A bola rolou no Pacaembu quase vazio às 19h30 (Foto: Bruno Bonsanti/Trivela)

Chegar ao Pacaembu às 19h30? Fomos descobrir como os torcedores conseguiram

O Palmeiras tinha uma boa vantagem contra o Avaí (fez 2 a 0 na Ressacada), e talvez não houvesse tanto risco de ser eliminado da Copa do Brasil. Mas era uma partida de mata-mata e quem poderia saber o que aconteceria? Pois apenas 6.576 pessoas pagaram ingresso para descobrir. Um pouco mais da metade da média de público do clube no Campeonato Brasileiro – quase 11 mil. As causas envolvem a fase do time, o frio de São Paulo e também o tão discutido horário do jogo. Só que dessa vez o problema não foi ser muito tarde.

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O problema foi ser muito cedo. O pontapé inicial foi marcado às 19h30 em uma cidade com mobilidade urbana tão desenvolvida quanto as habilidades culinárias de um hipopótamo. A acessibilidade ao Pacaembu, na região central, sofre com a hora do rush e, 20 minutos antes do início da partida, a Praça Charles Miller estava vazia. Dentro do estádio, apenas a arquibancada amarela (setor das organizadas) carregava um público aceitável. Tobogã, cadeiras e arquibancada verde estavam às moscas.

Esse horário não é abrangente, embora haja público que o adore. Na maioria, profissionais liberais e autônomos que conseguem fazer o próprio horário. Saem um pouco mais cedo do emprego e vão direto. Quem trabalha na região também gosta. Quem não trabalha em lugar nenhum e só estuda (ou nem isso), mais ainda.

Mas mesmo essas pessoas admitem que poderia ser um pouco mais tarde. Exceto por duas pessoas, que gostariam que o jogo fosse ainda mais cedo, quase todos os cerca de 20 torcedores que conversaram com a Trivela durante Palmeiras e Avaí definiram o horário das 20h30 como o ideal para o futebol. “Como era antes da Globo”, muitos disseram.

Uma grande discussão sobre o horário das partidas começa a se esboçar, mas uma mudança ainda está longe de acontecer. Enquanto isso, contamos como as pessoas deram um jeitinho para chegar às 19h30 no centro de São Paulo. Alguns não conseguiram e chegaram bem depois do que deveriam.

Vírgilio Visentini, 24 anos, engenheiro

Eu só consigo sair do trabalho às 19h porque bato ponto. Vim da Berrini (zona sul). Com o trânsito, só consegui chegar 20h no estádio. Parei o carro e entrei quase no final do primeiro tempo. Quando eu estudava, achava esse horário ótimo, pois conseguia voltar cedo para casa, mas não tinha ideia de como era a vida do trabalhador e aparentemente a CBF também não sabe. O horário ideal seria algo entre 20h30 e 21h.

André Cremasco, 41 anos, advogado

André Eu moro no interior, a 100 quilômetros de São Paulo, em Valinhos. É o melhor horário para mim. Eu não viria às 20h30 porque chegaria em casa depois da meia-noite. Não pego nada de trânsito, cheguei em 55 minutos. Eu precisei mudar minha rotina, sair mais cedo, mas a gente se programa. Só venho em jogo às 19h30.

Everton Braga, 27 anos, operador da bolsa de valores

Depende do público. Eu acredito que não vai dar 10 mil torcedores. Eu vim de metrô, mas meu horário é flexível. Amigos meus quiseram vir e não puderam. Nove horas é o horário ideal. Dá tempo voltar até o metrô, pegar o ônibus.

Wilton José de Lima, 38 anos, pedreiro

Wilton José de Lima Eu moro aqui perto, moro na Lapa (bairro da zona oeste). A escola entrega a criança em casa e para mim o horário é ótimo. Trabalho como pedreiro, trabalho para mim mesmo. Imagina ter que esperar a novela acabar? Muito tarde.

Thiago Simão, 27 anos, bancário

Thiago Simão Eu acho perigoso. Vim de carro, está escuro, policiamento fraco e a polícia não está nem aí. Deixei o carro perto das casas e preciso caminhar. Cambistas atuando e tudo mais. Trabalho em uma agência bancária na Marquês de São Vicente (zona oeste), então o horário está bom. A questão é segurança. Acho que o ideal seria mais cedo, das 18h às 20h.

Marco Rojo, 34 anos, advogado

É um horário horrível, por causa do trânsito. A sorte é que hoje não teve. Ela (a mulher, Silmara Rojo) sai do trabalho às 17h45. Às vezes a gente chega no intervalo. Meu filho já estava em casa, peguei ela (a filha) às 17h30, ela (a mulher) às 17h45 e viemos direto. Às 20h30 seria perfeito.

Luis Roberto, 50, motorista

Luis Roberto O horário é bom, mas é ruim para chegar. Eu vim de moto, para mim foi tranquilo. Sou uma exceção. Meus colegas não chegaram ainda. Às 22h é horrível, mesmo de moto. O melhor era 20h30, como era antes do monopólio da Dona Globo. Ela (a amiga Samira Von Wolfersorun) só veio porque está de folga.

Thays Campos, 22 anos, produtora de eventos

Thays Campos Para quem gosta de vir em jogo de meio de semana é complicado. Eu trabalho em Pinheiros (zona oeste), mas quem trabalha na Paulista (centro), na Faria Lima (zona sul) não consegue chegar. Meus amigos estão vindo da Vila Mariana (zona sul) e ainda não chegaram.

Theo Abreu, 16 anos, estudante

Theo Abreu Eu acho melhor que o das 21h30, mas eu só estudo. Às vezes, tem um pouco de trânsito, mas acho que o melhor seria um pouco antes, umas 19h, para locomoção. Para o pessoal vir, um pouco mais tarde.

Emílio Luis, 47 anos, corretor

Eu não gosto. Tivemos que pegar um horário alternativo. Trabalho na Saúde (bairro da zona sul). Pegamos a Avenida 23 de Maio, por baixo do Minhocão e deixamos o carro em Higienópolis. Poderíamos ter pegado só a Paulista. Saímos 18h40 e chegamos 19h30, mas precisamos caminhar e chegamos atrasados. É horrível, tinha que ser 20h30.

Rafael Ribeiro, 36 anos, consultor

Rafael Ribeiro Para São Paulo é complicado. Cheguei às 19h35 e sai às 17h30. Trabalho no Morumbi (zona sul) e ainda passei em casa no Butantã (zona sul). É que eu não tenho muito horário. Acho que o melhor seria entre 20h e 20h30, mas a Globo não quer.

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