Uma polêmica tomou conta de Sheffield, cidade de pouco mais de 550 mil pessoas no centro da Inglaterra. Quase 60 mil torcedores do Sheffield United assinaram uma petição para protestar contra a contratação de Ched Evans, que foi o artilheiro do time na temporada 2011/12 e jogador da seleção galesa. Isso porque o jogador, de 25 anos, foi condenado a cinco anos de prisão por estupro em 2012. O clube tem planos parta levá-lo de volta aos gramados assim que ele receber liberdade condicional, em outubro, mas parte importante da torcida se mostra contrária, o que deixa os dirigentes em uma situação delicada.

O atacante galês foi condenado pelo estupro de uma mulher de 19 anos em um hotel próximo a Rhyl, no norte de Gales, depois de uma festa. Ele estava com um amigo, também jogador, Clayton McDonald. Os dois admitiram que fizeram sexo com a mulher e a promotoria argumentou que ela estava muito bêbada para consentir.  O juiz declarou, com base em vídeos de câmera de segurança do hotel, que a jovem chegou cambaleando e sem condições de consentir. McDonald, porém, escapou da acusação de estupro e foi absolvido. Evans foi condenado a cinco anos de prisão. Evans teria sido o arquiteto do plano. A vítima diz que não se lembra de nada e suspeita que sua bebida tenha sido batizada com algo como o “boa noite Cinderela”. Os dois alegam ser inocentes da acusação e que o sexo foi consensual.

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O protesto acontece porque o clube planeja contratar novamente o jogador quando ele for liberado, em outubro, por ter cumprido metade da pena. O jogador, de 25 anos, teria seu retorno aprovado pelo príncipe Abdullah Bin Mossad Bin Abdulaziz Al Saud, da Arábia Saudita, um dos homens mais ricos do mundo e um dos donos do Sheffield United. O técnico Nigel Clough e o presidente do clube, Kevin McCabe, visitam o jogador na prisão frequentemente.

Um dos dirigentes do clube, Pete Whitney, confirmou que o clube se interessa na volta do atacante. “Ched está voltando. Ele ainda tem seus melhores anos pela frente. Eu tenho certeza que ele terá uma boa recepção, mas é claro que pode ter uma pequena minoria que irá se opor”, declarou o dirigente, responsável pelo contato com os torcedores do Sheffield United, ao jornal inglês Daily Mirror, em maio.

A ideia de levar o jogador de volta tem a ver com o aspecto técnico. Ched Evans marcou 35 gols na temporada 2011/12 pelo clube na League One, terceira divisão do país. A namorada de Evans, Natasha Massey, disse que o jogador espera voltar ao trabalho. “Ched ama o clube e os torcedores. Ele quer o seu antigo trabalho de volta”. A namorada afirma que Evans é inocente e o ajudará a limpar o seu nome.

É, só que a recepção não é tão boa quanto talvez o jogador imagine. A petição endereçada ao presidente do Sheffield United, Kevin McCabe, pede que o clube repense a decisão de contratar o jogador. “Mesmo considerar recontratá-lo como jogador é um profundo insulto à mulher que foi estuprada e todas as mulheres como ela que sofreram nas mãos de um estuprador”, diz o texto da petição. “A mensagem é que homens que cometem crimes tão atrozes irão sofrer só uma pequena penitência, enquanto as mulheres que eles atacaram sofrerão pelo resto das suas vidas. O Sheffield United Football Club não deve reforçar essa mensagem”, diz a mensagem.

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A diretora de comunicações da Rape Crisis, organização que combate o estupro e oferece apoio às vítimas, Katie Russell, disse que o clube deveria refletir bem antes de recontratar o atacante. “É claro que é direito de qualquer pessoa condenada cumprir a sua sentença e depois voltar a ter um emprego. Nós apoiamos completamente isso. Mas, ao mesmo tempo, nós pedimos que o Sheffield United pense cuidadosamente sobre a mensagem que eles irão mandar quando reempregarem imediatamente alguém que foi condenado por um crime tão sério”, declarou.

“Se eles optarem fazer isso, o que é direito deles, nós pedimos que eles considerem seriamente o impacto que isso terá no enorme número dos seus torcedores e nós pedimos que faça uma declaração muito forte condenando a violência sexual, condenando a violência contra mulheres  e meninas e deixando claro que a misoginia, machismo, violência e violência sexual em particular não sejam tolerados dentro do futebol”, disse Russell.

O Sheffield United continua na League One, terceira divisão inglesa. A ideia do clube é subir para a Championship, segunda divisão. Os dirigentes do clube viverão um dilema: recontratar o jogador que fez 47 gols em 112 jogos pelo time, mas foi condenado por estupro, mesmo com o protesto da torcida? A bola está com os dirigentes do Sheffield United.

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