Nos últimos dois anos, um padrão foi observado na Copa Libertadores. Dois times alvinegros que nunca haviam vencido a competição sagraram-se campeões: Corinthians e Atlético-MG. As coincidências podem até servir de alento para o Botafogo, que volta a sonhar com a conquista das Américas pela primeira vez desde 1996. Mas, brincadeiras à parte, a Libertadores parece ter deixado de ser uma competição apenas para quem é muito calejado no continente. Camisas pesadas podem fazer a diferença, é claro, mas ter uma equipe forte conta bem mais no torneio.

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Quais seriam os times capazes de surpreender e conquistar o título inédito em 2014? Pensamos em cinco delas que, além de nunca terem subido ao topo do pódio no continente, ainda têm qualidade para ir longe na competição e, quem sabe, até ficarem com a taça. Confira:

1º - Newell’s Old Boys

Dentre os clubes que nunca venceram a Libertadores e estão na disputa deste ano, o Newell’s é um dos mais fortes. Conseguir passar pela fase de grupos da competição já será um ótimo teste para os argentinos, afinal o sorteio os colocou ao lado de Grêmio, Nacional do Uruguai e Atlético Nacional.

Os Rojinegros já bateram na trave em algumas oportunidades. Em 1988 e em 1992, foram vice-campeões para o próprio Nacional e São Paulo, respectivamente. No ano passado, chegaram até a semifinal, sendo eliminados pelo campeão Atlético Mineiro. Ao todo, somam sete participações.

O Newell’s terminou o Torneo Inicial de 2013 entre as quatro equipes que brigaram pelo título da competição até a última rodada. Desde então, manteve a base quase campeã, com David Trezeguet e Maxi Rodríguez como destaques ofensivos, Gabriel Heinze na zaga e anunciou recentemente a interessante contratação de Éver Banega, constantemente é convocado por Alejandro Sabella para a seleção argentina. Com um elenco de jogadores experientes e de boa qualidade, o Newell’s é naturalmente um candidato ao título. Além disso, a ótima fase recente, também com o título do Torneio Final no início de 2013, é mais uma credencial para os leprosos.

2º - Botafogo

Jorge Wagner é um dos contratados do Botafogo para a temporada

Alvinegro como Corinthians e Atlético, o Time da Estrela Solitária pode não ter um elenco tão qualificado como paulistas e mineiros tiveram em seus títulos. A base é a mesma que fez um ótimo início de Brasileiro e caiu de rendimento na reta final, mas perdeu bastante com as saídas de Seedorf e Oswaldo de Oliveira. Ainda assim, mesmo que tenha sido contra um clube mediano, a classificação contra o Deportivo Quito mostrou que o time sabe ser intenso.

O histórico botafoguense na Libertadores é bastante curto. São apenas três participações, em 1963, 1973 e 1996. Suas melhores campanhas foram justamente nas duas primeiras edições em que participou. Em 1963, foi eliminado na semifinal pelo Santos, que acabou como o campeão. Já em 1973, parou também na semifinal.

Com a saída de Rafael Marques, a responsabilidade dos gols ficou com El Tanque Ferreyra, vice-campeão no ano passado com o Olimpia. Na pré-Libertadores, no entanto, contra o Deportivo Quito, quem fez a diferença mesmo foi Wallyson, também recém-chegado. Em seu grupo, apenas o San Lorenzo parece ter potencial de atrapalhar a caminhada. Chegando à próxima fase, por que não sonhar com um título ganhado jogo a jogo?

3º - San Lorenzo

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Se você acredita no sagrado, não tem como não apontar o San Lorenzo como um dos concorrentes ao título. Neste sentido, o clube argentino tem ao seu lado Sua Santidade, o Papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio parece ser pé quente. Logo na primeira competição desde que assumiu o cargo máximo da Igreja Católica, pôde comemorar a conquista do Torneo Inicial. O pontífice inclusive recebeu membros do San Lorenzo no Vaticano e ganhou uma réplica da taça.

