Zahir Belounis viveu um inferno no Catar. O jogador franco-argelino não teve seus salários pagos enquanto defendia o El Jaish, entrou na justiça contra o clube e acabou tendo seu passaporte retido. Uma situação de pressão levou o atleta ao extremo, ameaçando fazer uma greve de fome até cogitar o suicídio. Dois anos depois do início do imbróglio, enfim, Belounis conseguiu a permissão para deixar o território catariano.

A liberdade a Belounis só foi dada após a grande repercussão em torno do caso. Além da imprensa, vários outros organismos passaram a dar apoio ao jogador: o governo francês, em movimento liderado pelo presidente François Hollande; a FIFPro, organização internacional de futebolistas profissionais; e até mesmo os embaixadores da Copa do Mundo de 2022, Pep Guardiola e Zinedine Zidane.

Ainda não está claro se Belounis conseguiu a permissão para sair do Catar ao abrir mão dos salários que deveria receber, como queriam as autoridades do país. Independente do resultado, não diminui o tamanho da humilhação enfrentada pelo jogador. Em um país acusado de escravizar trabalhadores em suas construções, o franco-argelino dificilmente ganharia tanto espaço se não resolvesse abrir seu caso.

Quantas outras histórias como esta não podem estar acontecendo na surdina? Parte do preço pelo qual a Fifa aceitou vender a Copa aos catarianos, um país com oferta financeira imensa, mas o mínimo de respeito pelos direitos humanos. É a deixa para que ações contundentes e investigações sejam iniciadas, mas tudo deverá ficar na conivência de render milhões a Blatter e seus parceiros.