Estádio Mbombela, em Nelspruit

Cidade sem futebol, mas com Copa: também teve lá fora, e o que aconteceu?

Ah, Manaus! Ah, Brasília! Ah, Cuiabá! O governo gastando bilhões em estádios para a Copa do Mundo, e alguns deles em cidades que nem têm times de futebol fortes para sustentar ou justificar tamanho investimento. Sim, um absurdo. Mas não é inédito. Várias Copas do Mundo já tiveram suas sedes não-futebolísticas. E o resultado dessas escolhas extravagantes foram dos mais diversos.

>>> Cinco coisas que você precisa saber sobre os novos estádios brasileiros

Há casos de cidades que se viraram sem clubes, há casos de cidades que passaram a ter clubes, e há casos em que, bem, nada aconteceu. Pois é, o lema “se você construir, eles virão” serviu para Kevin Costner no filme “Campo dos Sonhos”, mas nem sempre dá certo no futebol real.

A história é antiga. Quase todo Mundial, se olhado com algum rigor, terá um exemplo. Como Mar del Plata em 1978, Alicante em 1982, Nezahualcóyotl em 1986… Bem, essa é a escalada em ordem cronológica. Nós fizemos o contrário, pegamos de trás para frente, para usar apenas exemplos relativamente recentes. E, sim, há casos de cidades sem futebol forte que sediaram partidas das Copas de 1998, 2002, 2006 e 2010.

>>> Público, privado, empréstimo, incentivo: da onde vem o dinheiro dos estádios da Copa?

Então, é hora de ver o que cada um fez de certo e errado, para que as cidades brasileiras que se enquadram na categoria do “Não tem futebol, mas tem Copa” vejam que caminho é possível seguir para que exista algum legado de tanto gasto em estádios. Pegamos um exemplo de cada um dos últimos cinco países a organizarem um Mundial, e esse é o tema desta semana da Trivela.

Segunda: St. Denis

A grande surpresa da definição de sedes da Copa de 1998. De início, o projeto de um estádio enorme na Grande Paris parecia exagerado, e a Federação Francesa chegou a pedir para clubes locais adotarem o Stade de France como casa permanente. Mas, no final de contas, o estádio ficou como bom exemplo de como sobreviver sem um usuário permanente.

Terça: Nelspruit

Estádio novinho, no meio do nada, em uma cidade sem um clube de futebol tradicional e uma equipe de rúgbi forte. A receita para um elefante branco na África do Sul.

Quarta: Seogwipo

Nada de critérios técnicos: a Coreia do Sul escolheu Seogwipo porque queria promover seu paraíso natural como destino turístico internacional. Mas… e o futebol?

Quinta: Leipzig

Até a Alemanha e seu futebol-modelo tem seu pecado. Leipzig não tinha nenhuma equipe minimamente forte em 2006, mas havia interesses políticos na escolha da cidade: ter alguma sede na antiga Alemanha Oriental e reforçar a candidatura para os Jogos Olímpicos de 2012.

Sexta: Miyagi

O único estádio que virou mico na parte japonesa na Copa de 2002. O time mais próximo demorou para ganhar força, e nem agora a conta está fechando.

VOCÊ TAMBÉM PODE SE INTERESSAR POR:
Destrinchamos os contratos dos clubes com os estádios para saber quem se deu melhor
Da criação do Brasileirão aos elefantes brancos, como o futebol entrou no Plano de Integração Nacional
Copa Africana expõe elefantes brancos do Mundial de 2010


8 respostas para “Cidade sem futebol, mas com Copa: também teve lá fora, e o que aconteceu?”

  1. Leandro Costa disse:

    Leipzig está sendo bem utilizado pelo RB Leipzig (parceria com a Red Bull) que subiu a 2ª divisão alemã..

  2. Fabrício Thurow disse:

    A diferença é que esses países todos estão há anos luz do Brasil em termos de estrutura num todo. Aqui quem paga o pato, é sempre o povo!

Deixe uma resposta