Quando, no futuro, forem relembrar quem eram as grandes referências da seleção chilena campeã da Copa América, Claudio Bravo deverá ser sempre um dos primeiros nomes mencionados. E não apenas por ser o capitão, o cara que se eternizou na imagem erguendo a taça. A liderança do goleiro é inquestionável. Em uma equipe na qual o sistema defensivo não é bem o ponto mais forte, o papel dominante do camisa 1 dentro da área possui um valor essencial. Neste domingo, porém, Bravo subiu mais alguns degraus. Se a decisão no MetLife Stadium não contou com um futebol tão empolgante, o arqueiro fez o seu papel quando necessário. Brilhantemente. E, méritos reconhecidos, saiu premiado como o melhor em campo. Uma volta por cima, dentro de sua própria trajetória na Copa América Centenário.

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Bravo sofreu com as críticas durante a primeira fase da competição. E com razão. Faltava garra, faltava concentração. Tomou um frango contra a Bolívia e produziu outras tantas pequenas falhas. Mas se redimiu justamente quando os chilenos mais precisavam, nos mata-matas. Contra o México, passou despercebido. Para, na caótica semifinal contra a Colômbia, se fazer presente nos apuros. Enquanto a Roja abriu vantagem rapidamente, os Cafeteros pressionaram durante boa parte do tempo. Pararam no camisa 1, recobrando a segurança que lhe é tão característica. Até a atuação enorme diante da Argentina.

Passar 120 minutos sem sofrer gols já seria um mérito de Bravo. Ainda mais pela maneira como suportou o bombardeio da Albiceleste. Por mais que faltasse mira aos argentinos, a bola insistia em atravessar os céus da área vermelha. E o capitão segurava as pontas na bateria antiaérea, diante dos cruzamentos constantes. Todavia, no primeiro tempo da prorrogação, Bravo operou um milagre que valeu por toda a final. Que teve o peso de um gol. O desvio de Sergio Agüero tinha endereço certo, o ângulo, não fosse as pontas das luvas do camisa 1. Bravo ressaltou os seus predicados, em um lance de agilidade, impulsão, potência. Segundos que ficarão marcados por muito tempo.

E ainda haveria o bônus na decisão por pênaltis. A culpa recai nos ombros de Messi. Mesmo assim, isso não anula os méritos de Bravo, ao voar no canto para espalmar a cobrança de Biglia, repetindo o que já tinha feito contra Banega em 2015. A defesa que pendeu o placar para o Chile e definiu os rumos do campeonato. Festa feita, o capitão não conteve a emoção. Natural, para quem conviveu com sentimentos tão distintos ao longo das últimas semanas. Ao fim, pôde celebrar outra vez, como já havia feito em 2015. Agora, com uma importância ainda maior.

Bravo, atualmente, se coloca entre os melhores goleiros do mundo. Sua temporada com o Barcelona pode não ter sido tão brilhante, abaixo de Keylor Navas e Jan Oblak na Espanha. Contudo, a liderança na seleção ajuda a engrandecer o chileno. Se a Roja se fez tão poderosa nos últimos anos, deve muito a Arturo Vidal, a Alexis Sánchez, a Eduardo Vargas, mas também ao paredão que providencia confiança e até mesmo inicia a intensidade imposta desde os tempos de Jorge Sampaoli. Troféu nas mãos, o lugar de Bravo é mesmo a história do futebol chileno.

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