Impressiona a maneira como a seleção brasileira tem defendido nesta Copa do Mundo. Nem tudo é perfeito, claro. Mas a solidez da equipe, principalmente nos arredores da grande área, é uma das razões para a campanha sem sobressaltos tantos até as quartas de final. Há espaços que sobram, e por isso mesmo foi essencial a mudança tática realizada durante o primeiro tempo contra o México, formando duas linhas de quatro na marcação e preenchendo as visíveis lacunas exploradas pelos adversários. O sucesso, de qualquer forma, passa por três nomes principais: Thiago Silva, Miranda e Casemiro. Com uma ou outra ressalva, os três têm sido excelentes, com Thiago podendo ser considerado como o melhor jogador do Brasil até o momento. Mais silencioso, todavia, Casemiro trabalha dobrado para manter esta tranquilidade. E, justamente por sua ótima forma, será um desfalque sentido nas quartas de final, quando estará suspenso pelo acúmulo do segundo cartão amarelo.

Casemiro é um jogador que faz o simples, mas se sobressai exatamente por fazer isso tão bem. É um volante de saída de jogo sem complicar, de muito fôlego na cobertura e ótimo trabalho na recomposição. Não contribui tanto ofensivamente neste Mundial, até por errar um pouco mais do que deveria nesta construção. No entanto, o camisa 5 compensa por aquilo que proporciona à defesa. Sem a bola, não teve uma exibição do meio-campista na Copa que ficou abaixo da nota 8. Sempre muito bem em seu papel e, mais do que isso, ajudando a Seleção a corrigir algumas falhas de marcação. O merengue pareceu se multiplicar em campo tantas vezes.

Contra o México, Casemiro foi discreto em sua função na distribuição, até por não arriscar. Em contrapartida, estava onipresente para consertar e dar o combate. A postura agressiva para pressionar os jogadores mexicanos valeu demais ao Brasil, sobretudo no primeiro tempo, quando chegou na hora exata para travar lances que poderiam ter levado muito mais perigo à meta de Alisson. Sua imposição física é um diferencial no meio-campo da Seleção, que não necessariamente conta com grandes marcadores ao seu lado. O camisa 5 ajuda a compensar isso e também aparece bastante para cobrir as costas dos laterais.

Casemiro, como é de se imaginar, está entre os jogadores que mais roubam bolas na Copa do Mundo. O volante é o atleta que mais desarmou na competição até o momento. E contribui aos números o que aconteceu diante dos mexicanos nesta segunda-feira. O camisa 5 tentou roubar a bola oito vezes, vencendo as divididas em seis delas. A maioria absoluta das ações aconteceu logo na entrada da grande área, travando os adversários. Uma pena que o cartão recebido já contra a Suíça cobrou agora o seu preço, culminando no segundo amarelo e na suspensão.

Fernandinho é o substituto natural de Casemiro, não há o que se questionar, e se saiu bem nos dez minutos em que jogou contra o México. O segundo gol do Brasil, afinal, sai a partir de uma recuperação de bola sua, tomando à frente de um adversário antes de partir em velocidade e dar o passe para Neymar. O volante do Manchester City também vem de uma boa temporada e até possui uma saída de bola melhor que o companheiro, embora não a mesma imposição física ou o mesmo poder de marcação. De qualquer forma, se há dúvidas quanto à ausência de Casemiro, é pelo sarrafo altíssimo que ele mesmo botou na posição, pela Copa do Mundo enorme que vive defensivamente. Será um desafio suplantá-lo principalmente por isso. O camisa 5, até aqui, foi o encaixe perfeito a Thiago Silva e Miranda.