Grande campanha com o Uruguai na Copa do Mundo 2010, em que a seleção sul-americana foi a quarta melhor do torneio, algo que não acontecia desde 1970. Aos 31 anos e com a camisa do Atlético de Madrid, Diego Forlán foi um dos destaques naquele Mundial, marcando cinco gols e sendo eleito o melhor atleta. Titular no clube espanhol, o uruguaio vivia bom momento na carreira, o que durou até o fim da temporada 2011/12.

Com apenas dois gols em 18 jogos já pela Internazionale, Forlán não tinha mais espaço na Europa. Poderia ter encerrado a carreira em alto nível, com prêmio da Fifa debaixo dos braços, mas resolveu se aventurar em Porto Alegre. Foi até bem no fraco Campeonato Gaúcho de 2013, sendo o artilheiro da competição, com nove gols em 13 partidas.

No Campeonato Brasileiro 2013, de nível bastante superior, Forlán sucumbiu junto de seus companheiros, anotando apenas cinco gols em 15 jogos. Muito pouco para quem embolsava R$ 750 mil mensais (R$ 9 milhões por ano). Mesmo com 22 gols em 55 partidas oficiais, a passagem do uruguaio pelo Beira-Rio não deixará nenhuma saudade.

Mesmo aos 34 anos e em flagrante declínio físico/técnico, algo natural, Diego Forlán acertou contrato com o Cerezo Osaka, quarto colocado no Campeonato Japonês 2013. Vai receber R$ 14,1 milhões por temporada, o atual recorde na liga nipônica, superando a transferência do inglês Gary Lineker, que deixou o Tottenham rumo ao Nagoya Gramphus pela metade do valor de Forlán, em 1992/93, edição inaugural da J League.

Shunsuke Nakamura, que fez carreira no Celtic e foi eleito o melhor atleta da temporada 2013, aos 35 anos, elogiou a chegada do uruguaio, que para ele tem muito a acrescentar ao futebol japonês. Não se pode negar que Forlán é midiático e movimentará a competição a partir de 1º de março, mas o ganho dentro de campo representa uma incógnita.

Mudança de patamar

O futebol no Japão cresceu muito nas décadas passadas, tanto que a liga nacional deixou de importar estrelas apenas para atrair os torcedores, passando a revelar jogadores e negociá-los com grandes clubes europeus. Atualmente, 147 atletas nipônicos atuam no exterior, com destaque para Keisuke Honda (Milan), Shinji Kagawa (Manchester United), Yuto Nagatomo (Internazionale) e Hiroshi Kiyotake (Nürnberg), os mais valiosos – acima de € 10 milhões.

A maioria dos japoneses em grandes ligas europeias ou é nova ou está no auge da carreira, na casa dos 27 anos, alguns titulares em suas equipes. Ainda há as jovens promessas, como Ryo Miyaichi (Arsenal), Mitsuru Maruoka (Borussia Dortmund) e Hiroshi Ibusuki (Valencia). O problema está na qualidade dos atletas que permanecem no país…

Yoichiro Kakitani, do Cerezo Ozaka, talvez seja o mais apto a deixar o Japão no futuro, depois de ter passado período nebuloso na carreira, que o levou à segunda divisão nacional – está sendo especulado por Fiorentina e Arsenal. Entretanto, no que tange aos estrangeiros, nenhum tem apelo em seu país de origem ou atua por uma grande seleção nacional – exceto Forlán.

O Brasil tem 29 atletas – o maior número – na elite japonesa, sendo destaques Leandro Domingues (Vitória, Cruzeiro) e Fábio Simplício (São Paulo). Os sul-coreanos vêm logo atrás, com 24 jogadores, apenas dois convocados para os últimos jogos da seleção principal, ambos jovens e com menos de dez partidas pelo país.

Talvez o mais famoso dentre os estrangeiros em seleções nacionais – depois de Forlán – seja o atacante australiano Joshua Kennedy, 31 anos, que tem 33 jogos pelos Socceroos e joga no Nagoya Grampus – deve estar na Copa do Mundo 2014. O compatriota Mitch Nichols, contratado pelo Cerezo nesta janela, tem 24 anos e só quatro jogos pela seleção. Somente eles devem estar no Mundial do Brasil, muito pouco para a liga japonesa. Dinheiro, como se pode ver pelos salários de Diego Forlán, não parece ser problema.

Falta de torcedores nos estádios também não, pois o Urawa Red Diamonds, sexto colocado na temporada passada, levou média de 37.100 pessoas por jogo, a melhor da liga – a pior foi a do Shonan Bellmare (9.911 torcedores), números de fazer inveja aos clubes brasileiros. O Japão ainda é o melhor futebol da Ásia, mas precisa superar o dueto êxodo de atletas/atratividade da liga, para que não se perca no caminho da evolução. Forlán, em final de carreira, não parece ser a melhor opção.

Curtas

- Diego Forlán não é o primeiro estrangeiro a ter jogado por seleção nacional e depois defendido o Cerezo Osaka. A equipe já teve em seus quadros o goleiro Gilma Rinaldi, tetracampeão com a seleção brasileira, o zagueiro João Carlos (Cruzeiro, Corinthians), Sérgio Manoel (Botafogo) e Fábio Simplício. Outro destaque é o eterno Jorge Dely Valdés, estrela da seleção do Panamá. Apenas cinco (três japoneses e dois sul-coreanos) estavam no clube quando jogaram Copa do Mundo, em 1998 e 2002.

- O elenco mais bem avaliado na J League 2014 é o do Urawa Red Diamonds (€ 18,7 milhões), seguido pelo Sanfreece Hiroshima (€ 14,3 milhões). O Cerezo Osaka é apenas o quinto (€ 13,4 milhões). O mais barato é o do novato Tokushima Vortis, que desde 2005 disputava a segunda divisão nacional (€ 5,3 milhões). Kleiton Domingues, revelado no Vitória e que estava no ASA de Arapiraca, faz parte do elenco – é irmão de Leandro Domingues, desde 2010 no Kashiwa Reysol.


Uma resposta para “A chegada de Forlán em nada ajuda o futebol japonês”

  1. Daiti disse:

    Urawa, o primo rico da J-League. E que amarela nas retas finais e decisões há um bom tempo

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