Paulo Henrique Ganso comemora pelo São Paulo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Cinco pontos sobre a quinta rodada do Brasileirão

A quinta rodada do Campeonato Brasileiro terminou com dois times que foram muito bem em 2013 entre os quatro primeiros colocados na tabela. O campeão Cruzeiro venceu, no primeiro jogo depois da eliminação da Libertadores, e já é o segundo colocado, o Grêmio venceu e também está por ali, em terceiro. Só que o líder é o Internacional, por um ponto, e o Goiás está entre os quatro primeiros, o que não deixa de ser surpreendente. Abaixo, alguns pontos sobre essa quinta rodada:

Arena inaugurada e carimbada

Era um dia de festa, primeiro jogo oficial do novo estádio do Corinthians. Algo que tem um significado para lá de importante para um clube que passou tantos anos da vida sonhando em ter a sua casa. Finalmente conseguiu e, no primeiro jogo, teve o adversário que parecia ideal. O Figueirense, lanterna do Campeonato Brasileiro, tinha não só perdido os quatro jogos que tinha feito até ali, como sequer tinha marcado um gol. Nenhum risco de ter água no chopp da estreia, certo?

Errado. Giovanni Augusto marcou para o Figueirense o primeiro gol da Arena Corinthians, impondo também a primeira derrota do time alvinegro na sua nova casa. Pior foi não ter nem um gol para a torcida corinthiana comemorar pela primeira vez. O dia de estreia será inesquecível para os torcedores principalmente pela casa nova, mas também pela chuva forte e a derrota do time que sequer conseguiu marcar um gol no seu primeiro jogo.

Não há estádio novo nem empolgação da torcida que supere o futebol burocrático e ruim que o Corinthians apresentou. Foram 16 chutes a gol do time, que só acertou três no gol. Nove foram para fora e outros quatro foram bloqueados. O ataque corinthiano foi inócuo e dois destaques do jogo foram os zagueiros Thiago Heleno e Marquinhos, do Figueirense. Isso já diz muito.

Dizer que o nervosismo atrapalhou é uma desculpa barata. Precisa é jogar futebol, um pouquinho que seja, para conseguir mais do que comemorar inauguração de estádio em 2014.

Giovanni Augusto marcou pelo Figueirense (Foto: Reinaldo Canato/UOL)

Giovanni Augusto marcou pelo Figueirense (Foto: Reinaldo Canato/UOL)

Na conta do chá

O Grêmio precisou de um gol e de uma boa atuação de Marcelo Grohe para sair da Arena Grêmio com a vitória sobre o Fluminense por 1 a 0. O goleiro foi fundamental com cinco defesas na partida, sendo eleito o melhor do jogo. Ajudou que a principal ameaça adversária, ao menos em tese, se descontrolou e foi expulso.

Aos 24 minutos do segundo tempo, Fred se desentendeu com Pará, recebeu o amarelo, junto com o gremista. Depois, colocou a mão no pescoço de Alan Ruiz, o árbitro de trás do gol chamou o árbitro, que expulsou o camisa 9. Uma expulsão que pareceu exagerada, e que prejudicou o time do Flu.

O gol da vitória do Grêmio, por sua vez, veio de um jogador que chegou para o Brasileiro: Rodriguinho, emprestado pelo Corinthians. O meia recebeu um bom passe pelo lado direito, dentro da área, e bateu de um ângulo difícil para marcar. O Grêmio chegou ao grupo de cima na tabela, com 10 pontos, junto ao Cruzeiro e ao Goiás, e atrás do Internacional, que tem 11. O futebol continua não sendo grande coisa, mas aí a pergunta é: e quem está jogando alguma coisa?

Em branco, mas líder

Empatar com o Criciúma pode não ser o melhor dos negócios, considerando que o time catarinense é um dos fortes candidatos ao rebaixamento. Mesmo assim, Abel Braga, técnico do Inter, não considerou o resultado ruim. Em parte, porque a atuação de Galatto foi o que salvou o time catarinense de uma derrota, com seis defesas na partida. Também porque o setor ofensivo do Inter não funcionou como deveria. Nem mesmo D’Alessandro, destaque do time na temporada – como, aliás, tem sido habitual.

