Os jogadores que se recusaram a jogar

Fernandinho se recusou a entrar em campo pelo Atlético Mineiro no empate por 0 a 0 com o Criciúma. Com contrato até junho, ele tem seis jogos no Campeonato Brasileiro e, se entrasse em campo, não poderia mais defender outro clube. Por isso, preferiu não jogar. Com um mês de contrato e sem garantia que teria seu vínculo renovado, seja por empréstimo, seja na sua compra definitiva, ele não quis mais. O Atlético não gostou da atitude e suspendeu o contrato do jogador, ou seja, ele não receberá mais até o fim do contrato. Vai deixar o clube.

O caso é um erro de todos os lados. Fernandinho poderia ter tentado negociar antes, o clube também, e ambos poderiam ter evitado essa situação que é ruim para todos os envolvidos. Fernandinho não poderia mesmo correr o risco de jogar sete jogos e não ter o contrato renovado. Ficaria impedido de defender outra equipe até o fim do ano. Ele e o clube não resolveram uma questão que era para ser resolvida muito antes.

Cícero é um caso diferente. Com contrato até o fim do ano, ele não quis jogar contra o Flamengo, no horroroso empate por 0 a 0, para não ultrapassar o limite de jogos e poder ganhar mais em outro lugar. Porque ele pediu aumento e o Santos não quis. Caso parecido com o que aconteceu quando ele era jogador do São Paulo. Deve defender o Fluminense, que pagará o que ele quer. No caso de Cícero, o jogador não tem motivos para não querer entrar em campo. Tem contrato até o fim do ano e, se estiver insatisfeito com o salário, pode pedir para ser negociado ou esperar o vínculo acabar.

A grande questão que esses dois casos mostram é que temos um problema com o nosso calendário, com o nosso sistema de transferências, que é bem estranho. Não há problema em ter transferência no meio do campeonato, desde que em um período determinado e sem limite de jogos. Por exemplo, um período de um mês de janela em agosto. Seria melhor para o campeonato.

Cruzeiro copando Inter em Porto Alegre

O Cruzeiro conseguiu uma vitória daquelas que fez muita gente sair dizendo que o time é candidato ao título, time a ser batido e tudo mais. Candidato ao título o time até é mesmo, porque, afinal de contas, é um dos melhores times do Brasil. Mas que é o time a ser batido…

Vale destacar Ricardo Goulart. Um dos melhores jogadores do time no ano e no campeonato, ao menos até agora. É um meia que pode chegar como atacante, marca gols, ajuda na criação de jogadas do time. Quem foi bem também foi Marcelo Moreno, que é reserva do time, em tese, mas no Brasileirão tem sido titular, mesmo após a queda na Libertadores. Foi dele o terceiro gol do time na vitória por 3 a 1.

É muito, mas muito cedo para dizer quem de fato disputará o título e mais ainda para cravar quem será o time a ser batido. O Cruzeiro conseguiu uma excelente vitória contra o Inter, outro time que começou muito bem. Os dois pintam como candidatos e a raposa mostra qualidades, mas devagar com o andor que o santo é de barro.

De grão em grão…

O Fluminense foi parte de um jogo bizarro com o mando do Bahia na Arena Barueri, na Grande São Paulo. Venceu por 1 a 0, gol de Kenedy, e chegou a 15 pontos na competição. O time ainda tem problemas, é instável, mas tem potencial. Não dá para saber onde o Fluminense pode chegar, mas dá para saber que o time conseguiu uma vitória importante e tem cinco vitórias em sete jogos. Não por acaso é o segundo colocado no momento, um ponto atrás do Cruzeiro. Resta saber quem será o Fluminense depois da Copa. Aliás, vale para qualquer um dos times desse campeonato. Ninguém sabe direito como estará depois da parada para a Copa, porque a janela abre e uns podem perder jogadores, outros podem ganhar. Vai saber.

Atletiba às moscas longe de Curitiba

Um dos jogos mais importantes do ano para os dois clubes foi disputado longe de Curitiba. Punição, irão dizer alguns. É verdade. Mas mesmo que não houvesse punição, o clube não poderia jogar em casa, porque o seu estádio, Arena da Baixada, já está nas mãos da Fifa. Então, o jogo foi para Maringá, região noroeste do estado, onde os clubes da capital não só não têm muitos torcedores como ainda são bastante rechaçados. Por lá, os torcedores em geral são de times paulistas – a região fica próxima da divisa com São Paulo. O resultado foi que o Atletiba teve 1840 pessoas no estádio Willie Davies, com renda de R$ 39.202. Um enorme parabéns aos envolvidos.

Em termos de futebol, o Atlético Paranaense mostrou algum potencial com seus jogadores. O time não é mais do que razoável, mas tem Marcos Guilherme, que tem bastante potencial. Douglas Coutinho, que parece ser um jogador versátil e um bom atacante,e outros como Natanael, bom lateral esquerdo. Nathan é um meia que já mostrou muita coisa na base, mas no profissional ainda precisa efetivamente mostrar o que tem. A defesa do Atlético, porém, sofre mais do que deveria. Weverton segue sendo um bom goleiro também. Mas o time tem potencial para ficar mesmo no meio da tabela.

Já o Coritiba precisa se preocupar. O time mostra fragilidade depende excessivamente de Alex. Sem uma boa atuação do meia, que também não conseguir manter o ritmo com tantos jogos – e como será depois da Copa também, com jogos no meio de semana e fins de semana. A pergunta é o quanto o Coritiba consegue aguentar, porque a perspectiva não é boa.

Corinthians fazendo quatro gols

Até o jogo deste domingo, o Corinthians tinha cinco gols em seis jogos no Brasileirão. Em um só jogo, marcou quatro, logo contra o Sport, em Recife. Não que tenha atuado de forma esplêndida, ou que agora o time esteja na ponta dos cascos, mas foi uma atuação bem melhor do que o time vinha jogando.

Romarinho conseguiu ir bem, mas principalmente Jadson foi importante. O meia foi quem mais conseguiu criar problemas para o Sport, jogando em uma posição que conhece, pelo meio, protegido por gente que marca mais, Ralf, Bruno Henrique e Petros, que saía mais para o jogo. Se o time tem destaques defensivos, desta vez não foi o caso. O time sofreu mais que o normal com os dois laterais (que marcam pouco mesmo) e com Cléber, que não foi seguro. Mas o time mostrou mais força ofensiva e isso compensou.

Ao Sport, fica o alerta. O time não é um candidato ao rebaixamento de saída, mas precisará jogar mais bola. Fez alguns bons jogos neste Brasileiro, mas não conseguiu bons resultados como se esperada. O time teve uma tabela complicada e mostrou instabilidade, com duas vitórias, um empate e três derrotas – fez seis jogos até aqui. É preciso colocar as barbas de molho.