Não foi a regra geral, mas muitas vezes se viu, durante esta Copa do Mundo, torcedores um pouco alheios às partidas que se desenrolavam nos gramados. Pessoas que foram ao estádio mais pelo evento do que pelo jogo de futebol, excessivamente preocupadas com as fotos que seriam postadas nas redes sociais e dando pouca importância aos lances que entrariam para a história do futebol. Tudo bem, quem pagou o ingresso aproveita do jeito que quiser. Mas, para compensar a pressão de jogar em casa, a seleção brasileira precisava de uma torcida mais participativa e, em Fortaleza, finalmente conseguiu.

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Houve instagramismos, como na hora de cantar o hino nacional ou no pênalti convertido por James Rodríguez, quando quase todo mundo pegou o celular para gravar, A maioria das 60 mil pessoas que estiveram no Castelão, porém, jogou junto com o Brasil – exceção óbvia aos colombianos – e reagiu aos lances da forma como se espera de quem está envolvido com a partida.

No entorno do estádio, antes do apito inicial, o clima já era de muita provocação sadia. A música que lembra os mil gols de Pelé, em detrimento a Maradona, embora um pouco rude, ganhou as gargantas dos brasileiros. Ouvia-se também um grito provocativo – e um pouco deselegante – sobre a colombiana Shakira e um clássico “Ah, ah, ah, vão voltar para Bogotá!”.

Durante o jogo, David Luiz deu uma arrancada destrambelhada e ouviu o seu nome ser gritado a plenos pulmões. Aprenderam com os mexicanos o grito de “Puuuuuutoooo” para atrapalhar o goleiro prestes a cobrar tiro de meta. Entoaram que o “campeão voltou” quando o Brasil fez os seus gols. Lembraram os pênaltis defendidos por Júlio César contra o Chile quando James Rodríguez preparou-se para a cobrança. Saiu o gol dos adversários e os gritos de “Brasil” ganharam os ares, tentando levantar a moral da equipe.

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E os jogadores retribuíram. A comemoração de David Luiz, depois de uma cobrança de falta irretocável, foi muito parecida às que vimos na final da Copa das Confederações, quando os jogadores deixaram de lado qualquer tipo de coreografia para caírem nos braços dos torcedores. O zagueiro do Paris Saint-Germain saiu correndo e vibrando em direção à arquibancada. Marcelo subiu na grade e celebrou como um louco. Como deveria ser sempre em jogos tão importantes como os da Copa do Mundo.

Depois da partida, ninguém quis admitir, mas a atmosfera foi diferente no Castelão. O único que saiu um pouco do discurso político de dizer que “a torcida sempre vem apoiando e ajudando bastante” foi o meia Oscar. Ele acredita que à medida que o torneio vai se afunilando, os torcedores vão ficando mais intensos e mais envolvidos. “Cada vez vai ficando mais emocionante, mais decisivo, e a torcida nos ajudou bastante, apoiou até o final”, disse.

Agora a bola está com Belo Horizonte. Mais do que nunca a seleção brasileira vai precisar do apoio das arquibancadas depois de perder Neymar por lesão. Se o espetáculo do Castelão for repetido, talvez compense, ao menos um pouco, a principal ausência que o time de Felipão poderia ter. No mínimo, garante o lado bom de jogar uma Copa do Mundo em casa, o que não estava sendo tão nítido nos últimos jogos.