O primeiro susto veio quando o Liverpool sondou Falcao Garcia e ouviu, segundo a imprensa inglesa, que o jogador estava acertado com o Real Madrid. Espantou porque o clube havia acabado de gastar muito dinheiro em Toni Kroos e James Rodríguez, na era do fair play financeiro, e renovado o contrato de Karim Benzema até 2019. E além de tudo, era o atual campeão europeu. Por que contrataria mais uma estrela, com um salário que cabe apenas no paraíso fiscal de Mônaco, e que colocaria uma pressão desnecessária no atacante francês, na melhor fase da sua vida?

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A história de Falcao no Real Madrid foi ganhando força na última semana de janela de transferências e mais ainda quando o jogador tuitou que havia “realizado o sonho” de jogar no clube merengue, no último sábado, para pouco depois apagar a mensagem e culpar hackers, photoshopers e extraterrestres pelo ato falho. Quando parecia que mais um episódio da megalomania de Florentino Pérez estava prestes a começar, afinal contratar o colombiano para ser reserva de Benzema equivale a matar barata com uma bazuca, o negócio por Chicharito Hernández com o Manchester United foi confirmado.

Embora seja compreensível que torcedores tenham ficado decepcionados com o gato que veio no lugar da lebre, faz muito mais sentido trazer o mexicano para compor o elenco do que o salário e o status de Falcao, que obviamente é muito mais jogador que Hernández, mas obrigaria Ancelotti, na melhor das hipóteses, a mexer em outra posição-chave da equipe, como está tendo que fazer depois das saídas de Xabi Alonso e Di María. Na pior, ter que lidar com uma estrela milionária no banco de reservas.

Ainda poderia ter em Benzema o mesmo efeito que teve em Di María. Depois de alguns anos de contestações, em que praticamente revezava a camisa 9 com Higuaín, o francês se firmou como o centroavante do Real Madrid. Fez 17 gols no Campeonato Espanhol e cinco na Liga dos Campeões na temporada passada, inclusive o da vitória sobre o Bayern de Munique no jogo de ida das semifinais, além de uma boa Copa do Mundo pela França. A interpretação de que Falcao significa que, mesmo assim, a diretoria ainda não confia na sua capacidade seria natural, e uma pedido oficial de transferência, também.

E não é assim que se monta um time. Chicharito, jovem, 26 anos, carismático, tem muito mais perfil para ser um reserva útil para o elenco. Até como opção tática porque gosta de jogar mais preso dentro da área que Benzema e tem um bom jogo aéreo. Perdeu espaço nas últimas duas temporadas no Manchester United e precisa provar que ainda tem lenha para queimar nos grandes palcos. E já que o negócio de Florentino Pérez às vezes parece ser mais ligado à indústria têxtil que ao futebol, o potencial de vender camisetas do jogador, com muitos fãs mexicanos, também não pode ser desprezado. Pelo menos desta vez, o presidente do Real Madrid preferiu a sensatez.

Veja o vídeo que o Real Madrid fez para recepcionar Chicharito:

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