O histórico do San Lorenzo em Libertadores é relativamente extenso, com 13 participações. Ainda assim, nunca foi além das semifinais, algo que aconteceu apenas em suas duas primeiras participações, em 1960 e 1973. Em 2008, no ano do centenário, apostaram em Andrés D’Alessandro para tirar o estigma da falta de Libertadores, mas parou nas quartas-de-final. Não à toa, o único dos cinco grandes de Buenos Aires é motivo de piada dos rivais, que transformam sua sigla, CASLA, em ‘Clube Atlético Sem Libertadores da América’.

As apostas do time neste ano para levar pela primeira vez a competição estão em Ignacio Piatti, grande destaque da equipe, Carlos Valdés, zagueiro da seleção colombiana recém-contratado, e Sebastian Torrico, goleiro que foi o herói do título do Inicial no final do ano passado. Com a benção e o embalado time, o time de Boedo tem uma boa oportunidade para encerrar as gozações dos adversários, algo também provado por atleticanos e corintianos.

4º - Independiente Santa Fe

Omar Pérez é um dos destaques do Independiente Santa Fe

Na última Libertadores, o Independiente Santa Fe encerrou a fase de grupos na liderança de sua chave, com quatro vitórias e dois empates. Nas oitavas, passou por um estrelado elenco do Grêmio e eliminou na sequência o Real Garcilaso. O avanço à final foi brecado pelo Olímpia, que se aproveitou do fator casa no Defensores del Chaco para abrir uma vantagem de dois gols não igualada pelos colombianos. Campanha boa o suficiente para que seja observado com atenção neste ano.

Mais do que isso, os Cardinales apresentaram bom futebol, tendo como destaques Omar Pérez e Wilder Medina. O começo do time no Campeonato Colombiano neste ano também tem sido vistoso e agradado aos torcedores: quatro vitórias em quatro partidas disputadas. O nível do clube é explicado pela manutenção do técnico Wilson Gutiérrez, no comando da equipe desde 2011.

Embora curta, a história da participação do Santa Fe em Libertadores é antiga. Na primeira década da competição, esteve em duas edições – 1961 e 197. Ao todo, são apenas sete participações, sendo que, entre a quinta (1980) e a sexta (2006), 26 anos se passaram. Com a tarimba recente e a base foi mantida, por que não acreditar em um título? É só levar um pouco mais de sorte que da última vez.

5º - Lanús

Lanús conquistou o título da Copa Sul-Americana (AP Photo/Eduardo Di Baia)

No último ano, o Lanús sagrou-se campeão da Copa Sul-Americana diante da Ponte Preta, segurando um empate no Pacaembu e carimbando o título com uma vitória em La Fortaleza. Casa essa que é um dos trunfos do time para competições internacionais. O barulho que faz e a pressão que exerce a torcida no estádio é incrível. Com um elenco longe de ser brilhante, é na garra e no encaixe do time que os granates apostam para surpreender.

O histórico do Lanús na Libertadores mostra que a equipe não tem muita tradição, mas que vive um ótimo momento. Esta será apenas sua quinta participação, e a primeira aconteceu apenas há seis anos. Argentino mais vezes presente na copa neste intervalo, o clube precisa de uma campanha mais consistente. Seu máximo foram as oitavas de final, caindo para Atlas e Vasco.

No time atual, os maiores trunfos para uma conquista inédita são Santiago “El Tanque” Silva e Ismael Blanco. O primeiro não é nada privilegiado tecnicamente, e volta e meia está perdendo gols feitos. No entanto, compensa tudo isso com sua garra característica. Já na zaga, Paolo Goltz também pode fazer a diferença, até porque também costuma aparecer bem no ataque. E o time conhece o caminho das pedras após o sucesso na Sul-Americana. Já que a maré está a favor dos que nunca levaram a Libertadores, sonhar é um direito para o torcedor granate.