O West Ham está cada vez mais próximo da zona de rebaixamento da Premier League, depois de perder para o Burnley, em casa, por 3 a 0. Foi a quarta derrota nas últimas cinco rodadas para um clube que não consegue cumprir as promessas que fez aos seus torcedores, cada vez mais insatisfeitos com a mudança para o Estádio Olímpico de Londres. E, neste sábado, as tensões explodiram com invasões de gramados e fortes protestos contra a diretoria.

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Parte da torcida do West Ham nunca engoliu a troca do Upton Park, histórica casa do clube no leste de Londres, estádio mais acanhado, mas cheio de alma, pelo grande e frio Estádio Olímpico de Stratford. E o fato de o time não conseguir bons resultados na nova casa certamente não ajuda: em 14 partidas da Premier League nesta temporada como mandante, os Hammers conseguiram apenas cinco vitórias e foram derrotados outras cinco vezes, com mais quatro empates.

A transferência de residência deveria ser apenas um dos passos de um projeto grandioso dos donos David Sullivan e David Gold para posicionar o West Ham como um clube de elite da Inglaterra. O sétimo lugar na Premier League de 2015/16, a última no Boleyn Ground, era para ser o primeiro passo, mas, desde então, o clube apenas se desintegra. Foi 11ª colocado na última temporada e agora está brigando contra o rebaixamento.

As tensões começaram ao longo da semana, entre os próprios torcedores. Um grupo organizado de fãs chamado Real West Ham Fans Group, cujos fundadores são antigos hooligans, convocou um protesto por Stratford em direção ao estádio contra a situação do clube. A diretoria chamou uma coalizão de 15 grupos diferentes de torcedores para duas reuniões. Após a segunda, a marcha foi cancelada pelo RWHFG. Outra organizada, chamada West Ham United Independent Supporters’s Association, convocou um segundo protesto, para este sábado, antes da partida contra o Burnley. No entanto, a manifestação teve que ser cancelada depois que o presidente do WHUISA recebeu ameaças pela internet de integrantes do grupo rival.

Mesmo assim, os ânimos pareciam normais no começo da partida, com faixas de protesto que não são mais novidades no Estádio Olímpico. O West Ham fez um primeiro tempo aceitável, no qual não conseguiu marcar porque esbarrou em defesas do bom goleiro Nick Pope. O caos eclodiu aos 21 minutos do segundo tempo, quando Ashley Barnes fez 1 a 0 para o Burnley, e o primeiro torcedor dos donos da casa invadiu o gramado.

Os fiscais foram incapazes de proteger o campo de jogo. Quem precisou parar o invasor foi o capitão Mark Noble, que o derrubou no chão. Enquanto ele era retirado, outros dois torcedores entraram no gramado. Na retomada da partida, o Burnley fez 2 a 0.

 

Outro torcedor entrou em campo com a bandeirinha de escanteio em mãos e tentou cravá-la no círculo central.

 

A polícia posicionou-se ao redor do banco de reservas do West Ham e das linhas laterais. O banco do Burnley abrigou algumas crianças que estavam com medo de se envolverem na confusão. Enquanto isso, torcedores aglomeravam-se abaixo do camarote dos diretores dos Hammers, com cantos de “Vocês destruíram nosso clube”, “Não somos mais o West Ham” e “É tudo mentira, mentira, mentira”. Os donos Sullivan e Gold desapareceram muito antes do apito final.

O humor da torcida do West Ham está muito bem representado pelo desabafo deste torcedor, que acredita que os jogadores deveriam doar seus uniformes para os fãs depois da partida.