O Comitê de Candidatura Unida, que reúne proposta de Estados Unidos, Canadá e México para sediar a Copa de 2026, apresentou na última semana as 23 cidades finalistas para o evento. Foi o prazo final para inscrições de candidatos a sediar a Copa do Mundo de 2026 e os norte-americanos têm a concorrência do Marrocos. A aposta da candidatura liderada pelos Estados Unidos é a infraestrutura já pronta e que precisaria de poucos ajustes, além de oportunidade comerciais.

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A candidatura dos norte-americanos oferece sua localização, experiência comprovada, estádios do mais alto nível e de grande capacidade e infraestrutura já existente, enquanto Marrocos aposta no seu tamanho compacto e seu fuso horário, que é atraente especialmente para a Europa. A estimativa dos organizadores é precisar gastar cerca de US$ 16 bilhões para adequar o país para o evento, o que inclui a construção de nove estádios e reforma de outros cinco, além de adequação de 130 centros de treinamento.

Pela primeira vez no processo de candidatura para a Copa, se as candidatas não suprirem os requerimentos da entidade, ela poderá ser desclassificada antes da votação – uma medida criada para evitar um novo Catar, considerada uma candidatura de risco por não cumprir vários requerimentos, mas que foi à votação mesmo assim e acabou vencendo. Cerca de 70% da pontuação dos requerimentos estarão relacionados aos estádios, enquanto os outros 30% da pontuação de avaliação de requerimentos aos custos dos projetos e de receitas.

“Nós estamos em ótima situação. Tem que ser a candidatura esportiva mais abrangente já feita”, diz o diretor executivo da candidatura, John Kristick, em entrevista à ESPN americana. A infraestrutura é chave para os americanos, tanto que as cidades escolhidas possuem estádios já prontos e de grande porte, com capacidade média acima de 68 mil pessoas.

“Nós temos novas cidades, nós temos uma combinação de cidades com novas instalações e instalações que foram recentemente reformadas ou ainda serão”, afirmou Kristick. A proposta final foi enviada na última sexta-feira, prazo final para entrega dos documentos de candidatura. “Para mim, é a combinação perfeita. O fato de estarmos nos candidatando com um excesso de oferta [de cidades] apenas mostra o intenso interesse nos três países. Isso é importante para nós”.

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Chicago e Vancouver desistiram por incertezas da Fifa

O fato da aposta dos norte-americanos ser em infraestrutura já existente, sem a construção de nenhum estádio novo, por exemplo, é algo novo no que vemos em relação às últimas Copas. É uma consequência clara das desconfianças sobre candidaturas como a da Rússia para este ano, 2018, e especialmente do Catar para 2022, que batem recordes de gastos com obras de infraestruturas enormes e muitos estádios construídos.

No Brasil, em 2014, embora o país já tivesse muitos estádios, mais foram construídos – mesmo em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, com estádios grandes. O Maracanã foi reconstruído praticamente do zero. Em São Paulo, foi levantada a Arena Corinthians, que sediou o evento. Foi assim nas outras sedes também.

Em outubro, a lista de cidades era de 32 cidades. Esse número caiu para 23, sendo que algumas decidiram sair por conta própria. Chicago, uma das cidades mais importantes dos Estados Unidos, foi também sede do jogo de abertura da Copa do Mundo de 1994, mas ficará fora da candidatura para 2026. Vancouver, no Canadá, que sediou jogos da Copa do Mundo Feminina no Canadá, em 2015, também ficou fora. Outras cidades que ficaram fora incluem Charlotte, Detroit, Las Vegas, Minneapolis (que desistiu), Phoenix, Salt Lake City e Tampa.

O prefeito de Chicago, Rahm Emmanuel, afirmou ao jornal Chicago Sun-Times que havia muitas incertezas da Fifa em relação às exigências para as cidades. “A Fifa não conseguiu nos dar um nível básico de certeza sobre algumas grandes dúvidas que colocam nossos cidadãos pagadores de impostos em risco. A incerteza para os pagadores de impostos, combinada com a inflexibilidade da Fifa e falta de vontade de negociar, foram claros indicadores que seguir interessado em sediar o evento não seria o melhor para os interesses de Chicago”, diz Emmanuel.

Vancouver teve reclamações parecidas em relação à Fifa, algo que lembra o que vimos no Brasil desde 2007, quando o país venceu a disputa para sediar a Copa 2014. Durante anos lemos sobre os cadernos de encargos da Fifa, que tornaram tudo muito mais caro e gastou muito do dinheiro público para adequar especialmente estádios aos caprichos da entidade. Isso, aparentemente, tinha diminuído, mas ainda não o suficiente para ser tão atraente para todas as cidades.

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Confiança contra concorrência

No último mês, a ESPN americana levou ao ar uma matéria mostrando que embora a candidatura tríplice dos norte-americanos tenha largado como favorita, Marrocos tinha conquistado pontos ao redor do mundo. E alguns acreditam que a rejeição aos americanos dava, inclusive, uma vantagem competitiva a Marrocos. O diretor executivo da campanha confia na capacidade dos três países e na robustez da candidatura para vencer a disputa.

“Ao olhar para as propostas no seu mérito, eles irão analisar os requisitos para a maior Copa do Mundo da história e a certeza que a Candidatura Unida traz – e a oportunidade que ela proporciona em receitas comerciais que irã gerar – e nós esperamos que seja a fórmula que irá provar que a Candidatura Unida é onde a Copa do Mundo deva ser sediada em 2026”, afirmou Kristick.

As cidades da candidatura norte-americana para a Copa 2026:

The 2026 hosts are expected to be announced on June 13.

Canadá: Edmonton, Montreal, Toronto;

México: Guadalajara, Cidade do México, Monterrey;

Estados Unidos: Atlanta, Baltimore, Boston, Cincinnati, Dallas, Denver, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nashville, Nova York/Nova Jersey, Orlando, Philadelphia, San Francisco Bay Area, Seattle, Washington.