Se ofensivamente não houve muito destaque, defensivamente sim. O lateral direito Diogo Mateus foi quem mais fez desarmes na partida, com oito. Foi o melhor jogador do time gaúcho na partida. Em um jogo sem muitos destaques, vale o registro. Agora, o Inter tem três vitórias em cinco jogos, com dois empates.

Foram dois pontos perdidos, mas só se saberá o quanto isso prejudicará com o andar da carruagem. Olhando hoje, com todo mundo ainda titubeando, é impossível saber. O equilíbrio desse início pode ser um bom sinal para o campeonato, que tende a ser disputado. E o Inter se coloca, discretamente, como um candidato a levantar a taça. Até porque na dança pelo título, parece estar todo mundo ainda tímido, no canto do salão.

A lei do ex, sempre implacável

Santos e Atlético Mineiro se enfrentavam em Cuiabá. Isso já começou estranho, hein? Pois é, o Santos não pode mais usar a Vila Belmiro, que será um dos muitos campos usados para treinamentos na Copa. Então, o time da baixada santista vendeu o mando e foi para o Mato Grosso para jogar. Na Arena Pantanal, saiu na frente com Cícero, ainda no primeiro tempo. O Atlético, sem Ronaldinho, Diego Tardelli e Jô, jogava desfalcado. Mas quem foi fundamental na virada foi justamente um reserva.

O comando do ataque do Galo era de André, um atacante que depois de ficar em má fase no time, foi repassado por empréstimo ao próprio Santos, onde não foi bem, ao Vasco, onde teve altos e baixos e voltou ao Atlético por pura falta de opção. A ausência de Jô deu a chance do jogador voltar à ativa e eis que ele aproveitou.

Com dois gols, virou o jogo para o Atlético, que venceu jogando fora de casa – em um desses jogos do Brasileirão que os dois times jogam fora, o que infelizmente é bem frequente. E André, revelado pelo Santos, foi quem deu a vitória ao Galo. É, a lei do ex não costuma perdoar. O jogador atribui a boa sequência a estar em campo.

Na estreia de Ney Franco, deu Ganso
Paulo Henrique Ganso comemora pelo São Paulo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Paulo Henrique Ganso comemora pelo São Paulo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Ao que parece, o técnico do Flamengo terá muito trabalho. Mais uma vez bagunçado em campo, o rubro-negro não conseguiu dar conta de um São Paulo que não precisou ser mais do que organizado para causar problemas. Ofensivamente, o Flamengo criou pouco e teve Paulinho indeciso entre ser atacante, meia, ponta. Não foi coisa alguma e passou despercebido.

As falhas defensivas do time também prejudicaram, ainda mais em um dia que Paulo Henrique Ganso resolveu justificar aquela brincadeira que tanto se fazia em 2010: “Bom mesmo é o Ganso”. No primeiro tempo, o meia foi o grande destaque. Apareceu entre os zagueiros e volantes, aproveitando um bom passe de Osvaldo e a dormida na marcação, para entrar na área e abrir o placar. Depois, no segundo tempo, Ganso marcou o segundo invertendo papéis com Luís Fabiano – foi do centroavante o cruzamento para o gol do meia, dentro da área.

Curiosamente, foi Ganso quem mais chutou durante o jogo, cinco vezes. No Flamengo, que jogou 43 minutos com dois centroavantes, foram 13 chutes no total, mas nem Alecsandro, nem Hernane chutaram uma vez sequer. O maior chutador foi Éverton, com três.

O São Paulo mostrou organização e que tem jogadores como Ganso, capazes de, em um dia inspirado, decidirem o jogo. Não há muito mais a se empolgar, mas em um campeonato em que o nível está tão baixo, fica difícil saber o que será suficiente para que. O Flamengo, em tese, não é time para brigar para não cair, mas passadas cinco rodadas, o time está em 16º.