Semanas após a queda na Liga dos Campeões, o Paris Saint-Germain saiu um pouco do radar internacional. Diminuiu a pressão sobre si e, como obrigação, passou a empilhar as esperadas taças nas competições domésticas. Hora certa de colocar ordem na casa. Unai Emery anunciou sua saída do Parc des Princes, após duas temporadas em que ficou abaixo das exigências. Além disso, há um pouco mais de atrito quanto a Neymar, alvo de críticas da torcida por voltar ao Brasil para o seu tratamento. Mas ao menos para Edinson Cavani, a relação com o camisa 10 está bem. Nesta semana, o centroavante comentou sobre o imbróglio pelas cobranças de faltas e pênaltis meses atrás, indicando que tudo se resolveu internamente.

“É verdade que houve um problema com Neymar naquela época. Nós conversamos sobre o assunto e eu disse que seria o primeiro a querer que ele conquistasse as coisas individualmente. Entretanto, falei que havia uma condição e era que ele precisava colocar os objetivos coletivos do time em primeiro lugar. Eu sou um operário do futebol, não uma estrela. Se tenho companheiros que podem conquistar prêmios individuais, então farei tudo para ajudá-los. Eles precisam colocar as metas da equipe à frente, todavia. Gradualmente, nós passamos a nos entender”, afirmou Cavani, em entrevista à Rádio RMC, sem minuciar a questão do bônus que ganharia com a artilharia da Ligue 1. O uruguaio, inclusive, defendeu Neymar em relação aos torcedores, afirmando que ele não deveria ser vaiado.

Sobre outros assuntos, Cavani também discutiu sua permanência no PSG. Maior artilheiro da história do clube, o centroavante tem seu nome especulado em outras equipes, entre elas a Juventus. No entanto, se mostra consciente de que seu tempo em alto nível está próximo do fim e que uma mudança a esta altura poderia ser arriscada.

“Eu tenho contrato até 2020. Minha história de amor com o clube tem crescido há um tempo, estou muito feliz no PSG. Eu absolutamente quero alcançar os objetivos traçados pelo clube. Sonho em conquistar a Liga dos Campeões aqui. Honestamente, já tenho 31 anos, acho que posso jogar por mais duas ou três temporadas em alto nível e quero estar concentrado durante este período. Por que eu pensaria em ampliar meu contrato? Eu não sei qual será a minha forma em 2020”, apontou.

Para que o PSG alcance seus objetivos, porém, Cavani acredita que o time precisa melhorar o seu trabalho coletivo – uma crítica constante após a queda ante o Real Madrid: “Para mim, futebol é vida. É absolutamente essencial dar tudo e permanecer juntos. Nós precisamos ser mais unidos. Temos que nos expressar de maneira grandiosa como uma unidade, não apenas como um time. Precisamos ser irmãos, uma família”.

Sobre a saída de Unai Emery, o centroavante elogiou o empenho do comandante à frente do PSG, mas entende a opção pela mudança: “Parabenizo Unai por tudo o que deu ao PSG. Estou certo que ele deu seu máximo a cada dia no clube. Eu vi seu desejo de vencer. Algumas vezes, as coisas não funcionam. Você não pode ganhar tudo o que deseja. O futebol é assim. Entretanto, eu sei que ele fez seu máximo, deu seu máximo”.

Por fim, Cavani exaltou Kylian Mbappé. Para o uruguaio, o garoto pode buscar grandes feitos na carreira, inclusive na próxima Copa do Mundo: “Um jogador não pode ganhar sozinho. Um grande jogador trabalha como parte do time para ganhar coisas maiores. Kylian pode oferecer muito à França, mas ele não deve colocar muita pressão sobre si. Ele se desenvolverá e se tornará mais responsável com a equipe. Se permanecer calmo, irá evoluir, tem muitas qualidades. Há muito o que aprender, mas pode ir longe se mantiver a trajetória”.