Ganso reclamando da reserva

Sábado foi dia de Pacaembu para o São Paulo. Com o show do One Direction no Morumbi, no próximo dia 10, o estádio está sem poder receber jogos para montar o palco e a estrutura. Mas jogar no Pacaembu não pareceu um problema para o torcedor são-paulino, que colocou 32.143 pessoas (renda de R$ 524.420) no Pacaembu – que tem acesso muito mais fácil que o Morumbi, diga-se. Apesar do apoio das arquibancadas, no São Paulo só empatou por 2 a 2 com o Coritiba, mas teve mais um gol de Alexandre Pato.

Só que o que ficou do jogo não foi nem a vulnerabilidade da defesa são-paulina, nem o bom público, e sim o fato de Paulo Henrique Ganso ter começado o jogo no banco. Mais uma vez. Já tinha acontecido no Campeonato Paulista e voltou a acontecer no sábado, com a escalação do time de Muricy Ramalho com Osvaldo, Pabón, Pato e Luís Fabiano na frente. Nenhum deles com característica de meio-campista, mas com Pato fazendo o papel de aproximação do centroavante Luís Fabiano.

Ganso entrou no segundo tempo e foi decisivo, dando o passo para o gol de empate de Ademílson, que também entrou na etapa final. Saiu de campo dizendo que não adianta ter quatro atacantes se ninguém criar as jogadas, no que tem toda razão. O único problema disso é que ele mesmo não tem sido exatamente um grande criador de jogadas. De qualquer forma, o fato de ter sido decisivo dá a ele algum argumento e Muricy sabe disso. Só que Ganso terá que dar mais respostas quanto a isso. E isso só poderá ser feito com boas atuações em sequência no campo – a começar, talvez, pelo confronto de volta com o CRB, na Copa do Brasil, quarta-feira.

Galo perdido e Levir Culpi dá recados

Não bastasse mais uma derrota do Atlético Mineiro – a segunda em três jogos –, a torcida atleticana ainda viu o seu atacante, Jô, sair de campo machucado. Ou melhor, poupado, depois de sentir dores no joelho. Mas poupado para que, se o Atlético já está fora da Libertadores? Porque tem convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo na próxima quarta e Jõ é um dos nomes prováveis. A derrota para o Goiás por 1 a 0 deixou marcas no time, não só pela atuação bastante fraca, mas também pelo que disse o técnico Levir Culpi na entrevista coletiva.

O técnico disse que tem jogador preocupado com seleção brasileira, seleção argentina, com negociação e outros que simplesmente não estão interessados. Recados muito duros e que têm direção. Jô, claro, é um dos atingidos. Otamendi, o único argentino que pode ir à Copa, foi outro. Tardelli e Ronaldinho são outros potenciais alvos.

Resta saber se os disparos do técnico têm respaldo da diretoria para se tornarem ações, uma reformulação do elenco. Levir disse que o time precisa ser rejuvenescido. O que parece é que o técnico terá sim apoio para promover as mudanças que achar necessárias, incluindo mandar alguns jogadores badalados embora, se achar que deve. Sabemos que isso é complicado. Isso sem falar no estilo de jogo que precisa ser alterado, mas isso com as mudanças de elenco virá até naturalmente.

Cruzeiro reserva vence mais uma

Três jogos, sete pontos, sendo que seis deles com o time reserva. O único jogo com o time titular teve apenas um empate: o 1 a 1 com o São Paulo, na segunda rodada. No sábado, o jogo contra o Atlético Paranaense, com mando dos paranaenses, foi realizado em Brasília. A vitória celeste veio de virada, com gols de Souza, Nilton e Marcelo Moreno. É verdade que jogar com um a mais em boa parte do segundo tempo facilitou a tarefa. Mas ainda assim, é mais um sinal da força que tem o elenco do time.

Basta olhar os nomes que fizeram os gols. Nilton foi destaque do time campeão em 2013 e, por estar se recuperando de lesão neste ano, tem sido reserva. Marcelo Moreno é claramente reserva, tanto que veio do banco mesmo em um time escalado só com reservas, mas ainda assim, poderia jogar em muitos clubes do campeonato.

Sabemos, porém, que elenco é só um fator na disputa pelo título, ainda que seja importante. Como o Cruzeiro ainda está na disputa da Libertadores, é preciso saber como o time reagirá em casa de eliminação ou mesmo de conquista do título. Sabemos, pelo histórico, que os times que conquistam a Libertadores jogam o resto do ano sentados em cima do seu próprio sucesso e raramente brigam pelo título. Por outro lado, ser eliminado pode funcionar tanto como uma desilusão que demora algumas rodadas para passar quanto uma injeção de ânimo para tentar um título no ano.

50 mil no Maracanã para ver o Fluminense (que perdeu)

Algo que precisa ser ressaltado nesse Campeonato Brasileiro: o Fluminense conseguiu, de novo, ótimo público jogando em casa. No sábado, o time teve 44.975 pagantes, com 50.687 presentes (renda de R$ 609.195).

Vale lembrar que o time já tinha colocado 35.020 presentes no primeiro jogo, com 30.720 pagantes. Um excelente público, mas o jogo do Flu não foi tão bom assim. Perdeu por 2 a 1 para o Vitória, graças a dois gols de Marquinhos, uma boa estratégia e alguma dose de sorte. Cristóvão Borges viveu a sua primeira derrota no comando do time, mas uma hora aconteceria.

O Fluminense ainda está tentando encontrar soluções para o time. Se alguém consegue bloquear bem o seu jogo, entupindo o meio-campo, tentando bloquear a bola de chegar com qualidade a Fred, o time ainda sofre. Mas é natural, será algo para trabalhar durante o campeonato. Além disso, o Vitória é um bom time, que, é bom lembrar, foi quinto colocado em 2013. O Fluminense está longe de ser um esquadrão, mas é um time que pode ter um bom rendimento. Resta saber se o potencial sairá do papel.

Alecsandro em dia inspirado

O Flamengo conseguiu uma boa vitória, graças a um bom jogo de Alecsandro, especialmente no segundo tempo. Henrique, centroavante que estreou pelo Palmeiras, conseguiu marcar o seu primeiro gol pelo clube, que no momento marcado dava ao alviverde a vantagem por 2 a 1. Só que os problemas defensivos do Palmeiras continuam. Aliás, continuam vários problemas, como a dificuldade em jogar pelos lados também e a falta de consistência do time.

No Flamengo, Alecsandro vinha de atuações regulares, mas conseguiu uma excelente com os dois gols na partida, que deram a vitória por 4 a 2. O placar é enganoso, porque o jogo foi bem complicado. Foi a segunda derrota seguida do Palmeiras, que terá o Goiás em casa na próxima rodada, no sábado, dia 10.

O Flamengo tem o clássico com o Fluminense no próximo domingo, no Maracanã. O Fla está longe do time que venceu a Copa do Brasil. Resta saber como o time se comporta contra adversários mais qualificados para entender onde o time pode chegar.