Em tempos decepcionantes ao Arsenal, Santi Cazorla foi um dos raros que fez por merecer o carinho da torcida no Estádio Emirates. Honrou a camisa dos Gunners por seis anos, embora os três últimos tenham sido bastante difíceis, por conta da sequência de lesões que sofreu. O retorno do espanhol aos treinos acabou sendo uma das melhores notícias recebidas pelo clube neste ano, especialmente quando se pensa no calvário enfrentado pelo veterano, correndo o risco de ter a perna amputada e de sequer voltar a caminhar. O esboço da volta, todavia, se tornou sinal da despedida. Nesta segunda, a diretoria dos londrinos emitiu um comunicado avisando que o contrato do jogador não será renovado.

Em uma de suas últimas entrevistas coletivas, Arsène Wenger avisou que o Arsenal ainda avaliaria a situação de Cazorla. Analisaria as suas condições físicas para decidir sobre a renovação. Dado o profissionalismo do jogador, que se empenhou ao máximo em sua recuperação, era de se esperar que o clube demonstrasse certa consideração. Não foi o que aconteceu. Não dá para dizer se houve má fé da diretoria ou fazer qualquer avaliação mais incisiva sobre a postura. Fato é que a história do espanhol no Emirates chega a um fim.

Cazorla se despede como um dos jogadores mais queridos da torcida do Arsenal no período. Os ingleses aprenderam a apreciar um meia de rara qualidade técnica, capaz de conduzir o time em diversas partidas. A visão de jogo, os dribles em curtos espaços, os passes açucarados, a maestria nas bolas paradas e a capacidade para usar os dois pés são virtudes que sempre serão exaltadas. Além do mais, em seus três anos saudáveis, o espanhol ajudou com 29 gols e 45 assistências. Embora uma opção ofensiva, não demonstrou qualquer vaidade quando precisou atuar mais recuado. Pelo contrário, seguiu exibindo seu talento. E em sete partidas, portou a braçadeira de capitão.

O final desta história, aliás, não será triste a Cazorla. Aos 33 anos, o meia deve voltar para casa. Segundo o antigo companheiro Marcos Senna, o veterano deve retornar ao Villarreal, clube que o transformou em jogador de seleção e o botou entre os melhores armadores do país. Santi passaria a pré-temporada com o Submarino Amarillo, um teste para que a comissão técnica pudesse avaliar a sua contratação, diante de todas as questões físicas que o cercam. Não deixaria de ser um ótimo acréscimo à próxima Liga Europa.

O lamento fica aos torcedores do Arsenal. Seria bacana ver Cazorla vestindo a camisa do clube mais uma vez, mesmo que fosse para ser reserva na próxima temporada. O veterano segue em frente, buscando seu novo caminho. Fica a gratidão a quem respeitou a instituição e deu tudo de si. Restam as boas memórias. Apesar das ambições modestas do Arsenal nos últimos anos, o camisa 19 foi um dos poucos que realmente buscou engrandecer os Gunners. Os gols e passes decisivos nas finais que disputou pelos londrinos são provas irrefutáveis disso. Duas Copas da Inglaterra e duas Community Shield vencidas em campo já valeram para deixar a marca do pequeno gigante.