Um time que pressiona no campo de ataque, especialmente pela maneira como trabalha a bola com qualidade. E que, na defesa, se protege com segurança, esperando o momento certeiro para contra-atacar na velocidade máxima. O Manchester City vive o ápice de sua forma sob as ordens de Pep Guardiola. Mostrou o futebol vistoso e ofensivo neste domingo, diante do Arsenal, no Estádio Etihad. Mas a vitória por 3 a 1, ainda assim, tem um asterisco. A superioridade dos Citizens ao longo dos 90 minutos foi incontestável. Todavia, os dois gols ocorridos no segundo tempo, que garantiram o resultado, contaram com a colaboração da arbitragem. Asseguraram a liderança da Premier League, com um aproveitamento assustador dos celestes, acumulando dez vitórias e um empate nas 11 rodadas disputadas até aqui.

Entre as possíveis formações ofensivas que pode adotar, Guardiola confiou em Sergio Agüero no comando de ataque, apoiado por Raheem Sterling e Leroy Sané nas pontas. Já pela faixa central, os maestros eram Kevin de Bruyne e David Silva. O Arsenal, por sua vez, contava com uma linha de frente mais leve. Alexis Sánchez era o homem de referência, acompanhado por Alex Iwobi e Mesut Özil. E antes que a bola rolasse, houve tempo para uma homenagem a Agüero, que se tornou o maior artilheiro da história do City no meio de semana.

Apesar do DNA das equipes, o ímpeto de ambos os lados foi menor do que poderia se esperar. O Arsenal não parecia disposto a se expor tanto, com o Manchester City controlando a bola. As melhores chances dos anfitriões vinham em jogadas rápidas. Mas os Citizens não demoraram a der seus avisos, criando boas jogadas com a participação de seus pontas. Aos 18, Petr Cech foi obrigado a realizar a primeira grande defesa, em chute de Kevin de Bruyne. Mas não demorou para que o belga, em fase extraordinária, abrisse a contagem na sequência do lance. O City recuperou a bola, trabalhou com calma e De Bruyne teve todo o espaço do mundo para, mesmo cercado por quatro adversários, arriscar o chute cruzado, estufando as redes.

O Manchester City seguia em melhor momento depois do gol. Não conseguia finalizar tantas vezes, mas engolia o Arsenal na velocidade de suas trocas de passes e nos avanços fulminantes após as recuperações. O placar poderia ser maior ao final do primeiro tempo, não fossem os lances desperdiçados por Sterling. Já do outro lado, os Gunners criariam sua única chance concreta pouco antes do intervalo. Após jogada de Alexis Sánchez, Aaron Ramsey encarou a marcação e bateu rasteiro, parando em defesaça de Ederson.

Logo no início do segundo tempo, aos quatro minutos, o Manchester City consolidou a vitória. Em uma disputa ombro a ombro com Nacho Monreal, Sterling caiu na área e o árbitro foi na dele, causando a insatisfação dos adversários. Na cobrança, Agüero bateu no canto e a bola ainda tocou na trave antes de entrar, ampliando a diferença. Os anfitriões diminuíram o ritmo depois disso, com o Arsenal tentando reduzir o prejuízo. E a entrada de Alexandre Lacazette, no lugar de Francis Coquelin, foi providencial. Aos 19, em sua primeira chance, o francês recebeu de Ramsey e invadiu a área, chutando por baixo de Ederson para descontar.

Depois disso, o Manchester City acordou. Gabriel Jesus, que acabara de entrar no lugar de Agüero, passou a chamar a responsabilidade ao lado de David Silva. O brasileiro só não fez o terceiro aos 23 por causa de um milagre de Cech, pegando o arremate à queima-roupa em cima da linha, no contrapé. Já aos 28, o goleiro ficaria vendido. Lançado em impedimento, David Silva chegou à linha de fundo e cruzou para Jesus fuzilar. O tento que definiu o confronto, morno nos 20 minutos finais. O Arsenal tentou um último suspiro, promovendo também a entrada de Olivier Giroud, mas pouco adiantou.

Comparativamente, o Manchester City finalizou pouco ao longo dos 90 minutos, com apenas nove conclusões. Ainda assim, impressiona a quantidade de chances claras, especialmente pela maneira como a equipe envolve os adversários. Mas não podem ser menosprezados os desperdícios no primeiro tempo. Eles impediram uma vitória mais fácil e acabaram permitindo o questionamento, diante daquilo que aconteceu na etapa complementar. Apesar do domínio total, fica a mácula. Individualmente, Kevin de Bruyne mais uma vez foi brilhante. Além dele, Leroy Sané também se destacou pela intensidade nas subidas pela esquerda. E, na cabeça de área, Fernandinho fez uma partidaça, inclusive pela contribuição no ataque. Ele tabelou com De Bruyne no primeiro tento e deu um lançamento cirúrgico para Sterling na jogada que resultou em pênalti.

Ao Arsenal, apesar do direito de não se dar por satisfeito com a arbitragem, é preciso olhar para o próprio umbigo. Os Gunners foram praticamente nulos na partida, principalmente na criação, com Mesut Özil e Alexis Sánchez muitíssimo abaixo daquilo que podem produzir. A defesa cumpriu seu trabalho com certa competência, sobretudo por Petr Cech, apesar do cochilo geral no primeiro gol. Mas, neste momento, o time de Arsène Wenger aparece abaixo dos principais favoritos ao título.

Líder absoluto, o Manchester City chega aos 31 pontos. Assiste ao desenrolar da rodada, com a visita do vice-líder Manchester United ao Chelsea, podendo abrir até mesmo oito pontos de vantagem em caso de tropeço dos Red Devils. Já o Arsenal estaciona com 19 pontos, na sexta colocação, mas emparelhado na briga por um lugar no Top Four.