do país.

Essa é apenas uma das várias histórias que giram em torno da decisão no Stade de France. Do lado português, vencer a competição também passa por se redimir de um vexame ocorrido há 12 anos. País-sede da Euro em 2004, Portugal havia chegado pela primeira vez na final do torneio. Os 63 mil portugueses presentes no Estádio da Luz entraram em choque: o bom time liderado por Figo caiu diante da Grécia, azarão da competição. A derrota por 1 a 0 quebrou uma invencibilidade portuguesa de 17 anos atuando em Lisboa.

Dos portugueses que estiveram em campo na fatídica final, apenas Cristiano Ronaldo e o zagueiro Ricardo Carvalho seguem no atual elenco. Na época camisa 17, franzino, Ronaldo ainda era rotulado como uma promessa aos 19 anos. Perdeu algumas chances de gol importantes na final contra os gregos e chorou copiosamente agachado no meio do campo com o apito final do árbitro. Cena emblemática do futebol. Em prantos, Ronaldo jurou um dia dar o tão desejado título ao povo português.

Ao contrário da decisão de 2004, CR7 e companhia entram na final de domingo como azarões. Um título de Portugal em solo francês pagará 4,08 para cada real investido. Já uma vitória francesa paga apenas 2,04. Reflexo das campanhas atuais, dos adversários vencidos pelas duas seleções até então, e do histórico do embate.

O retrospecto do confronto nos últimos 38 anos é assustador para Portugal. A França venceu todos os dez últimos duelos: oito no tempo normal e dois na prorrogação. O mais importante deles em uma semifinal de Copa do Mundo, no ano de 2006. Os dois triunfos na prorrogação foram em mata-mata de Eurocopa (1984 e 2000). Por coincidência, nessas duas edições, o time francês levantou o caneco da Euro.

Se a França se sagrar campeã no próximo domingo, terá faturado um título da Euro a cada 16 anos (1984, 2000 e 2016). Nas duas oportunidades em que chegou à decisão, o time venceu. A hegemonia atuando em solo francês também chama a atenção. Caso bata Portugal, a França vencerá os três últimos grandes campeonatos em que foi país-sede (Copa do Mundo de 1998 e Euros de 2000 e 2016).

Duelo dos artilheiros de Madri

França e Portugal estão na grande final muito graças ao desempenho individual de seus respectivos atacantes nas semifinais. De um lado, Cristiano Ronaldo fez um gol e deu uma assistência na vitória sobre Gales. Do outro, Griezmann foi o responsável pelos dois tentos que despacharam os atuais campeões mundiais em Marselha. O francês é disparado o artilheiro da competição com seis gols, três a mais do que o rival português. O que os jogadores têm em comum? Também são rivais nas duas fortes equipes da cidade de Madri.

Griezmann e Ronaldo já estiveram frente a frente em uma decisão este ano, quando Atlético e Real Madrid decidiram a Champions League há dois meses. Lembrança amarga para o francês: ele perdeu uma penalidade máxima no tempo normal e viu o rival português marcar o gol do título na disputa de pênaltis.

Momento de revanche para o camisa 7 da França no próximo domingo. Caso o artilheiro volte a encontrar as redes contra Portugal, a chance de título francês aumenta consideravelmente. A equipe de Didier Deschamps nunca perdeu quando o atacante do Atletico de Madrid marcou: são oito vitórias e dois empates nos últimos dez jogos.

Do outro lado, é redundante falar da importância de Cristiano Ronaldo no elenco português. CR7 é fundamental no esquema do técnico Fernando Santos. O camisa 7 é o toque de criação e criatividade que se sobressai quando o time português rouba a bola e sai para os contra-ataques. Mesmo com brilhos esporádicos, o atacante do Real Madrid faz toda a diferença quando participa do jogo.

Adepto do futebol mais pragmático, o treinador português aposta em uma defesa muito forte, com duas linhas de quatro que fecham os espaços e ganham o meio-campo. Devido a suspensões e lesões, Santos teve que rodar bem o seu elenco e dar chance a alguns jovens, mas nunca abriu mão do clássico 4-4-2. O técnico segue invicto no comando da equipe: nove vitórias e quatro empates em treze partidas. Certamente o duelo de domingo será o mais difícil de sua carreira.