A temporada do Arsenal, que começou como forte concorrente ao título da Premier League, já definhou para uma briga acirrada pela última vaga na Liga dos Campeões com o Everton. A contratação de Mesut Özil e o bom início de jogadores como Aaron Ramsey e Olivier Giroud tinham deixado os Gunners confiantes de que finalmente a sala de troféus no Emirates seria atualizada. De lá para cá, muitas frustrações acabaram deixando o time longe da briga pela taça do Inglesão, mas ainda há esperanças de que, pela primeira vez em praticamente nove anos, o clube conquiste algo. O caminho está aberto na Copa da Inglaterra, da qual o Arsenal é semifinalista, mas isso não parece suficiente para Santi Cazorla.

O espanhol tem sido um dos principais jogadores do time na temporada, e, portanto, o que ele diz publicamente tem importância. Pois bem, as palavras da entrevista mais recente do meio-campista, embora aparentemente inofensivas, acabam sendo um fantasma para os torcedores dos Gunners.

“Não temos uma mentalidade vencedora, e temos que acreditar (mais) em nós mesmos. Às vezes, você se acostuma a não batalhar, mas não podemos fazer isso. O Arsenal é e sempre será um clube histórico, temos que olhar para a frente. Tivemos azar em vários jogos. Tivemos muitas chances para vencer contra o Manchester United, e teve o pênalti no Özil (no jogo contra o Bayern de Munique). Não conseguimos nos recuperar depois que fomos eliminados para o Bayern na Liga dos Campeões. E a derrota contra o Stoke acabou com a gente. Não dá para perder contra o Stoke se você aspira ser o campeão”, comentou Cazorla em entrevista ao site Sport360.

As coisas das quais se queixou Cazorla são justamente as mesmas que motivaram jogadores como Robin van Persie, Gael Clichy e Samir Nasri a deixarem o Emirates. Talvez dê para incluir nessa lista também Cesc Fàbregas, embora o fato de retornar para o clube onde cresceu tenha sido o principal fator, aparentemente. É por isso que as declarações do espanhol pode causar um temor nos torcedores de que esse tipo de pensamento está presente também no grupo nesta temporada. Ainda assim, eles podem se agarrar ao fato de que uma série de jogadores jovens e importantes para o time principal renovou seu contrato recentemente, firmando vínculos longos, como Aaron Ramsey, Alex Oxlade-Chamberlain e Jack Wilshere.

Outra questão também apontada como fator para a debandada de jogadores de grande potencial no passado recente do clube foi a falta de contratações de grandes atletas para colocar o time em um patamar que lhe permitisse brigar por títulos. Cazorla reclamou disso também durante a entrevista.

“O Arsenal tem tudo para vencer. História, infraestrutura, um estádio incrível e grandes jogadores. Mas nós temos que melhorar em momentos cruciais e contratar os melhores jogadores, porque se você não fizer isso, você poder dar a largada atrás dos outros. Isso é o que faz as diferenças nos outros clubes. Um bom exemplo é o Manchester City, que contratou Fernandinho, Negredo, ou mesmo o Manchester United, com o Van Persie e o Mata. O Arsenal sabe do que precisa para a próxima temporada, mas é quase impossível vencer um título se não temos esse tipo de coisas”, avaliou o espanhol.

“Eu quero títulos, e é por isso que eu vim para o Arsenal. Todo jogador de futebol quer ganhar títulos. Passamos muitos anos sem vencer nada. Se não ganharmos, o que procurarei no meu próximo destino será a chance de vencer”, completou Cazorla.

Independentemente das afirmações de Cazorla, neste sábado o Arsenal enfrenta o Wigan, da segunda divisão, em uma das semifinais da Copa da Inglaterra. A outra é composta por Hull City e Sheffield United, da terceirona. Nunca nos últimos anos o caminho para o Arsenal levar um título foi tão fácil, exceto pela final da Copa da Liga Inglesa de 2011, vencida pelo Birmingham. Todo esse papo pode acabar ficando para a trás com uma eventual conquista da FA Cup. É bom que essa não escape, caso contrário Arsène Wenger, se continuar como técnico dos Gunners, precisará de ótimos argumentos para manter a confiança dos atletas no projeto do clube.

Entrevista do Cazorla sobrou até para Szczesny

Outro que talvez não tenha apreciado muito a entrevista do espanhol foi Wojciech Szczesny. Primeiro o polonês viu Olivier Giroud pedir que Hugo Lloris deixasse o Tottenham para jogar pelo Arsenal. Desta vez, Cazorla foi quem fez lobby para que um compatriota defenda a meta dos Gunners.

“Eu falei para ele (Casillas), que gostaria que ele fosse para o Arsenal, mas até agora ele apenas ficou curioso sobre minha experiência na Inglaterra. A situação dele é muito complicada, mas ele tem que tomar uma decisão. Muitos clubes o querem, inclusive o Arsenal, mas acho que seria muito difícil ele deixar o Real Madrid, pelo o que o clube representa”, revelou o meia. Nada bom para a autoconfiança de Szczesny, que na verdade faz temporada relativamente boa.