Os poucos torcedores do Chivas USA: time é um fracasso de público

Chivas USA era um fracasso e a MLS fez bem em se livrar dele

Era iminente. A Major League Soccer, MLS, precisava tomar uma atitude em relação ao Chivas USA, uma franquia que era claramente um fracasso em uma liga que quer evoluir como uma das mais importantes do mundo. Em uma fase de tantos investimentos no futebol do país, com franquias custando US$ 100 milhões e uma iminente expansão a partir da 2015, não era possível continuar mantendo um time que tem média de público baixa, pouco apelo com o público e que comete seguidos erros estratégicos. Por isso, a MLS anunciou que comprou o Chivas USA dos donos Jorge Vergara e Angelica Fuentes.

Para se ter uma ideia do tamanho do fracasso do Chivas USA na MLS, o comissionário da liga, Don Garber, classificou como o mais desastroso experimento desde que ele assumiu o cargo, em 1999. É bom lembrar como funciona o modelo de esporte nos Estados Unidos. Lá, as ligas são grandes empresas das quais os times são sócios. Portanto, um time ir muito mal é ruim para todos na liga. O Chivas USA era o time com menor média de público e teve a pior campanha nas últimas duas temporadas. Há algum tempo, sua presença na MLS era contestada perto de outros times que parecem mais promissores, além de cidades que parecem mais dispostas a entrar no negócio. Antes que a situação ficasse ainda pior, a MLS interveio.

O erro de querer ser o representante hispânico na liga

O Chivas USA cometeu muitos erros de gestão que levaram a franquia a piorar de situação. Em 2013, o time adotou uma fórmula que usou em seu início, de só usar jogadores de origem hispânica. Alertamos que isso seria um problema e quais as consequências disso. Quando, em maio, a MLS anunciou o acordo com o Manchester City que criou uma nova franquia em Nova York, o New York FC, o destino do Chivas USA parecia mesmo ser deixar a liga.

Fundado em 2004, o Chivas USA tinha a ideia de ser um braço da matriz, o Chivas Guadalajara, nos Estados Unidos. Como o clube matriz têm políticas bastante firmes em com relação às suas origens – só aceita jogadores mexicanos no elenco –, o Chivas USA seria um represente dos latinos nos Estados Unidos, especialmente, claro, dos mexicanos.

O problema é que nem todo mexicano ou descendente que mora nos Estados Unidos torce para o Chivas. Imagine o seguinte: se você morasse por lá e criassem um time para representar os brasileiros, mas que fosse do time rival ao seu, você torceria por ele? Pois é, a comunidade mexicano da região não abraçou o time.

Vale lembrar que muitos times têm hispânicos nas suas torcidas. Natural, já que o esporte é o mais popular em boa parte dos países da América Latina. A ideia da MLS é tentar “americanizar” o futebol, e não colocar um rótulo latino nele. Para que a liga se desenvolva e se torne realmente forte, precisa da comunidade que gosta de futebol nos Estados Unidos, e isso inclui os americanos que não tenham origem hispânica. A ideia de cativar essas comunidades em um lugar como LA podia ser interessante em 2004, mas passados 10 anos, é claramente um erro. E um erro que a MLS não pode manter com a nova fase da liga, com a ideia de ser mais global.

A baixa média de público e a falta de rivalidade na 2ª maior cidade americana
Compra do Chivas USA é a morte da franquia do time mexicano

Compra do Chivas USA é a morte da franquia do time mexicano

Rivalidade é um dos motores que impulsionam o esporte. Quem é apaixonado sabe disso e no futebol essa é uma máxima que pode ser claramente vista. Nos Estados Unidos, com a visão mais coletiva e empresarial que suas ligas têm, essa noção de que a rivalidade é um combustível importante é ainda mais acirrada. Esse é um dos motivos da liga ter colocado mais uma franquia em Nova York, para tentar criar uma rivalidade com o New York Red Bulls na maior e mais importante cidade americana. O mesmo vale para Los Angeles, a segunda maior. É importante, em termos de mercado, fazer com que o futebol tenha uma rivalidade na região. É uma das formas de ajudar o esporte a crescer.

O Los Angeles Galaxy já estava bem estabelecido desde 1996, com todos os percalços que a liga passou. O Chivas USA chegou para concorrer, mas a rivalidade incentivada entre as duas equipes sempre soou artificial. Apesar de ser uma megalópole, o Chivas USA tem a pior média de público da liga em 2013, 8.366, em um estádio com capacidade para 27 mil pessoas. A média de público da MLS em 2013 foi de 18.807. Na imprensa americana, se discute há tempos que o Chivas USA ajuda a jogar a média de público da liga para baixo.

Interesse em uma rivalidade local na segunda maior cidade americana, mas como estava, o Chivas USA só se tornava mais irrelevante. E ser irrelevante em uma cidade do tamanho de Los Angeles é complicado. Por isso mesmo, a ideia da MLS é manter a franquia em Los Angeles, renomeando para Los Angeles FC ou Los Angeles SC. Assim, o time teria ligação com a cidade, mas sem uma restrição à comunidade latina. E, quem sabe, seria mais forte para concorrer com o Galaxy, uma das franquias de maior sucesso recente na liga.

Perspectivas futuras

A MLS anunciou que a franquia permanecerá em Los Angeles, com um novo nome, logo e um novo estádio – este último cada vez mais importante para a liga. O Chivas Usa divide o estádio com o Los Angeles Galaxy, mas um novo estádio para futebol é visto como uma forma de ajudar a potencializar o time e os rendimentos. É uma aposta ousada, mas que faz algum sentido.

Chegou a se especular que Stan Kroenke, dono do Colorado Rapids e um dos maiores acionistas do Arsenal, seria o comprador da franquia. A MLS negou o rumor, mas disse que há conversas com potenciais compradores. O que se sabe é que o time permanecerá como Chivas USA nesta temporada, o técnico foi mantido e os jogadores emprestados ficarão nos empréstimos até o fim da temporada. Ao final dela, a franquia será reformulada, com novo nome, e planos para um novo estádio. A liga certamente espera que até lá a franquia já tenha um dono, mas é possível que essa transição só aconteça efetivamente em 2015.

O Chivas USA estava sendo um ponto negativo tanto do ponto de vista do público quanto do ponto de vista técnico. Nesta temporada, não deve ser muito diferente, pela transição. A sua saída será beneficia e é possível criar uma nova franquia em Los Angeles que faça jus ao que a MLS pretende ser. A nova franquia precisará montar um bom time para ter uma campanha digna e será importante contratar um nome de peso para chamar a atenção para o time e levar torcedores ao estádio. As expectativas são boas, mas só para 2015. Em 2014, será apenas o velório de uma franquia morta.