Independiente del Valle e Atlético Nacional começam a decidir a Libertadores

O principal campeonato da América do Sul vai começar a ser decidido nesta quarta-feira (20), com a final que ninguém imaginava. Jogando em casa, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, o Independiente del Valle recebe o Atlético Nacional, da Colômbia, às 19h45, na partida de ida da decisão da Copa Libertadores.

As duas equipes chegam à final com sabor de novidade. O Del Valle disputa sua primeira final. O Nacional esteve em 1989, quando ganhou a única Libertadores de sua história, e em 1995, quando foi vice.

Na semifinal, o Del Valle deixou para trás o Boca Juniors, que decidiu a vaga na Bombonera, em Buenos Aires. Tão inesperada, sua vitória pagou R$ 7,75 para cada real apostado. O Nacional era favorito contra o São Paulo. Sua vitória em Medellín rendeu R$ 2,12 para cada real investido, segundo o site oddsshark.com/br.

O fator casa e a altitude de 2.850 metros de Quito deixam a situação mais favorável ao Del Valle. Um triunfo equatoriano nesta quarta vai pagar R$ 2,50 a cada real investido. O empate renderá R$ 2,90. Já a vitória do Nacional está cotada em R$ 2,85.

Euforia

O clima de descoberta em Quito é tamanho que a torcida do Del Valle fez longas filas desde segunda-feira para conseguir o ingresso para a primeira decisão de sua história. Muitos até dormiram nas ruas para assegurar bons lugares.

Técnico do Del Valle, o uruguaio Pablo Repetto pregou a humildade que tem caracterizado a campanha da equipe até aqui: “Não somos mais, nem menos que ninguém”.

O Del Valle precisou disputar a repescagem em fevereiro para entrar na fase principal. Integrou o Grupo 5, com o Atlético Mineiro, os chilenos do Colo-Colo e os peruanos do Melgar.

As zebras do time do Equador começaram nas oitavas de final. Decidindo a vaga em Buenos Aires, superou o tradicional River Plate, atual campeão da Libertadores, em noite de muito brilho do goleiro Azcona. Nas quartas de final, precisou dos pênaltis para avançar contra o Pumas, do México. Nas semifinais, como dito, superou o Boca Juniors. O Del Valle é o primeiro time na história a eliminar a dupla mais poderosa do futebol argentino na mesma edição da Libertadores.

A equipe equatoriana é caracterizada por sua sólida ocupação de espaços no sistema tático conhecido como 4-4-1-1. Dois de seus zagueiros que se destacaram são Arturo Mina e Luis Caicedo. Sornoza e José Angulo brilham no ataque.

A solidez é vista também no banco de reservas. A temporada 2016 é a quarta do uruguaio Repetto à frente do time. Ele dedica todo seu tempo desde a semana passada ao estudo do adversário desta quarta. “Sabemos que vamos enfrentar a melhor equipe da Copa. Vamos nos preparar da melhor maneira”, resumiu. “Não contavam com a nossa chegada, e estamos aqui. Agora queremos colocar esta campanha na história do futebol equatoriano e do futebol da América do Sul”, finalizou.

Em busca do bi

Além de coroar a melhor campanha até aqui, o título do Atlético Nacional ficaria ainda mais completo levando em consideração que é a chance de ser a única equipe da Colômbia a ganhar a Libertadores duas vezes.

A atual fase não surpreende. A equipe vinha atuando bem desde que esteve sob o comando do técnico anterior, Juan Carlos Osorio, que deixou o Nacional para trabalhar no São Paulo. Reinaldo Rueda, o comandante atual, sabe bem o que é jogar o futebol das grandes competições. Esteve em duas Copas do Mundo, e sua experiência é um dos trunfos do Nacional até aqui.

Outro ponto forte da equipe é o desempenho do goleiro argentino Armani, hoje um dos melhores do mundo. Sua saída rumo ao River Plate foi dada como certa, mas ele preferiu ficar e ganhar a Libertadores pelo clube que defende desde 2013.

Mas o que encantou mesmo na campanha do Nacional foi o desempenho dos atacantes. Marlos Moreno está a caminho do Manchester City, da Inglaterra, onde vai tentar repetir os dribles e as arrancadas que já encantam também a seleção da Colômbia.

À sua habilidade soma-se o oportunismo de Miguel Ángel Borja, carrasco do São Paulo na semifinal. Autor de gols de todas as formas, sua saída da equipe para uma grande liga é questão de tempo.

Ajudará o Nacional também o fato de decidir sempre em casa, caso da semana que vem. Contando com a fanática torcida que lota o Atanasio Girardot, o clube superou equipes de países com muita tradição na Libertadores: Argentina (Huracán, oitavas, e Rosario Central, quartas) e Brasil (São Paulo na semifinal).