Uma hora ou outra, Cenk Tosun parecia pronto a arrumar as malas rumo à Inglaterra. O centroavante turco tinha sido alvo do Crystal Palace nos últimos meses, em negócio que não se concretizou. Melhor para o artilheiro e também para o Besiktas. O primeiro semestre da temporada serviu para que Tosun se valorizasse ainda mais e fosse fundamental na histórica classificação das Águias aos mata-matas da Liga dos Campeões. Mas não houve o que o segurasse na Vodafone Arena. Seu sarrafo aumentou um bocado e a janela de transferências de inverno abriu com fortes rumores sobre sua venda ao Everton. Trâmites que se concretizaram nos últimos dias, em compra avaliada em €30 milhões, além de contrato firmado pelos próximos quatro anos e meio.

A contratação de um centroavante era a grande necessidade do Everton. Apesar do mercado movimentado no início da temporada, os Toffees falharam nas tentativas de trazer um substituto para Romelu Lukaku. E isso impactou negativamente na equipe, diante de seu mau início na Premier League. Oumar Niasse ficou aquém de dar conta do recado e a inexperiência também não auxiliou Dominic Calvert-Lewin. Assim, o principal pedido de Sam Allardyce para a sequência de seu trabalho foi a busca de um matador. E ele veio de maneira um tanto quanto imediata, a partir da compra de Cenk Tosun.

A carreira do turco, por sua vez, é peculiar. Ele demorou a se firmar no primeiro escalão de atacantes em seu país. Nascido na Alemanha, começou a carreira no Eintracht Frankfurt, mas logo seguiria ao Gaziantepspor. Passou a chamar um pouco mais de atenção na Süper Lig e ganhou uma oportunidade no Besiktas em 2014. Durante as duas primeiras temporadas com as Águias, até parecia um jogador comum, sem causar tanto impacto. Sua transformação veio a partir de 2016/17, assumindo as responsabilidades após a venda de Mario Gómez. O turco, então, se tornou o grande protagonista dos alvinegros no bicampeonato nacional e também brilhou na Liga dos Campeões. O suficiente para que times de outras ligas crescessem os olhos em seus serviços.

Aos 26 anos, Cenk Tosun apresentou diversos predicados ao longo dos últimos meses. É um atacante de boa presença física, mas que pode se combinar com outro jogador de área (como fez como Vincent Aboubakar) ou abrir espaços para quem chega de trás. Sabe se posicionar bem, aproveita os contra-ataques e tem uma ótima capacidade de definição, primando ainda pela beleza de alguns de seus tentos. A princípio, deve formar uma dupla perigosa ao lado de Wayne Rooney, embora a sua adaptação na Premier League seja uma interrogação. As mostras em alto nível são relativamente pequenas. De qualquer forma, em sua chegada, o turco fez questão de lembrar que balançou as redes contra o Tottenham na Liga Europa, em 2014/15.

Ao Besiktas, por fim, resta correr atrás de um novo protagonista. A diretoria alvinegra demonstrou uma grande capacidade no mercado durante os últimos anos, ao fazer dinheiro com seus destaques. Não perderia a oportunidade desta vez. No entanto, ainda há um jogo importante nas oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique e, deste modo, as Águias miram outro medalhão para encarar os bávaros. Se a experiência se sobressai no atual elenco comandado por Senol Günes, essa também deve ser uma tendência na reposição de Tosun. Islam Slimani e Oliver Giroud despontam entre os nomes especulados, para rechear um elenco que já conta com Álvaro Negredo entre as alternativas.