O Chelsea não atravessa exatamente uma crise, mas vinha de semanas turbulentas. Os tropeços na Premier League, a falta de consistência nas atuações e, por fim, a derrota acachapante diante da Roma na Liga dos Campeões. Vários elementos criavam o clima instável a Antonio Conte, questionado na imprensa principalmente por sua relação com o elenco e com Roman Abramovich. Os Blues precisavam de uma resposta. Ela veio, diante do Stamford Bridge lotado, para derrotar o Manchester United. Os londrinos fizeram uma partidaça e, com autoridade, venceram os Red Devils por 1 a 0. Afirmam-se no Top Four, aproximam-se dos próprios mancunianos e aliviam a pressão – que, agora, recai sobre José Mourinho e a burocracia que atravanca a sua equipe.

A principal novidade do Chelsea estava na zaga, com David Luiz barrado por Conte, e Andreas Christensen em seu lugar. No meio, os Blues contavam com o retorno de N’Golo Kanté, atuando ao lado de Tiemoué Bakayoko e Cesc Fàbregas na faixa central. Já na frente, Eden Hazard compunha dupla com Álvaro Morata. O Manchester United, por sua vez, voltava a apostar no sistema com três zagueiros, usado diante do Tottenham na rodada anterior. Ander Herrera, Nemanja Matic e Henrikh Mkhitaryan compunham a espinha dorsal no meio. Na frente, Romelu Lukaku e Marcus Rashford eram os homens de confiança.

E enganou-se quem esperava uma partida amarrada, entre dois times que prezam pelo trabalho defensivo. Os primeiros minutos demonstraram bem qual seria a tônica, lá e cá, com boas chances para ambos. O Chelsea chegou a ter um gol bem anulado, aos seis, em falta cometida por Morata. O United logo responderia, antes de tomar dois sustos do outro lado, em tentativas de Bakayoko – a primeira delas bisonha, apesar do pênalti não marcado sobre Morata no decorrer da jogada. Pois quando os times passaram a acertar o pé, os goleiros se agigantaram. Thibaut Courtois realizou uma defesaça aos 15, em chute firme de Lukaku. Três minutos depois, seria a vez de Hazard testar David de Gea, que voou para espalmar. No rebote, Fàbregas ainda tentou cabecear, mas errou o alvo.

A partir dos 20 minutos, o Chelsea consolidaria o seu domínio na partida. Mandava no meio-campo e ia criando os seus espaços para atacar. A presença de Kanté soltava bastante Bakayoko e Fàbregas no apoio. Além disso, Hazard gastava a bola, se movimentando bastante e dando trabalho à marcação do United. Faltava caprichar um pouco mais nas finalizações, que não exigiam tanto de De Gea.

O trunfo do Chelsea foi manter a pegada na volta do intervalo. Morata começou a aparecer um pouco mais, aproveitando as brechas defensivas do Manchester United. Caberia justamente a ele marcar o gol decisivo, aos dez minutos. Cruzamento perfeito de César Azpilicueta em profundidade, para que o centroavante se infiltrasse na área e deslocasse a bola para dentro, de cabeça. Depois de seis partidas em jejum, o espanhol voltava a balançar as redes. Gol providencial em diferentes aspectos.

José Mourinho não demorou a mexer no time. Logo mandou a campo Marouane Fellaini e Anthony Martial, reconfigurando a equipe no 4-3-3. O Manchester United passou a ter um pouco mais a bola, mas esbarrava na segurança defensiva do Chelsea, se protegendo muito bem à frente da área. E, do outro lado, os Blues ainda conseguiam escapar, gerando oportunidades de ampliar. A pressão dos Red Devils aumentou um pouco mais quando Conte preferiu se resguardar, sobretudo com a entrada de Danny Drinkwater no lugar de Cesc Fàbregas. Os cinco minutos finais tiveram um bombardeio dos mancunianos, alçando a bola na área e arriscando os chutes. Na melhor chance, Marouane Fellaini parou em defesaça de Courtois. Já nos acréscimos, quando poderia matar o jogo, Morata se enroscou com a bola e desperdiçou oportunidade claríssima. Ao menos não fez falta.

A vitória do Chelsea é importante não apenas pelos três pontos, mas pela própria postura da equipe. E o retorno de Kanté valeu bastante, especialmente pela maneira como o coletivo voltou a se acertar, com Fàbregas e Hazard rendendo acima da média – como se espera de dois extraclasses. Os Blues chegam aos 22 pontos, na quarta colocação, um a menos que o Tottenham e o próprio Manchester United. Do outro lado da moeda, os Red Devils continuam na segunda posição, mas permitindo que o Manchester City abra oito pontos de vantagem na liderança. Não foi uma atuação ruim do time, especialmente pelo início e pelo final, mas espera-se mais de uma clube de tamanho investimento. Resta ver se José Mourinho continuará lutando contra os seus moinhos de vento.