Ainda que a Copa América seja o torneio mais antigo do planeta, tendo sido criada há exatos 100 anos, foi só em meados dos anos 60 que o futebol começou, de fato, a ganhar proporções maiores na América do Sul. Isso porque, até então, a hegemonia era quase inteiramente brasileira, argentina e uruguaia. Na edição de 1987, Chile e Colômbia ficaram muito perto de abalar essa preponderância dos três países mais tradicionais e vitoriosos da competição. Os colombianos daquela época, em ótima fase, eram o esboço do que se tornaria uma das melhores gerações de toda sua história. Já os chilenos, embora já tivessem sido finalistas em duas ocasiões, formavam o time dos desacreditados. Hoje, depois de 29 anos, as duas seleções voltam a se encarar pela semifinal do torneio. Desta vez, com duas equipes fortíssimas e de capacidade párea.

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Foi a partir de 1987 que a Copa América começou a se modernizar. No ano em questão, o torneio realizado na Argentina passou a ter uma sede fixa, além de contar com a presença obrigatória dos dez membros da Conmebol, além de ter sido televisionada na Europa e na América do Norte. Portanto, a 33ª edição foi um marco na história da competição. Nove das dez seleções participantes foram separadas em três chaves, e a melhor de cada uma delas disputaria a semifinal com o último campeão. No caso, o Uruguai. Aliás, não tem brasileiro que acompanhou a Copa América desse ano e não lembre da fase de grupos. Depois de golear a Venezuela por 5 a 0, o Brasil de Romário, Careca e companhia foi golpeado pelos chilenos por 4 a 0, sendo ridiculamente eliminado logo na primeira etapa da competição. E foi com esse resultado e com um 3 a 1 diante dos venezuelanos que a seleção chilena cravou sua vaga na semifinal.

No grupo C, a equipe colombiana do capitão Carlos Valderrama passou por cima da Bolívia e do Paraguai sem muitas dificuldades e também se garantiu na penúltima fase, bem como a Argentina, que compunha o grupo A com Peru e Equador. Já na briga para ver quais das quatro seleções seriam finalistas, foi decidido que o primeiro jogo seria entre Colômbia e Chile. Era 8 de julho e fazia frio na cidade de Córdoba, mas nada que o clima tenso da partida não pudesse esquentar. O time colombiano era superior ao adversário tecnicamente, embora isso não tenha sido suficiente para que os cafetones abrissem o placar durante o tempo regular de jogo. Foram pouco mais de 90 minutos de bola rolando e nenhuma rede balançando, ainda que a Colômbia tenha atacado mais e levado muito perigo ao gol do Chile, que quando não era coberto pela grandeza de Rojas, era salvo pela categórica atuação do zagueiro Astengo.

Não teve jeito. O confronto teve que ser levado para a prorrogação, já que nenhuma equipe foi capaz de anotar, pelo menos, um tento. No tempo extra, graças a Colômbia ter mantido o ritmo ofensivo, o marcador finalmente foi aberto. Depois de Iguarán ter sofrido uma falta dentro da área, Redín cobrou pênalti e colocou os cafetones na frente. A sensação é de que estava tudo encaminhado para a Colômbia se consolidar como a primeira finalista da edição de 1987, mas não foi bem isso que aconteceu. Parece que o desgaste físico tomou conta do time que foi melhor em campo ao longo do tempo normal e o rendimento da equipe colombiana caiu muito. A prova disso foi que ela deixou que o Chile empatasse a partida na segunda etapa da prorrogação, após uma cobrança de escanteio em que a bola foi parar na cabeça de Astengo, que aproveitou a saída bizarra de Higuita (bem à la Higuita, mesmo) para mandar para o fundo da rede.

O lance fatal da decisão só demorou dois minutos depois desse gol para acontecer. O Chile aproveitou a fragilidade defensiva da Colômbia depois de ter tomado o empate para colocar uma pressão absurda no time que parecia ser o favorito à classificação para a final. Imersos em um sentimento de garra, os chilenos recuperaram a bola que estava sob controle colombiano no meio-campo e dispararam, com sangue nos olhos, rumo ao gol em um contra-ataque de extrema velocidade. Pillo Vera, depois de Higuita ter espalmado no meio da bola na área, não desperdiçou a sobra e fez 2 a 1 para o Chile, placar que perdurou até o apito final. Para quem acredita em coincidências, a última vez que o Brasil caiu na fase de grupos da Copa América foi justamente em 1987, ano em que o Chile eliminou a Colômbia na semifinal. Será que teremos a mesma final de 2015 na edição do Centenário?

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