FORTALEZA – O dia seguinte ao jogo do Brasil tinha cara de ressaca. Não havia mais as cornetas e buzinas logo pela manhã e as camisas amarelas já não eram tão frequentes assim. Nem as verdes, do México, embora eles ainda estejam em bom número por aqui. Já se vê uma ou outra camisa alemã – o próximo jogo dos alemães será aqui, no sábado. Na hora do almoço, em um shopping por aqui, os brasileiros que assistiam a Holanda e Austrália torciam claramente para a Holanda. Mais tarde, na fan fest, a expectativa era de torcida pelo Chile contra a Espanha. Há um certo sentimento de união entre os sul-americanos em torno da Copa. Parece, finalmente, que o Brasil faz parte da sudaca, como não tinha sentido antes.

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Já era esperado que os brasileiros torcessem para o Chile contra a Espanha. Afinal, os torcedores brasileiros mostraram, já na Copa das Confederações, que torceriam contra alguns dos favoritos, especialmente a Espanha. Na Fan Fest de Fortaleza, na praia de Iracema, eram poucos os que começaram a ver o jogo com o Chile, mas era clara a torcida pelos chilenos. Aliás, era possível encontrar alguns torcedores ali. Uma variação enorme. Os mexicanos ainda são maioria, mas pouco a mais. Colombianos, australianos, ingleses, e holandeses. Estes estavam em um número até razoável. Aos poucos, os chilenos aumentaram de número e se concentraram em frente ao enorme telão.

O primeiro gol do Chile já deu o tom: os brasileiros comemoraram. Percebi alguns espanhóis, poucos, bem poucos, concentrados em um cantinho. Dava para contá-los com os dedos de uma mão. Depois cheguei a ver um ou outro com camisa da Espanha espalhado. Nada que fizesse frente aos chilenos. Depois do segundo gol, explosão de alegria e até alguns empolgados cantavam junto com os chilenos. Quando o jogo estava para terminar, um grupo de chilenos já cantava e gritava.

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Na comemoração, se juntaram aos chilenos os holandeses, que se multiplicaram e apareceram aos montes. Com bandeiras, com camisas e fazendo festa. Os dois times eram considerados concorrentes a uma vaga, enquanto a Espanha, favorita, ficaria com a outra. Mas holandeses e chilenos pareciam celebrar por essa estripulia que o futebol causou. A Espanha eliminada, holandeses e chilenos classificados antecipadamente e os dois farão um jogo para decidir quem fica com o primeiro lugar.

Saindo da Fan Fest, encontro um grupo de turistas jogando futebol em uma rodinha, com uma bola que parece ser essas de brinde que se ganha por aí. Eles não parecem muito habilidosos e a bola vai para a avenida seguidas vezes, gerando “uuuh” como se fosse no estádio – só que, no caso, era torcendo para os carros não passaram por cima da bolinha.

Os ouvi falando em inglês e um deles estava com as cores da bandeira americana. Os quatro eram de San Francisco, nos Estados Unidos. Eles contaram que estavam ali pela Copa e que gostavam de futebol, embora não tivessem muita habilidade – e apontou para os toques desajeitados dos companheiros com a bola. Perguntei se eles torciam para algum time da MLS. “Earthquakes”, um deles respondeu. Contaram que não tiveram problemas no Brasil e estavam gostando. Vieram, é claro, para ver os jogos dos Estados Unidos. Disse a um deles que a maior preocupação era os aeroportos. “Ele [aponta para outro ] teve um voo cancelado, tivemos voos adiados. Mas nada que fosse muito problema”, disse, antes de sair andando. Iam buscar um lugar para sair à noite. Parece que na noite anterior eles não se deram bem e foram a um lugar cheio de prostitutas. Esperavam ter mais sorte desta vez.

Fortaleza foi um pouco uma festa das nações, com misturas de bandeiras, empolgação e os brasileiros apoiando o Chile. Aparentemente, o Chile, e os sul-americanos como um todo, exceto a Argentina, parecem contar com a total simpatia dos brasileiros. Nesta quarta, o Chile encontrou uma casa aqui em Fortaleza. Talvez até as oitavas de final, quando podem enfrentar o Brasil. Ou até continuarem se sentindo em casa. Os mexicanos já conseguiram na terça.