O JS Kabylie pode ser expulso de todas as competições que participa depois da morte do atacante Albert Ebosse. O camaronês morreu após um objeto ser atirado da arquibancada pelos torcedores por uma derrota em casa. O caso é tratado como uma tragédia e a Federação de Futebol da Argélia está considerando a possibilidade de uma punição exemplar, que incluiria a punição esportiva excluindo o clube, um dos mais tradicionais do país.

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O futebol no país inteiro foi suspenso no fim de semana por causa da morte de Ebosse. A decisão de cancelar o futebol no fim de semana todo, segundo a federação de futebol argelino, foi também uma forma de protestar contra “a ação irresponsável de fanáticos e hooligans que perpetuam violência nos estádios que atingiram proporções inaceitáveis”. A federação argelina e o JS Kabylie deram US$ 100 mil como indenização à família de Ebosse e irá garantir que ela receba o pagamento do restante do contrato do jogador.

“É intolerável que um espectador provoque a morte de um jogador. Um fim à violência”, escreveu o presidente da Fifa, Joseph Blatter, na rede social Twitter. Segundo a agência AFP, a fatalidade de Tizi Ouzou é reveladora de uma violência quotidiana que alastra no futebol argelino. “Esta tragédia não surpreendeu ninguém. Ano após ano, a violência instalou-se nos estádios e propagou-se pelas ruas, criando um clima de medo e insegurança nas nossas cidades”, descreveu o diário El Watan. “Poderia ter sido pior” e “poderia ter acontecido em qualquer estádio argelino já que a violência se generalizou e se tornou sistemática”, diz o jornal Liberté.

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Outro jornal, o El Khabar, ainda questionou a falta de segurança no país e a vontade dos dirigentes de sediar a Copa Africana de Nações em 2017. “Como poderíamos proteger milhões de convidados se a Confederação Africana de Futebol confiasse à Argélia a organização deste evento?”, afirma o veículo. A Copa Africana de Nações (CAN) é o torneio de seleções mais importante da África e seria realizado na Líbia em 2017. O país abriu mão de organizar o torneio por causa da falta de condições de segurança. Por isso, a Confederação Africana de Futebol abriu novamente candidaturas para sediar o evento até o dia 30 de setembro.

Não é o primeiro episódio de violência na África. Em março deste ano, um bandeirinha foi morreu em Gana depois de ser agredido após um jogo. Em 2013, vimos a repercussão da Tragédia de Port Said, quando 74 torcedores do Al Ahly foram mortos em um confronto com motivações que iam bem além do futebol. A justiça condenou 21 pessoas à morte pelo episódio, o que levou a uma reação forte. A sede da federação egípcia acabou sofrendo ataque em que três pessoas morreram.

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